CEO Kia Europa sobre metas de emissões CEO Kia Europa sobre metas de emissões

Kia: Alterar as metas de emissões de CO2 “vai custar-nos uma fortuna”

O CEO da Kia Europe diz que alterações nas metas de emissões europeias iriam custar muito dinheiro à marca

A Kia não vê com bons olhos uma eventual alteração das metas de emissões de C02 na Europa. A acontecer, iria “custar-nos uma fortuna”.

Kia quer que Europa mantenha metas

Ao contrário dos construtores europeus, a Kia quer que a União Europeia mantenha as metas de emissões de CO2 para 2023. A marca sul-coreana está a apostar forte nos automóveis elétricos e pretende que a Europa mantenha a meta de proibição de vendas de automóveis novos com motores de combustão interna até 2023.

CEO Kia Europa sobre metas de emissões
Mark Heidrich durante a cerimónia que assinalou o começo da produção do EV4 na Europa @Kia

O presidente e CEO da Kia Europe, Marc Hedrich, deixou a posição do construtor muito clara. “Temos uma avalanche de carros elétricos a chegar e se, de repente, tivermos de parar de lançar veículos elétricos, isso vai custar-nos uma fortuna”.

“Temos um plano”

Hendrich falava à margem da cerimónia que marcou o início da produção na Europa do EV4. “Temos um plano para atingir 100% de conformidade em 2023”, afirmou na ocasião. A marca sul-coreana está a investir 108 milhões de euros para produzir o EV4 e o EV2 na fábrica de Zilina, na Eslováquia.

A Kia tem uma posição diferente daquela que foi expressa pela Associação Europeia dos Fabricantes Automóveis (ACEA). Ainda esta semana, o presidente da associação e CEO da Mercedes-Benz, Ola Kallenius, endereçou uma carta à presidente da Comissão Europeia onde afirma que as metas “não são exequíveis”.

“Estamos bem posicionados”

Quando questionado pelos jornalistas sobre a posição de Kallenius de que as metas de emissões da UE prejudicarão os construtores, Hedrich disse: “É o mesmo tipo que, há alguns anos, prometeu que a sua empresa só venderia veículos elétricos na Europa até 2030.”

Hedrich salienta que a Kia não apoia o adiamento, depois de um forte investimento na sua gama elétrica, onde está a fazer uma autêntica ofensiva no mercado europeu. “Estamos muito bem posicionados para atingir os nossos objetivos de CO2 graças aos nossos veículos elétricos”, afirmou o CEO da Kia Europa.

A ofensiva elétrica da Kia

Carro do ano
O Kia EV3 é o Carro do Ano 2025

Em 2024, na Europa, a Kia lançou o SUV de grandes dimensões EV9 e o crossover compacto 100% elétrico EV3, que no primeiro ano de comercialização se tornou no sétimo modelo EV mais vendido na Europa, com 40.794 unidades vendidas. Este ano, a aposta da marca passa pelo hatchback compacto EV4 e pelo SUV médio EV5. O pequeno SUV EV2 chega em 2026.

Tanto o EV4 como o EV2 estão orientados para a Europa e serão montados na Eslováquia, com a produção do EV4 a ter já começado no dia 20 de agosto. A operar desde 2004, a fábrica eslovaca teve de ser adaptada para a produção de automóveis elétricos, com as linhas de produção a serem modernizadas com novas tecnologias, incluindo um transportador de baterias para a linha de montagem. O investimento total nas instalações de Zilina ascendeu aos 108 milhões de euros.

Kia EV4
O EV4 começou a ser produzido este mês na fábrica eslovaca @Kia

74% das vendas até 2023

A Kia tem por objetivo que os automóveis 100% elétricos representem 74% das suas vendas na Europa até 2030, mantendo o rumo traçado pelas metas de emissões da UE. Este objetivo não implica um corte total com outros tipos de motorizações.

“Nunca dissemos que deixaríamos de os vender em 2028 ou 2030, como alguns fabricantes de automóveis fizeram”, disse, citado pelo Automotive News Europe. “Sabemos que esta é uma fase de transição que durará alguns anos e vamos manter todas as tecnologias enquanto houver procura suficiente por parte dos clientes”.

A exceção são os híbridos plug-in, motorização que apenas surge em dois modelos da marca. “Os PHEV são definitivamente uma tecnologia de transição altamente dependente das regras dos governos locais”, afirma Marc Heidrich. “Considerando que as regras são bastante diferentes [em cada país], é extremamente difícil construir um business case.”

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Até julho, os registos de veículos elétricos a bateria na Europa aumentaram 26%, para 1,38 milhões, num mercado estável em geral, de acordo com os estudos de mercado da Dataforce. Números ontem divulgados pela ACEA mostram que o número de novas matrículas de automóveis 100% elétricos na Europa cresceu 39% em julho relativamente ao mesmo mês de 2024.

Perguntas e Respostas sobre as metas da UE

Quais são as principais metas da UE para reduzir as emissões de CO₂ no sector automóvel?

Regulamentos para carros e carrinhas:
2025: redução de 15 % das emissões médias de CO₂ face a 2021.
2030: redução de 37,5 % para carros e 31 % para veículos comerciais ligeiros Wikipedia.
2035: todos os automóveis novos (carros e carrinhas) deverão ser zero emissões (CO₂ = 0) UVE; Wikipedia+1.
Transportes como pacote climático: O setor automóvel deve contribuir para uma redução de 90 % das emissões de gases com efeito de estufa no transporte até 2050

Como está a Comissão Europeia a apoiar esta transição?

diálogo estratégico

Plano de Ação Industrial (março de 2025):
€1,8 mil milhões para criar uma cadeia de fornecimento de matérias-primas para baterias sólida e competitiva. €1 mil milhões para veículos conectados, autónomos e baterias Representação em PortugalEuropean Commission.

Ações específicas:
Aliança europeia para veículos autónomos, zonas de testes e financiamento até 2027.
Apoio à descarbonização das frotas empresariais (que representam cerca de 60 % das matrículas de veículos novos) Representação em Portugal; European Commission.

Flexibilização temporária dos objetivos para 2025–2027:
Em vez de multas anuais, os fabricantes poderão compensar excedentes e défices de emissões numa média trienal (2025–2027) ECOeuronewsEuropean; Commission.

Outras medidas complementares:
Incentivos à compra de veículos zero emissões.
Expansão da infraestrutura de carregamento (ex. “Clean Transport Corridor”).
Melhorar confiança do consumidor (reparação de baterias, leasing social, etc.) European Commission.

Capacitação da força de trabalho:
Requalificação de trabalhadores via Fundo Social Europeu Plus (FSE+), Fundo de Ajustamento à Globalização, etc.
Monitorização da transição justa com o Observatório Europeu da Transição Justa European Commission.

A UE está a manter-se firme no objetivo de veículos zero emissões até 2035?

Sim. A Comissão reitera o compromisso com os alvos para 2025, 2030 e 2035, apesar da flexibilização nos prazos de cumprimento Reuters+1; euronews.
A revisão das normas de emissão está a ser antecipada para o segundo semestre de 2025 Reuters ; euronews.

O que dizem os diversos atores?

CEO da Mercedes sobre carros elétricos chineses

Indústria automobilística europeia (Mercedes, BMW, Schaeffler, etc.) argumenta que os objetivos são “não realistas”: Problemas incluem dependência da Ásia para baterias, infraestrutura de carregamento insuficiente, custos elevados e tarifas dos EUA Reuters.

Setores e governos (como França, Alemanha):
Pedem flexibilidade e suavização das multas por incumprimento The Guardian ; Financial Times.

Ambientalistas e consumidores
Consumidores e ambientalistas alertam que a flexibilização (como o adiamento das multas) pode reduzir os incentivos para a produção de veículos elétricos e enfraquecer o cumprimento das metas Reuters+1.

Relatórios e análises apontam desafios:
O Tribunal de Contas Europeu advertiu que sem condições básicas (infraestrutura, oferta de EV, crédito ao consumo) a UE poderá não atingir as metas. Jornal de Negócios.

Quais as ambições de médio e longo prazo?

Calculadora da IEA

Neutralidade carbónica até 2050: objetivo global da UE, com os transportes a serem decisivos nessa transição. Conselho da União Europeia ; Wikipedia.
Meta de redução das emissões totais em 2030:
Pelo menos 55 % até 2030 (em relação a 1990), como parte da estratégia global de transição para a neutralidade Wikipedia ; Conselho da União Europeia.
Electrificação da frota: estimativa da Deloitte sugere que a quota de veículos elétricos (BEVs) terá de crescer em cerca de 7 pontos percentuais por ano até 2035 — muito acima dos cerca de 3 pontos observados entre 2019 e 2023 Deloitte.

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