Uma mulher jovem sai de um carro TVDE em Lisboa, com a ponte e o Cristo Rei ao fundo Uma mulher jovem sai de um carro TVDE em Lisboa, com a ponte e o Cristo Rei ao fundo

43% dos TVDE já são elétricos. Lisboa quer 100% até 2030

Câmara de Lisboa, Uber e Bolt assinam acordo: TVDE totalmente elétricos em 2030.

43% dos veículos TVDE em Portugal já são elétricos. Lisboa quer 60% ainda em 2026 e não para até chegar aos 100%.

Ouve o resumo do artigo:

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Resumo
Acordo assinado a 26 de março
Câmara de Lisboa, Uber e Bolt formalizaram um protocolo vinculativo com quatro eixos de compromisso.
100% de TVDE elétricos até 2030
43% da frota já é elétrica. A meta passa para 60% em 2026 e sobe 10 pontos por ano até à total eletrificação.
Zonas vermelhas no centro da cidade
Avenida da Liberdade, Rua do Ouro e Marquês de Pombal passam a ter restrições de tomada e largada de passageiros.
Restrições geridas pelas aplicações
As zonas vermelhas serão integradas nas apps da Uber e Bolt, sem depender de fiscalização presencial.

O acordo e as quatro obrigações

A Câmara Municipal de Lisboa formalizou um protocolo de colaboração com a Uber e a Bolt que impõe quatro eixos de compromisso: restrição territorial de viagens, criação de zonas de paragem dedicadas, cumprimento do Código da Estrada e eletrificação progressiva das frotas.

“Faz muito mais sentido ter um veículo elétrico numa cidade.”

Mário de Morais Responsável pela Bolt em Portugal

O documento foi assinado pelo vice-presidente da autarquia, Gonçalo Reis, responsável pelo pelouro da Mobilidade, e pelos representantes das plataformas, Mário de Morais, pela Bolt, e Francisco Vilaça, pela Uber. As medidas entram em vigor de forma faseada e a implementação das zonas de restrição poderá começar “dentro de semanas”, segundo o vice-presidente.

A meta de eletrificação: 60% em 2026, 100% em 2030

O componente com maior peso para o setor da mobilidade elétrica está no quarto eixo do acordo: a descarbonização das frotas TVDE.

A 43% de elétricos no total nacional, o ponto de partida já não é residual. O acordo impõe uma cadência anual de dez pontos percentuais a partir daqui: 60% até ao final de 2026, 70% em 2027, 80% em 2028, 90% em 2029 e 100% em 2030. As metas são vinculativas para os veículos que operam nas plataformas Uber e Bolt em Lisboa.

TVDE Lisboa · 2026–2030
Eletrificação obrigatória da frota TVDE em Lisboa
Metas anuais definidas no acordo entre a Câmara de Lisboa, Uber e Bolt, assinado a 26 de março de 2026.
43%
2025
60%
2026
70%
2027
80%
2028
90%
2029
100%
2030
Situação atual (Portugal)
Metas anuais (Lisboa)
+57pp
De 43% para 100% em quatro anos
Lisboa exige que Uber e Bolt aumentem a frota elétrica em cerca de 14 pontos percentuais por ano até 2030.
Metas de eletrificação da frota TVDE em Lisboa, 2026–2030
Ano% de veículos elétricos
Atual (Portugal)43%
202660%
202770%
202880%
202990%
2030100%
pp — pontos percentuais · Metas vinculativas para Uber e Bolt em Lisboa
Fonte: CM Lisboa · EVMag

"Tem ocorrido naturalmente, por uma questão de modelo de negócio, pois faz muito mais sentido ter um veículo elétrico numa cidade", disse Mário de Morais, responsável pela Bolt em Portugal, sobre a eletrificação da frota.

Do lado da Uber, Francisco Vilaça referiu que o compromisso se insere na estratégia seguida pela plataforma "em mais de 70 países" e anunciou o envolvimento da empresa na "criação de um ecossistema de financiamento de veículos" e de soluções de carregamento.

Zonas vermelhas e zonas azuis no centro de Lisboa

O acordo introduz o conceito de "zonas vermelhas": áreas onde será proibido iniciar ou terminar viagens TVDE. A lista inclui eixos de elevada pressão turística e vias com corredores de autocarro, como a Avenida da Liberdade, a Avenida da República, a Rua do Ouro, a Rua de Belém, o Príncipe Real e a Praça do Marquês de Pombal.

Uma mulher jovem sai de um carro TVDE em Lisboa, com a ponte e o Cristo Rei ao fundo
Os carros TVDE em Lisboa vão ser todos elétricos daqui a quatro anos | imagem gerada por IA

A lógica por detrás das zonas vermelhas é descomprimir artérias onde a acumulação de TVDE tem gerado conflito com transportes públicos, nomeadamente com os autocarros da Carris Metropolitana. Em paralelo, serão criadas "zonas azuis", espaços dedicados à tomada e largada de passageiros que funcionam de forma semelhante às praças de táxi.

A primeira "praça Bolt e Uber" está prevista junto ao Mosteiro dos Jerónimos. Outros pontos identificados incluem a Praça do Império, a Estação do Oriente e o Campo das Cebolas.

A implementação tanto das restrições como das zonas azuis será feita de forma gradual, com possibilidade de projetos-piloto em articulação com as plataformas.


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O que muda para quem usa TVDE em Lisboa

Para o utilizador, as principais mudanças visíveis serão a impossibilidade de ser apanhado ou deixado em determinadas zonas centrais e a gradual desaparição de veículos a combustão do serviço. Do ponto de vista operacional, as plataformas ficam também comprometidas a integrar as restrições de circulação diretamente nas suas aplicações, o que torna o cumprimento mais imediato do que num modelo de fiscalização convencional.

Gonçalo Reis destacou as "vantagens do online" para garantir que as zonas vermelhas funcionam: uma restrição definida na aplicação não depende de um agente de trânsito presente no local. "Estamos seguros de que vai ser implementado", disse o vice-presidente, referindo-se a "um princípio de confiança entre as partes".

Lisboa, mas não só

O acordo de Lisboa não existe num vácuo. Portugal tem hoje cerca de 43% do total de TVDE eletrificados, uma taxa que reflete uma transição que, segundo Mário de Morais, já está a acontecer por razões económicas antes de ser imposta por regulação.

Um veículo elétrico tem custos por quilómetro significativamente mais baixos do que um veículo a combustão, o que na lógica de um motorista TVDE com 200 ou mais quilómetros diários representa uma diferença concreta no final do mês.

A meta dos 100% em 2030 alinha Lisboa com as orientações da Comissão Europeia para a mobilidade urbana. Outras capitais europeias têm seguido trajetórias semelhantes, com Amesterdão e Oslo já com frotas TVDE maioritariamente elétricas. O acordo não tem força de lei, mas funciona como compromisso voluntário formalizado com registo público, o que aumenta a pressão sobre as plataformas para cumprir.

O acordo foi assinado nos Paços do Concelho, a 26 de março de 2026.

Perguntas e respostas

TVDE Lisboa · FAQ
O que muda com o acordo Lisboa, Uber e Bolt?
P
O que é exatamente o acordo assinado pela Câmara de Lisboa?
É um protocolo de colaboração assinado a 26 de março de 2026 entre a Câmara Municipal de Lisboa, a Uber e a Bolt. Estabelece quatro compromissos: restrição de viagens em certas zonas da cidade, criação de pontos de paragem dedicados, cumprimento do Código da Estrada e eletrificação progressiva das frotas até 2030. O acordo não tem força de lei, mas é público e vinculativo para as plataformas.
P
O que são as "zonas vermelhas" e onde ficam?
São áreas onde os motoristas TVDE ficam impedidos de iniciar ou terminar viagens. Abrangem zonas de elevada pressão turística e vias com corredores de autocarro, como a Avenida da Liberdade, a Rua do Ouro, o Marquês de Pombal, o Príncipe Real e a Rua de Belém. As restrições serão integradas diretamente nas aplicações, sem depender de fiscalização presencial.
P
Qual é a meta de eletrificação e como vai ser cumprida?
O acordo define metas anuais: 60% da frota elétrica até ao final de 2026, subindo 10 pontos percentuais por ano até atingir os 100% em 2030. Atualmente, cerca de 43% dos TVDE em Portugal já são elétricos. A Bolt e a Uber comprometem-se a promover ativamente a transição junto dos motoristas que operam nas suas plataformas em Lisboa.
P
O que são as "zonas azuis" e como funcionam?
São espaços dedicados à tomada e largada de passageiros, semelhantes às praças de táxi. A primeira está prevista junto ao Mosteiro dos Jerónimos. Outros locais identificados incluem a Praça do Império, a Estação do Oriente e o Campo das Cebolas. A implementação será faseada e poderá incluir projetos-piloto.
P
Este acordo aplica-se apenas a Lisboa ou a todo o país?
Aplica-se apenas a Lisboa. As metas e restrições foram negociadas pela Câmara Municipal de Lisboa com as duas plataformas para a operação na capital. A nível nacional, Portugal tem atualmente cerca de 43% dos TVDE eletrificados, mas não existe um acordo equivalente com outras autarquias.

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