Vendas de automóveis na Europa sobem pelo quinto mês, com os carros elétricos a puxar pelo mercado apesar do recuo de Bruxelas.
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As vendas de automóveis novos na Europa cresceram pelo quinto mês consecutivo em novembro, impulsionadas por um disparo nos elétricos e híbridos, ao mesmo tempo que Bruxelas recua no fim anunciado dos motores de combustão para 2035.
Apesar da mudança política em Bruxelas, analistas e dirigentes da indústria consideram que o futuro do setor europeu é inevitavelmente elétrico.
Vendas em alta, carros elétricos em força
As matrículas de automóveis novos na União Europeia, Reino Unido e EFTA subiram cerca de 2,4% em novembro, para 1,1 milhões de unidades, assinalando o quinto mês consecutivo de crescimento. No espaço da UE, as vendas atingiram quase 900 mil veículos, mais 2,1% face ao período homólogo.

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Os eletrificados ganharam peso recorde: os carros elétricos alcançaram uma quota de 21% na UE, 26% no Reino Unido e uns impressionantes 98% na Noruega, enquanto o conjunto de elétricos a bateria, híbridos e plug‑in já representa 65,6% das novas matrículas no bloco, face a 56% em agosto de 2024.
Marcas europeias, Tesla e BYD em rota de colisão
Os grandes grupos europeus estão a beneficiar da recuperação da procura por modelos eletrificados, com a Volkswagen a crescer 4,1% e a Renault 3% em matrículas face a novembro do ano passado. Em sentido inverso, a Stellantis recuou 2,7% após três meses de ganhos, refletindo uma transição mais lenta de algumas das suas marcas para gamas de emissões reduzidas.

Na frente dos puros carros elétricos, a Tesla perdeu 11,8% das matrículas na Europa, apesar de registar volumes recorde na Noruega, enquanto a chinesa BYD disparou 221,8%, encurtando a distância em quota de mercado: 2,1% para a Tesla e 2% para a BYD em novembro, de acordo com a ACEA. Analistas avisam que a combinação de preços agressivos, cadeia de produção integrada e apoio estatal coloca os fabricantes chineses numa posição de ataque ao coração da indústria automóvel europeia.
Bruxelas recua, mas não trava a eletrificação
Sob forte pressão de Alemanha, Itália e grandes construtores, a Comissão Europeia propôs abandonar a meta de 100% de corte de emissões em 2035 e recuar para uma redução de 90% face a 2021, abrindo espaço à continuação de vendas de alguns modelos com motor de combustão. O plano inclui a possibilidade de manter no mercado híbridos plug‑in, extensores de autonomia e veículos alimentados por combustíveis considerados “CO2‑neutros”, como e‑fuels e alguns biocombustíveis avançados.

Apesar deste “climbdown” político, especialistas citados pela Reuters sublinham que “segurar os motores de combustão não vai salvar os construtores europeus” e que a competição está cada vez mais centrada no elétrico. Um responsável da indústria descreve a mudança de rumo como “uma pausa tática que dá fôlego à transição, mas não altera o destino final: um mercado quase totalmente elétrico”.
O que está em jogo para a Europa
A revisão de Bruxelas é vista como uma vitória para países com forte peso industrial automóvel, em especial a Alemanha, ao permitir uma transição mais gradual e protegendo parte do emprego ligado à cadeia dos motores de combustão. Ao mesmo tempo, ONG ambientais e novos atores focados em veículos elétricos alertam para o risco de a UE “ficar parada enquanto a China avança” na corrida global à mobilidade de zero emissões.
Os próximos anos serão marcados por uma tensão entre a necessidade de proteger capacidades industriais existentes e a urgência de acelerar investimento em plataformas elétricas, baterias e redes de carregamento. A forma como a Europa gerir este equilíbrio poderá definir a relevância global das suas marcas num mercado em rápida transformação.
Portugal acelera na eletrificação
Portugal segue a tendência europeia, mas com um ritmo de eletrificação ainda mais rápido, com novembro a marcar vários recordes históricos nas vendas de veículos elétricos. O mercado nacional consolida‑se como um dos casos mais avançados em quota de elétricos e híbridos nas novas matrículas.
Em novembro de 2025, os carros elétricos representaram já 32,5% das vendas de carros novos em Portugal, muito acima da média anual, em que 22,9% dos ligeiros de passageiros matriculados eram 100% elétricos. No total do mês, foram matriculados 16.459 automóveis ligeiros de passageiros novos, mais 0,4% do que em novembro de 2024, com quase sete em cada dez já movidos a energias alternativas (elétricos e híbridos).
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Segundo dados da ACAP, no acumulado de janeiro a novembro de 2025, 69,3% dos ligeiros de passageiros novos vendidos no país foram eletrificados, confirmando que a maioria do mercado português já não depende exclusivamente de gasolina ou gasóleo. Em linha com esta tendência, a associação destaca que o mercado automóvel nacional cresceu 6,6% até novembro, apoiado sobretudo na subida das vendas de híbridos e elétricos.
Elétricos ultrapassam combustão
A UVE sublinha que “novembro fica para a história da mobilidade elétrica” por ser o primeiro mês em que carros elétricos a bateria e híbridos plug‑in representaram mais de metade dos ligeiros de passageiros novos matriculados em Portugal, alcançando 51,08% de quota. Pelo terceiro mês consecutivo, os 100% elétricos ultrapassaram os veículos a combustão, com 5.341 ligeiros de passageiros BEV contra 3.358 modelos apenas a gasolina ou gasóleo.

No conjunto de todas as categorias e incluindo usados importados, o país somou 8.613 veículos 100% elétricos matriculados em novembro, dos quais 6.023 eram novos, todos valores recorde para o mercado nacional. Entre janeiro e novembro, as vendas de BEV atingiram 74.886 unidades (novos e importados), um aumento de 39,55% face ao período homólogo de 2024.
Marcas: Tesla lidera no ano, BYD domina novembro
No segmento 100% elétrico, o pódio em Portugal mostra um mercado em mutação: em novembro, a BYD liderou com 645 unidades, seguida da Renault (508) e da Peugeot (471). No acumulado do ano, a liderança permanece da Tesla, com 6.378 carros elétricos matriculados, embora com uma quebra de 23,9% face a 2024, seguida da BYD (4.477) e da BMW (4.226).
Este reposicionamento confirma no terreno português a mesma pressão competitiva que se sente à escala europeia, com marcas chinesas a ganhar rapidamente espaço em segmentos onde a Tesla e os construtores tradicionais pareciam intocáveis. Também nos veículos pesados se nota a viragem: as matrículas de pesados elétricos cresceram 850% em novembro e 86,4% no acumulado até novembro, indicando que a eletrificação está a chegar ao transporte profissional, nomeadamente de passageiros.
Portugal no contexto europeu
De janeiro a novembro, as vendas de híbridos e elétricos em Portugal cresceram 32,1%, para 124.215 unidades, reforçando que o país acompanha, e em alguns indicadores ultrapassa, o ritmo de transição observado no mercado europeu. Em setembro, a ACAP já assinalava que 66,7% dos ligeiros de passageiros matriculados desde o início do ano eram movidos a energias alternativas, com os carros elétricos a valerem cerca de um quinto das novas matrículas.
Num momento em que Bruxelas abranda as metas para 2035, Portugal posiciona‑se como um laboratório de transição acelerada, conjugando forte adoção de elétricos, penetração rápida de novas marcas e uma base de utilizadores cada vez mais sensível ao custo total de utilização e à mobilidade de baixo carbono




