A BYD planeia abrir 2.000 lojas na Europa até ao final do próximo ano, e assim duplicar a rede de vendas no continente.
Neste artigo:
BYD abre 2.000 pontos de venda
A maior fabricante automóvel da China tem planos para expandir consideravelmente a sua presença no mercado europeu. A BYD pretende duplicar a sua rede de vendas até ao final de 2026. A estratégia consiste em abrir 2.000 pontos de venda em todo o continente.
O anúncio foi feito durante um evento em Frankfurt, na Alemanha, por Maria Grazia Davino, que é a diretora regional para a Europa da BYD e supervisiona os mercados de língua alemã, Europa de Leste e Escandinávia.
“Até ao final de 2025, estaremos presentes com 1.000 pontos de venda na Europa e, no próximo ano, vamos duplicar esse número”
Maria Grazia Davino, diretora regional para a Europa da BYD
Estratégia de aproximação ao consumidor europeu
A ampliação da rede de lojas é parte de uma estratégia mais abrangente de “localização” que a marca chinesa está a implementar no Velho Continente. “Em linha com os concorrentes bem-sucedidos, precisamos de ter proximidade e conquistar a proximidade dos clientes europeus”, disse Davino, enfatizando a necessidade de se aproximar mais dos consumidores.

A BYD está atualmente em 29 mercados europeus, mas planeia aumentar essa presença de forma significativa nos próximos dois anos. A estratégia não se resume à criação de concessionários: prevê a produção local em, pelo menos, três fábricas no continente.
Produção europeia para evitar taxas
O plano de localização industrial é a resposta estratégica às tarifas anti-subsídios que a União Europeia impôs aos veículos elétricos feitos na China. A primeira fábrica da BYD na Europa, que ficará na Hungria, deverá começar a funcionar até ao final de 2025. Uma segunda unidade na Turquia, que exigirá um investimento de mil milhões de dólares e terá a capacidade de produzir 150.000 veículos por ano, está prevista para ser inaugurada no final de 2026.
Ao passar a produzir localmente, a BYD deixa de ser apenas uma exportadora chinesa para se tornar também uma fabricante europeia, o que gera empregos e a insere nas cadeias de fornecimento da região, uma estratégia que tornaria politicamente mais complicado a imposição de tarifas futuras.
Aumento vertiginoso nas vendas
A BYD viu as suas vendas na Europa mais do que triplicarem nos primeiros nove meses de 2025, totalizando 80.807 veículos. É este crescimento impressionante que está a financiar a rápida expansão da infraestrutura na Europa.
“Encontrar o seu espaço numa região tão madura como a Europa é um projeto muito importante. É preciso conhecimento, trabalho, investimento, recursos a todos os níveis”, admitiu Davino, ciente das dificuldades de entrar num mercado consolidado.
Resposta ao rival convencional
Enquanto as montadoras europeias tradicionais como Volkswagen e Stellantis estão a adiar as suas metas de eletrificação e a cortar a produção, a BYD está a investir fortemente. A marca chinesa está a utilizar os seus lucros substanciais para financiar uma expansão a uma escala que será dificilmente igualada pelos seus concorrentes.
A proposta europeia da BYD implica uma alteração geopolítica relevante na indústria automóvel: de mera exportadora chinesa a potência industrial com integração total no seio europeu, produção local, milhares de empregos e uma rede comercial à altura dos gigantes consolidados.
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Com a procura por veículos elétricos na União Europeia a aumentar 18% em 2024, totalizando 2,3 milhões de unidades, e a crescer ainda mais em 2025, a BYD está a preparar-se para conquistar uma parte crescente desse mercado em expansão, desafiando diretamente o controlo histórico dos fabricantes europeus no seu próprio território.



