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China dita o fim dos puxadores embutidos elétricos

O governo chinês proíbe os puxadores embutidos elétricos a partir de janeiro do próximo ano.

É o fim do puxadores embutidos elétricos. A China promulgou uma norma que torna obrigatória a existência de um sistema mecânico de abertura de portas.

Ouve o resumo do artigo:

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O fim dos puxadores embutidos

A nova norma agora publicada estabelece que a porta tem de poder ser aberta mesmo que a alimentação elétrica falhe ou o sistema eletrónico deixe de responder.

Um puxador embutido
Os puxadores embutidos elétricos têm os dias contados @DR

O puxador terá de suportar, sem se partir, uma força de 500N aplicada do exterior. A prioridade deixa de ser apenas o design ou a aerodinâmica: a exigência passa a ser garantir abertura rápida em contexto de acidente.

Puxadores sempre com ligação mecânica

Os puxadores embutidos e eletrificados, comuns em muitos elétricos, são visados pela nova norma obrigatória que entra em vigor na China a 1 de janeiro de 2027.

Estes sistemas dependem muitas vezes de motores, sensores e mecanismos retráteis que podem deixar de funcionar após uma colisão ou corte de corrente.

A nova regra não proíbe o design retrátil, mas obriga a incorporar sempre uma ligação mecânica direta ao trinco. Esta nova obrigação implica redesenhar ferragens internas, pontos de ancoragem e cablagens.

Manípulos interiores sempre mecânicos e fáceis de encontrar

A nova norma não se limita aos puxadores embutidos. Também a abertura da porta a partir do interior foi tida em conta. Assim, cada porta passa a ter, obrigatoriamente, pelo menos um comando de abertura mecânico no interior, capaz de a abrir de forma independente.

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puxadores embutidos

Não pode haver “atalhos” através da eletrónica ou de comandos partilhados: se é um manípulo interior, tem de conseguir, sozinho, destrancar e abrir a porta.

Instruções muito concretas

Esta norma acaba com a margem para soluções pouco intuitivas. Diz a nova regulamentação que o manípulo obrigatório tem de estar dentro de uma zona bem definida, visível a partir do lugar do ocupante, sem ser escondido por forros, apoios de braço ou outros elementos.

Tem ainda de ficar a menos de 300 mm da aresta da porta e alinhado verticalmente com o ponto de referência do banco. Em termos práticos, o objetivo é simples: o passageiro olha para o lado e encontra o comando onde espera que ele esteja.

Símbolos grandes, claros e permanentes

A regulamentação descreve ainda a forma como o comando é identificado. Junto ao manípulo interior de abertura da porta passa a ser obrigatória a presença de um símbolo gráfico permanente, sem obstruções, com pelo menos 100 mm × 70 mm e forte contraste em relação ao fundo. Ao lado, têm de existir instruções de operação, que podem ser em formato pictográfico, com altura mínima de 6 mm.

A intenção do regulador é simples: Mesmo com o carro cheio de fumo ou após um embate, um passageiro que nunca entrou naquele modelo tem de conseguir perceber rapidamente onde está o manípulo e como abrir a porta.

Testes de resistência

De acordo com a imprensa chinesa, a nova regulamentação impõe também que os comandos interiores passem a ser sujeitos a testes de resistência específicos. A partir de 1 de janeiro de 2027, os manípulos de rotação têm de suportar pelo menos 300 N de força sem qualquer falha estrutural, enquanto que os comandos do tipo botão, que concentram a força num ponto mais pequeno, têm um patamar ainda mais exigente: 500 N.

Após os crash tests, todos os comandos têm de continuar a abrir a porta. Não basta resistir ao impacto; o mecanismo tem de permanecer funcional.

Uma mudança que implica muito trabalho

A mudança imposta pelo novo regulamento implica muito trabalho, uma vez que mesmo os automóveis que já estão homologados são obrigados a cumprir a nova norma.

um BYD Seal com puxadores embutidos
Mesmo os carros já homologados terão de alterar os puxadores embutidos “BYD

E para o fazer, os construtores têm de ajustar portas, estruturas e interfaces de abertura, e depois validar a solução em crash‑tests.

China define padrões de segurança

A norma sobre os fechos das portas reforça o papel da China como referência regulatória na era dos veículos elétricos. Ao impor uma fasquia concreta, o governo chinês condiciona desde já o desenvolvimento de novas gerações de modelos.

Esta norma recentra o foco num ponto fundamental: em situação de emergência, alguém tem de conseguir abrir a porta com a mão, sem truques, sem eletrónica e sem perder tempo.

Calendário com datas fechadas

A aplicação destas regras é faseada, mas com prazos bem definidos. Os veículos que pedirem nova homologação passam a ter de cumprir a maior parte dos requisitos já a partir de 1 de julho de 2025. Treze meses depois, todos os pontos da norma passam a ser obrigatórios para qualquer nova aprovação de tipo.

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Para os modelos que já estão homologados, o regulador concede um período de transição de 25 meses. A partir de 1 de julho de 2027, todos terão de cumprir integralmente as novas exigências para os manípulos interiores. Caso contrário, deixam de poder manter a homologação tal como está hoje, o que obriga construtores e fornecedores a agir já ao nível de engenharia, testes e cadeia de produção.

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