Quatro fábricas, cinco modelos, dois países. O Grupo Volkswagen concentrou na Península Ibérica a produção de toda a sua família de elétricos de entrada de gama, com arranques previstos entre 2026 e 2027.
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Espanha com três modelos antes do fim do ano
Martorell e Pamplona já estão em ritmo de produção para os novos modelos. Na fábrica da SEAT e CUPRA em Martorell, perto de Barcelona, saem o ID. Polo e o CUPRA Raval. Em Pamplona, a fábrica de Navarra produz o Škoda Epiq e o VW ID.2X.
Os quatro modelos partilham a plataforma MEB Entry, desenvolvida especificamente para veículos elétricos acessíveis, com preços a partir dos 25.000 euros.
O ID. Polo é o primeiro a entrar em produção na Península Ibérica, com início previsto para o verão de 2026. A versão de arranque usa uma bateria NMC de 52 kWh com autonomia até 450 km e carregamento rápido DC até 130 kW.

As versões de entrada, com bateria LFP de 37 kWh e potências de 85 kW e 99 kW, chegam mais tarde, no final do ano ou início de 2027, condicionadas pela disponibilidade das células LFP. O preço base situa-se nos 25.000 euros.
O CUPRA Raval e o Škoda Epiq completam a família espanhola
O CUPRA Raval, irmão de plataforma do ID. Polo, sai também de Martorell. É o modelo de entrada da marca CUPRA no segmento elétrico e posiciona-se igualmente nos 25.000 euros. A cronologia de produção acompanha a do ID. Polo, com os primeiros exemplares a sair das linhas ainda em 2026.
Já conheces?
Em Pamplona, a história repete-se com variação de marca. A fábrica recebeu as linhas do Škoda Epiq e do VW ID.2X, dois SUV compactos elétricos também sobre a plataforma MEB Entry. A Škoda, que nunca tinha produzido em Espanha, viu na fábrica navarra a oportunidade de entrar na família ibérica de elétricos urbanos.
A produção dos dois modelos em Pamplona arranca igualmente em 2026, numa fábrica que encerrou a produção do Polo de combustão em 2024 para receber as novas linhas elétricas.
Autoeuropa recebe o modelo mais acessível do grupo
A Palmela, a decisão chegou em março de 2025 pela voz de Thomas Schäfer, presidente da marca Volkswagen. O ID. EVERY1, o elétrico de entrada do grupo com preço previsto de cerca de 20.000 euros, vai ser produzido na fábrica da Volkswagen Autoeuropa a partir de meados de 2027.

Em agosto do mesmo ano, o acordo foi formalizado com o governo português numa cerimónia em Palmela. O executivo português disponibilizou 30 milhões de euros de subsídio ao investimento da Volkswagen.
Poznan, na Polónia, e a fábrica principal da Škoda na República Checa ficaram pelo caminho. Portugal tem custos de produção mais baixos do que a Alemanha, e o ID. EVERY1 a 20.000 euros não fecha as contas com outra estrutura.
Uma estratégia “One Production” na Península Ibérica
Internamente, o grupo chama-lhe “One Production”. As barreiras logísticas entre Espanha e Portugal foram sendo desmontadas ao longo dos últimos anos.
O Grupo Volkswagen construiu uma lógica de cluster industrial que liga as fábricas da Península Ibérica à gigafábrica de baterias da PowerCo em Sagunto, perto de Valência. A fábrica de células, com capacidade prevista de 40 GWh anuais, abastecerá tanto Martorell como Pamplona e, por extensão, Palmela, que pode receber células por via ferroviária graças a uma ligação renovada desde 2021.

Infografia gerada por IA
Palmela produzirá cerca de 100.000 unidades do ID. EVERY1 por ano, segundo informação divulgada por fontes próximas do projeto em abril de 2025. A produção do modelo começa em setembro de 2027, embora comunicações mais recentes da Volkswagen refiram apenas “meados de 2027”, sem precisar o mês.
Autoeuropa moderniza-se para o elétrico
Em Palmela, as obras já estão em curso. A fábrica, que emprega atualmente cerca de 4.850 pessoas e representa 1,6% do PIB português, está no meio de um programa de investimento que inclui uma nova linha de pintura com secadores eletrificados, separação a seco do excesso de tinta e uso exclusivo de energia renovável. A linha de pintura arranca em 2027, em simultâneo com o início da produção do ID. EVERY1.
Debaixo da fábrica, literalmente, outra infraestrutura está a tomar forma: dois campos geotérmicos com 366 furos verticais até 120 metros de profundidade, distribuídos por 47.000 metros quadrados, ligados por 80 quilómetros de tubagens no subsolo. A partir de 2027, a água extraída a temperatura estável de 19 graus será usada para aquecimento e arrefecimento das instalações em circuito fechado.
O T-Roc híbrido continuará a ser produzido em Palmela em paralelo com o ID. EVERY1, mantendo a ocupação da fábrica durante a transição.






