elétricos europa. dezenas de carros elétricos num estacionamento de frota. mupi com o número 217.900. imagem gerada por IA elétricos europa. dezenas de carros elétricos num estacionamento de frota. mupi com o número 217.900. imagem gerada por IA

Carros elétricos ultrapassam gasolina na Europa em dezembro

Foram matriculados 217.900 carros elétricos na Europa em dezembro.

As vendas de carros 100% elétricos ultrapassaram, pela primeira vez, os modelos a gasolina na União Europeia em dezembro de 2025. No último mês do ano, foram registados 217.900 na Europa.

Ouve o resumo do artigo:

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BEV são 22,6% dos novos registos

Segundo dados da ACEA, os elétricos a bateria (BEV) representaram 22,6% dos novos registos no bloco.

As matrículas de BEV foram apenas ligeiramente acima dos 22,5% dos automóveis a gasolina, mas são um sinal de que a transição elétrica está a consolidar‑se no maior mercado automóvel europeu.

Elétricos assumem a frente em dezembro

Em dezembro, as matrículas de carros 100% elétricos na UE cresceram 51% face ao mesmo mês de 2024, atingindo 217.900 unidades, ligeiramente acima das 216.500 registadas pelos modelos a gasolina.

elétricos europa. dezenas de carros elétricos num estacionamento de frota. mupi com o número 217.900. imagem gerada por IA
Foram vendidos 217.900 carros elétricos na europa em dezembro de 2025 | imagem gerada por IA

No mesmo período, a venda de carros a gasolina recuou cerca de 19%, contribuindo para que a quota combinada de gasolina e gasóleo caísse para 35,5% no total de 2025, face a 45,2% no ano anterior.

Cada vez menos rotulados como “apenas gasolina”

As vendas de ligeiros na UE aumentaram 1,8%, em 2025, para 10,8 milhões de unidades, com dezembro a assinalar o sexto mês consecutivo de crescimento. Só no mês de dezembro, foi registada na Europa uma subida mensal de 5,8% que levou o mercado a quase um milhão de matrículas.

Infografia gerada por IA

Em declarações à Reuters, o analista independente de mobilidade Matthias Schmidt sublinha: “Veremos cada vez menos carros rotulados como ‘apenas gasolina’, porque muitos são contabilizados como ‘mild hybrid’, mesmo que contribuam pouco para reduzir emissões.”

BEV ganha peso na Europa

Em 2025, a percentagem de BEV registados na Europa subiu de 13,6% para 17,4% do total de novos registos na UE, o que representa a percentagem mais elevada de sempre.

Repartição de motorização na UE em 2025 (novos registos)
Tipo de motorizaçãoQuota 2025Quota 2024Unidades 2025 (UE)
BEV — 100% elétrico a bateria17,4%13,6%≈ 1.880.000
HEV — híbrido não plug‑in34,5%≈ 30,9%≈ 3.730.000
PHEV — híbrido plug‑in9,4%7,2%≈ 1.015.000
Gasolina26,6%33,3%≈ 2.880.000
Gasóleo (diesel)8,9%11,9%≈ 960.000
Outros (GLP, GNV, etc.)≈ 3,2%≈ 3,0%≈ 350.000

Os híbridos não plug‑in (HEV) continuam a ser a principal escolha dos consumidores, com 34,5% dos novos registos, enquanto os plug‑in (PHEV) alcançaram 9,4%. Em mercados como Alemanha, Itália e Espanha, a venda de PHEV cresceu na ordem dos dois dígitos.

​Eletrificados são 67% do total

Somados, BEV, PHEV e híbridos não plug‑in representaram 67% dos novos carros matriculados em dezembro. Foi um crescimento de quase 10% face a 2024, ano em que totalizavam 57,8% do total dos registos.

Em declarações à Reuters, Chris Heron, porta‑voz da plataforma E‑Mobility Europe, destaca que “o facto de os elétricos estarem agora a ultrapassar os modelos a gasolina indica que a transição está a progredir”.

“Novos incentivos e uma maior oferta de modelos produzidos na UE em 2026 vão reforçar este movimento. O mercado europeu não precisa de mais afrouxamento regulatório; precisa de estabilidade e previsibilidade”, acrescentou.

Tesla perde fôlego, BYD dispara, grupos europeus respondem

O crescimento da venda de carros elétricos na Europa está a ser acompanhado por um reposicionamento rápido entre fabricantes, com a pressão da China a ganhar expressão nas estatísticas.

BYD 13 milhões

Segundo os dados da ACEA para a Europa alargada (UE, Reino Unido e EFTA), as matrículas da Tesla caíram 20,2% em dezembro, enquanto a chinesa BYD avançou 229,7%.

Relativamente aos grupos europeus, a Volkswagen continua com indicadores positivos. Em dezembro, a VW e a Stellantis registaram subidas de 10,2% e 4,5%, respetivamente, enquanto a Renault recuou 2,2%.

Matthias Schmidt, analista de mercado ouvido pela agência Reuters, nota que “a Tesla está a perder quota para concorrentes chineses como a BYD e para grupos tradicionais como a Volkswagen”, num contexto de “maior diversidade de oferta elétrica e forte pressão sobre preços”.

Bruxelas abranda metas

O avanço dos BEV coincide com um recuo de Bruxelas, na proibição total dos novos carros de combustão a partir de 2035, permitindo uma quota de 10% de veículos a combustão.

A Comissão Europeia respondeu assim ao lobby de construtores europeus, que estão sob pressão de custos, concorrência chinesa e incerteza em torno da rentabilidade dos elétricos.

Eletrificação volvo. imagem gerada por ia

Opinião de Domingos Silva, Managing Director Volvo Car Portugal

A eletrificação está a fazer o seu caminho

Em comunicado conjunto anteriormente enviado à imprensa, várias associações do setor de mobilidade elétrica defenderam que a estabilidade regulatória é essencial para manter o investimento na transição. Na mesma linha, Heron afirmou à agência de notícias que “a Europa não precisa de recuar nas metas. Precisa de garantir que estas são consistentes e acompanhadas de políticas que apoiem a adoção dos elétricos e a produção local.”

Infraestruturas, preços e geografia da adoção

O novo marco alcançado pelos BEV coloca o foco em três frentes: preço, infraestrutura e geografia da adoção. O reposicionamento de preços e a chegada de carros mais baratos tornam os elétricos mais competitivos face a gasolina e híbridos.

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Em paralelo, a distribuição da adoção continua muito desigual entre Estados‑membro. Dados compilados por analistas e citados em vários meios europeus mostram um núcleo de mercados maduros, como Alemanha, França, Países Baixos, Bélgica ou Portugal, a concentrar uma fatia desproporcional dos novos BEV face ao resto da UE.

Em declarações ao The Telegraph, Matthias Schmidt projeta que “ainda vai demorar cerca de meia década até que os 100% elétricos ultrapassem de forma sustentável os modelos de combustão em toda a região” da Europa, alertando que esse ritmo “só será sustentável com investimento consistente em carregamento público, redes de média e longa distância e maior confiança do consumidor em autonomia e valor de revenda”.

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