Em 2025, a BYD exportou mais de um milhão de veículos pela primeira vez. Em 2026, a gestão diz a analistas que consegue 1,5 milhões.
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Os resultados de 2025
O lucro líquido anual caiu para 32,6 mil milhões de yuans, cerca de 4,7 mil milhões de dólares. Em 2024 eram 40,3 mil milhões. A queda de 19% foi a primeira desde 2021.
As receitas cresceram 3,5% para 804 mil milhões de yuans. O ritmo mais lento em seis anos. A margem bruta desceu de 19,44% para 17,74%.
No quarto trimestre, as vendas domésticas caíram 29%. O lucro trimestral afundou 38%, para 9,3 mil milhões de yuans, ficando abaixo das estimativas dos analistas. A Geely ultrapassou a BYD em volume global nos dois primeiros meses de 2026. Wang Chuanfu, presidente da BYD, chamou ao que se passa na China uma “fase brutal de eliminação”.
Exportações: o único motor a funcionar
A 30 de março, horas depois de publicar os resultados, a BYD reuniu com analistas. Segundo fontes citadas pela Bloomberg que preferiram não ser identificadas, a gestão disse estar confiante em atingir 1,5 milhões de exportações este ano. A meta pública divulgada em janeiro era de 1,3 milhões. Não houve confirmação oficial.

Em 2025, a fabricante vendeu 1.046.083 veículos fora da China, um crescimento de 151% face a 2024. Em fevereiro de 2026, as vendas internacionais superaram as domésticas pelo primeiro mês de que há registo. Nos primeiros dois meses do ano, os envios para o exterior cresceram mais de 50%, para 201.082 unidades. As vendas domésticas caíram 58%.
A Citigroup estima que os resultados do segmento de automóveis na China fiquem no vermelho no primeiro trimestre de 2026. O lucro por veículo exportado chega a 20.000 yuans, segundo analistas. No mercado doméstico são cerca de 5.000 yuans.
Europa, Ásia e Américas com peso idêntico
Em 2025, cada uma destas três regiões representou aproximadamente um terço das exportações totais da marca. Europa, América do Norte e Latina, e Sudeste Asiático.
No primeiro semestre de 2025, a BYD liderou as vendas de veículos de nova energia em Espanha, Itália, Tailândia, Indonésia e Brasil, segundo dados citados por Li Yunfei, responsável de marca e relações públicas da empresa.

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Na Europa, as importações de BYD estão sujeitas a uma tarifa de 17% anti-subsídio mais 10% de base. A Hungria resolve parte desse problema: a fábrica local deverá entrar em produção em série ainda em abril de 2026. Há instalações a construir também no Brasil, Turquia e Indonésia. A empresa avaliou ainda a aquisição de uma fábrica encerrada da Nissan-Mercedes no México.
Nos EUA, as tarifas sobre EV fabricados na China estão nos 100%. A BYD não opera no mercado americano. No Canadá, onde as taxas foram recentemente reduzidas para um contingente fixo de unidades, a empresa estuda entrar na rede de concessionários.
Flash Charging e bateria de segunda geração
A segunda geração da Blade Battery foi lançada em março de 2026. Segundo testes independentes da Yiche.com, a bateria cumpre os valores anunciados pela BYD: carregamento dos 10% aos 97% em nove minutos.

A opinião de António Eduardo Marques
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A rede de carregamento Flash Charging sai da China ainda este ano. A BYD anunciou implantação internacional até ao final de 2026. Em Portugal, a chegada foi confirmada pelo COO da BYD Portugal no arranque do ano.
Os analistas da Citigroup em novembro de 2025 já indicavam que as projeções internas da empresa apontavam para 1,5 a 1,6 milhões de exportações, número acima do que foi divulgado publicamente em janeiro. A meta de 1,3 milhões era, pelo menos para os analistas mais próximos da empresa, conservadora desde o início.


