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A razão pela qual o seu próximo carro vai ser elétrico

Os carros elétricos estão cada vez mais baratos, têm mais autonomia e a rede de carregamento continua a crescer.

Na minha página sobre mobilidade elétrica no Facebook surgem frequentemente comentários de pessoas que, pura e simplesmente, dizem que “jamais” irão comprar um carro elétrico, uma convicção assente sobretudo em razões emocionais e outras que essas pessoas pensam que são racionais, mas não são.

Já lá vai o tempo em que me dava ao trabalho de interagir com essas pessoas, mas faço-o cada vez menos. A principal razão é que, apesar da minha página ser aberta a todos, sou eu que mando nela e se vejo posts que se limitam a repetir os habituais tópicos de desinformação anti-EV, simplesmente apago-os. Outras vezes deixo ficar, se vejo que a comunidade de utilizadores de EVs da página interage com esse post de forma produtiva.

Mas a verdade é esta: há-de ser ínfima a percentagem de pessoas que vai aprender por ali algo de novo, porque essa não é a sua intenção. São pessoas (e, alguma vezes, bots) que vão ali para desconversar e “explicar” aos proprietários de EVs “porque é que vocês estão errados”.

Uma opinião assimétrica

Acontece, como por vezes me dou ao trabalho de comentar, que a opinião de quem não tem um EV não é igualmente válida face à de quem tem.

Explico melhor. Uma coisa é alguém dizer que, dado o seu cenário de utilização, ter um EV não faz sentido. Ou, pelo menos, não faz ainda sentido. Isso são pessoas com quem consigo manter uma conversa, até porque sou o primeiro a concordar com elas. Efetivamente, apesar da tecnologia ter evoluído a todos os níveis nos últimos 15 anos, há ainda (alguns, poucos) cenários em que a oferta de veículos elétricos não serve para determinados perfis de utilização.

Mas, como disse, essa é uma discussão rara de passar pela página MobilidadeEV. Mais comum (na minha e noutros canais de entusiastas de EVs, seja no Facebook ou no YouTube) é a “declaração de princípios” de pessoas que nunca conduziram um EV na vida, mas acham que sabem mais de EVs do que quem os conduz.

Ora o que se passa neste caso é uma total assimetria da experiência e, como tal, da relevância da opinião. É que estas pessoas esquecem que 99% das pessoas que conduzem um EV já tiveram (e, em muitos casos ainda têm) um veículo a combustão. Ou seja, têm a experiência de ambos os tipos de carros e, mais importante ainda, são capazes de os comparar. O que não acontece com a “brigada da combustão”, cujas opiniões são baseadas em sentimentos e não em factos.

Quem tem um EV não quer outra coisa

Isto ficou especialmente aparente num estudo recente que encontrei de uma consultora norte-americana sobre o setor automóvel e que descobriu um facto admirável: a famosa “ansiedade da autonomia” é maior entre quem não possui um EV do que entre os condutores de veículos elétricos!

A diferença é abissal: essa ansiedade é sentida por quase metade (48%) de que não tem um EV, mas desce para apenas 22% entre os condutores de um veículo elétrico.

De resto, esta é uma estatística que o mesmo artigo reforça ao concluir que a autonomia “não usada” dos carros elétricos (ou seja, a diferença entre a autonomia do veículo e os quilómetros percorridos diariamente em média) oscila entre os 80% e os 92%, mantendo-se bastante constante independentemente da autonomia do veículo (que no caso do estudo incluía carros com autonomia de 100, 200, 300 e 400 milhas).

Outra estatística já por diversas vezes referida em inúmeros estudos, e que deveria fazer pensar os mais empedernidos “anti-EV”, é a que dá conta que apenas uma pequena percentagem dos condutores de carros elétricos (entre 1% e 8%, consoante os estudos) tenciona voltar a ter um veículo a combustão.

Afinal, se são assim tão maus, as estatísticas deveriam mostrar exatamente o contrário.

O futuro é elétrico

O que nos traz ao título deste artigo. Sim, o seu próximo carro vai ser elétrico. Os EVs estão cada vez mais baratos, têm mais autonomia (na última década, a autonomia média dos EVs triplicou) e, enquanto isto, a rede de carregamento continua a crescer. E, em 2035, provavelmente nem sequer poderão comprar um carro a combustão novo (mas isso fica para outro artigo).

Há outras razões. Estas passam pelo facto de que muitas empresas, devido aos benefícios fiscais, optam por veículos elétricos como parte do pacote remuneratório para os seus quadros… quer eles queiram ou não. E entre essas pessoas encontram-se muitas que não iriam contemplar a ideia de comprar um EV e descobrem que, afinal, o carro é bem melhor do que pensavam.

Na passada semana, recebi uma visita no meu escritório de alguém que chegou num Kia EV3. À saída perguntei-lhe se estava a gostar do carro. Ao homem só faltou tentar vender-me um! Estava perfeitamente rendido ao carro (que, lá está, recebeu através da empresa para a qual trabalha), mas reconheceu que “antes, até era anti-EV e dizia que nunca iria comprar um”.

A todos os “haters” que por aí andam, só vos peço uma coisa: falem com familiares, amigos e conhecidos sobre a sua experiência com um EV e como comparam com os carros a combustão que tinham e ainda têm. Depois, visitem um stand e peçam um test drive. No final, podem vir aqui a esta página e deixar-me um comentário a agradecer.

Não têm de quê.

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Infografia gerada por IA

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