Em 2025 surgiram vários modelos até 25.000. Numa rua de Lisboa, citadinos elétricos carregam. Imagem gerada por IA Em 2025 surgiram vários modelos até 25.000. Numa rua de Lisboa, citadinos elétricos carregam. Imagem gerada por IA

2025 em balanço: um ano de viragem na mobilidade elétrica

Balanço de 2025, um ano de viragem para a mobilidade elétrica em Portugal.

O ano de 2025 pode ser considerado histórico para a mobilidade elétrica em Portugal. Pela primeira vez, vendem-se mais carros elétricos, as marcas apostaram nos citadinos e há novas regras para o carregamento.

Ouve um resumo do artigo:

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2025 é ano histórico

Ao olharmos para trás e fazermos um balanço do ano, vemos que 2025 foi mesmo um ano de viragem em Portugal. O ano foi mais do que apenas uma sucessão de recordes de vendas, o que já era muito, e passa a marcar uma viragem mais profunda.

O carro elétrico saiu definitivamente da bolha do “segundo automóvel” ou do brinquedo tecnológico para entusiastas e tornou-se, para muitas famílias, a opção mais racional para o dia a dia.

Conjugação de fatores

Esta mudança não aconteceu por acaso e resulta de uma conjugação de fatores. Por um lado, na aposta, por parte das marcas em elétricos novos abaixo dos 25.000 euros e, por outro, na capacidade dos portugueses de aderir a novos hábitos de consumo.

Em 2025 surgiram vários modelos até 25.000. Numa rua de Lisboa, citadinos elétricos carregam. Imagem gerada por IA
2025 foi um ano de viragem na mobilidade elétrica em Portugal | Imagem gerada por IA

Em 2025, Portugal entrou definitivamente para o pelotão da frente da mobilidade elétrica nos países europeus, sendo mesmo o país do sul em que a adesão aos carros elétricos é maior.

Venda de elétricos dobra a de gasolina

Os números de novembro não deixam espaço para dúvidas: a viragem já é uma realidade Com mais de cinco mil carros 100% elétricos matriculados num único mês, os BEV superaram de forma clara as motorizações a gasolina e a gasóleo, garantindo cerca de um terço de todas as vendas de automóveis novos em Portugal.

Infografia gerada por IA

Se se juntarem os usados importados, a UVE contabiliza 8.613 elétricos a entrarem em circulação só em novembro, um crescimento próximo dos 40% face ao ano anterior. Mais do que intenções, são matrículas que mostram uma confiança cada vez mais sólida.

E novembro não foi uma exceção. Foi o confirmar de uma tendência. No último trimestre de 2025, a venda de carros elétricos superou sempre a de carros a combustão, sendo que em novembro o número de carros elétricos novos vendidos foi mais do dobro dos carros a gasolina.

Abaixo dos 25.000 euros: quando o preço deixa de ser desculpa

Em conversa de café, a resposta automática à ideia de comprar um elétrico era quase sempre a mesma: “é caro demais”. Mas este argumento começou a perder força em 2025.

Numa primeira fase, os construtores optaram por modelos de segmentos mais altos, onde pudessem provar a tecnologia. Mas a redução dos custos de produção, nomeadamente das baterias, permitiu a chegada ao mercado de modelos mais baratos.

Hyundai INSTER
O INSTER é um automóvel com linhas marcantes @Miguel Montez

Em 2025, o mercado português viu chegar sete modelos 100% elétricos com preços abaixo da barreira psicológica dos 25.000 euros. A maior parte são citadinos, mas há propostas mais familiares.

O Dacia Spring continua a ser o carro elétrico mais barato do mercado, mas já não está sozinho. Ao mercado português chegaram também em 2025 propostas como o Citroën ë-C3, Leapmotor T03 e BYD Dolphin Surf, pensados para quem quer reduzir custos de utilização sem abdicar da mobilidade diária e de equipamento.

Já o Renault 5 E-Tech, o Fiat Grande Panda e o Hyundai Inster acrescentam autonomia e versatilidade, com versões que superam os 400 km em ciclo urbano. Sempre abaixo dos 25.000 euros

Já perto de chegarem à equiparação de preços com os modelos a combustão, os automóveis elétricos são já atualmente uma opção que também faz sentido economicamente, principalmente se tiver a opção de os carregar em casa.

Carregar começa a parecer “ir à bomba”

A mudança mais estrutural aconteceu longe dos stands, através da lei. Com o novo Regime Jurídico da Mobilidade Elétrica, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 93/2025, o governo alterou as regras do carregamento.

O objetivo governamental é que a experiência de carregar um elétrico se aproxime finalmente da de abastecer um carro a combustão: o novo regime da mobilidade elétrica pretende que seja simples, direto e sem contratos obrigatórios.

Acabando o período de transição, no final de 2026, deixa de ser preciso ter-se um cartão específico para usar a rede pública de carregamento, passando a ser possível pagar diretamente no ponto de carregamento com cartão bancário ou outros meios ad hoc, vendo o preço final antes de ligar o cabo.

Esta transparência era há muito pedida pelos utilizadores. Ao liberalizar o mercado e permitir que os operadores usem energia própria e definam os seus modelos de preço, o diploma abre espaço a maior concorrência, mais inovação e, potencialmente, tarifas mais ajustadas à realidade de cada condutor. O futuro dirá qual a resposta do mercado.

Simulador e Guia EVMag: fazer contas antes de rodar a chave

Num mercado mais aberto, ter informação fiável tornou-se quase tão importante como a autonomia da bateria.

Foi a pensar nisso que o EVMag colocou online o simulador interativo “Compare os Custos do Elétrico vs Combustão”.

O simulador interativo permite ao condutor colocar a sua rotina em cima da mesa e saber qual a poupança que o automóvel elétrico traz. Ao dizer quantos quilómetros por ano faz, que tipo de percursos, consumo, preço da eletricidade e do combustível, consegue perceber em quantos anos o elétrico começa realmente a compensar.

Ao incluir o preço de compra de ambos os veículos na mesma simulação, a ferramenta responde à pergunta que pesa mais no orçamento familiar: quando é que este investimento se paga.

Em complemento ao simulador, o EVMag lançou o Guia de Carros Elétricos. Esta ferramenta organiza toda a oferta disponível em Portugal por segmento, autonomia e faixa de preço.

Juntos, as duas ferramentas EVMag funcionam como um verdadeiro kit de decisão que contribui para escolhas informadas e que redu o espaço para mitos sobre a mobilidade elétrica.

Como será 2026?

À entrada de 2026, Portugal afirma-se no mapa europeu como um dos países onde a transição energética está a ganhar, definitivamente, tração. Com preços de entrada mais baixos e carregamentos simplificados por lei, as barreiras clássicas à adoção dos elétricos estão hoje mais baixas do que nunca.

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Entre amigos, a pergunta já não é se o elétrico vai dominar o mercado. A discussão passa agora por perceber a rapidez com que se vai fazer a transição para a mobilidade elétrica.

Num país em que apenas 6% do parque automóvel é elétrico, a transição não será simples, mas está a acontecer a um ritmo cada vez maior.

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