43% dos veículos TVDE em Portugal já são elétricos. Lisboa quer 60% ainda em 2026 e não para até chegar aos 100%.
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O acordo e as quatro obrigações
A Câmara Municipal de Lisboa formalizou um protocolo de colaboração com a Uber e a Bolt que impõe quatro eixos de compromisso: restrição territorial de viagens, criação de zonas de paragem dedicadas, cumprimento do Código da Estrada e eletrificação progressiva das frotas.
“Faz muito mais sentido ter um veículo elétrico numa cidade.”
Mário de Morais Responsável pela Bolt em Portugal
O documento foi assinado pelo vice-presidente da autarquia, Gonçalo Reis, responsável pelo pelouro da Mobilidade, e pelos representantes das plataformas, Mário de Morais, pela Bolt, e Francisco Vilaça, pela Uber. As medidas entram em vigor de forma faseada e a implementação das zonas de restrição poderá começar “dentro de semanas”, segundo o vice-presidente.
A meta de eletrificação: 60% em 2026, 100% em 2030
O componente com maior peso para o setor da mobilidade elétrica está no quarto eixo do acordo: a descarbonização das frotas TVDE.
A 43% de elétricos no total nacional, o ponto de partida já não é residual. O acordo impõe uma cadência anual de dez pontos percentuais a partir daqui: 60% até ao final de 2026, 70% em 2027, 80% em 2028, 90% em 2029 e 100% em 2030. As metas são vinculativas para os veículos que operam nas plataformas Uber e Bolt em Lisboa.
"Tem ocorrido naturalmente, por uma questão de modelo de negócio, pois faz muito mais sentido ter um veículo elétrico numa cidade", disse Mário de Morais, responsável pela Bolt em Portugal, sobre a eletrificação da frota.
Do lado da Uber, Francisco Vilaça referiu que o compromisso se insere na estratégia seguida pela plataforma "em mais de 70 países" e anunciou o envolvimento da empresa na "criação de um ecossistema de financiamento de veículos" e de soluções de carregamento.
Zonas vermelhas e zonas azuis no centro de Lisboa
O acordo introduz o conceito de "zonas vermelhas": áreas onde será proibido iniciar ou terminar viagens TVDE. A lista inclui eixos de elevada pressão turística e vias com corredores de autocarro, como a Avenida da Liberdade, a Avenida da República, a Rua do Ouro, a Rua de Belém, o Príncipe Real e a Praça do Marquês de Pombal.

A lógica por detrás das zonas vermelhas é descomprimir artérias onde a acumulação de TVDE tem gerado conflito com transportes públicos, nomeadamente com os autocarros da Carris Metropolitana. Em paralelo, serão criadas "zonas azuis", espaços dedicados à tomada e largada de passageiros que funcionam de forma semelhante às praças de táxi.
A primeira "praça Bolt e Uber" está prevista junto ao Mosteiro dos Jerónimos. Outros pontos identificados incluem a Praça do Império, a Estação do Oriente e o Campo das Cebolas.
A implementação tanto das restrições como das zonas azuis será feita de forma gradual, com possibilidade de projetos-piloto em articulação com as plataformas.
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O que muda para quem usa TVDE em Lisboa
Para o utilizador, as principais mudanças visíveis serão a impossibilidade de ser apanhado ou deixado em determinadas zonas centrais e a gradual desaparição de veículos a combustão do serviço. Do ponto de vista operacional, as plataformas ficam também comprometidas a integrar as restrições de circulação diretamente nas suas aplicações, o que torna o cumprimento mais imediato do que num modelo de fiscalização convencional.
Gonçalo Reis destacou as "vantagens do online" para garantir que as zonas vermelhas funcionam: uma restrição definida na aplicação não depende de um agente de trânsito presente no local. "Estamos seguros de que vai ser implementado", disse o vice-presidente, referindo-se a "um princípio de confiança entre as partes".
Lisboa, mas não só
O acordo de Lisboa não existe num vácuo. Portugal tem hoje cerca de 43% do total de TVDE eletrificados, uma taxa que reflete uma transição que, segundo Mário de Morais, já está a acontecer por razões económicas antes de ser imposta por regulação.
Um veículo elétrico tem custos por quilómetro significativamente mais baixos do que um veículo a combustão, o que na lógica de um motorista TVDE com 200 ou mais quilómetros diários representa uma diferença concreta no final do mês.
A meta dos 100% em 2030 alinha Lisboa com as orientações da Comissão Europeia para a mobilidade urbana. Outras capitais europeias têm seguido trajetórias semelhantes, com Amesterdão e Oslo já com frotas TVDE maioritariamente elétricas. O acordo não tem força de lei, mas funciona como compromisso voluntário formalizado com registo público, o que aumenta a pressão sobre as plataformas para cumprir.
O acordo foi assinado nos Paços do Concelho, a 26 de março de 2026.






