Quando fores carregar o teu carro, tem em atenção às regras de boa utilização. Há uma etiqueta de carregamento não escrita, mas que todos devemos cumprir.
Ouve o resumo do artigo:
Áudio gerado por IA
Neste artigo:
Rede pública é de todos
Ocupar um rápido durante horas com um carro que carrega a 7,4 kW. Deixar o cabo preso ao posto depois de carregar ou estacionar à frente do acesso a outro utilizador. São comportamentos que se repetem na rede pública, muitas vezes sem má intenção.
A questão é que a rede pública de carregamento cresceu, mas também o número de carros elétricos na estrada e o número de utilizadores. Os postos são mais disputados, e há regras não escritas para que todos possam fazer o carregamento tranquilamente.
A rede pública MOBI.E distingue entre postos lentos e médios, até 22 kW em corrente alternada, e postos rápidos e ultrarrápidos, a partir daí. A distinção não é técnica apenas. É também de uso.
O intervalo entre 20% e 80% de carregamento
À um procedimento que, além de ser o mais correto, é também o melhor para a carteira. Nos postos públicos, não se deve ultrapassar os 80% de carga.
Um Volkswagen ID.3, por exemplo, carrega de 10% a 80% em cerca de 30 minutos num posto rápido. Os últimos 20% podem demorar mais 20 a 30 minutos adicionais. O tempo investido nesse troço final pode-lhe ficar muito caro.

Infografia gerada por IA
A UVE recomenda não carregar sistematicamente até 100%, tanto pela saúde da carteira como pela rotação do posto. Oitenta por cento é o valor de referência para uso quotidiano na maioria dos fabricantes. Chegar a esse ponto e ir embora é também o comportamento que permite a outro utilizador entrar a seguir.
A app miio, tal como as aplicações dos principais operadores da rede MOBI.E, envia notificação quando o carregamento termina. Configurar as notíficações leva trinta segundos. Não configurar, significa que o carro fica preso ao posto até o dono se lembrar. E os outros à espera…
Conhecer as especificações do carro
Os postos rápidos e ultrarrápidos foram dimensionados para viagem, não para residência. Chegar a um posto com o estado de carga abaixo dos 20% e sair aos 80% é a forma de extrair o máximo da infraestrutura disponível. Ocupar um rápido de 150 kW durante duas horas para completar os últimos 20% é considerado má educação e muito prejudicial para o próprio condutor.
Já conheces?
A potência máxima do posto não é necessariamente a potência que o carro aceita. Usar um posto de alta potência com um veículo que não consegue aceitar essa carga não acelera o carregamento, e impede quem precisaria do posto para continuar viagem. Conhecer a capacidade do próprio carro é condição mínima para usar a rede de forma responsável.
Dois cabos no mesmo terminal
Muitos postos têm duas saídas no mesmo módulo. Estacionar torto ou demasiado perto de um dos lados bloqueia o acesso ao segundo cabo. A outra tomada fica inutilizável para quem chega a seguir, mesmo que o posto esteja tecnicamente livre.

Estacionar dentro das marcas e ligar apenas ao cabo necessário resolve o problema. A disposição física de alguns postos complica este passo, sobretudo em parques de estacionamento com espaços apertados. O princípio mantém-se: usar o espaço mínimo necessário e deixar o restante acessível.
Em alguns países, os condutores de carros elétricos costumam deixar uma nota no tablier com informação sobre quanto tempo planeiam carregar. Em Portugal a prática ainda não pegou, mas nos postos mais concorridos, podia ajudar.
ICEing e filas informais
Há um termo consolidado nas comunidades EV internacionais para descrever um problema que também existe em Portugal: o “ICEing”. Estacionar num lugar de carregamento sem estar a carregar, seja o veículo elétrico ou a combustão, bloqueia a infraestrutura para quem dela necessita.
Em muitos países europeus, existe a prática de estabelecer filas informais nos postos mais concorridos, sobretudo em áreas de serviço nas autoestradas.
Comunicar com os condutores à espera, perceber quem chegou primeiro e respeitar essa ordem é comportamento corrente nos mercados com maior maturidade de adoção.
A GRIDSERVE, operador britânico com dados de utilização da sua própria rede, pede aos condutores que não bloqueiem os lugares quando não estão a carregar e que não prolonguem as sessões além do necessário.
Não cumprir etiqueta de carregamento pode dar multa
Ocupar um lugar de carregamento sem sessão ativa já resulta em multa, independentemente de o carro ser elétrico ou a gasolina.
A bateria cheia e o cabo ainda encaixado não equivalem a carregamento em curso para efeitos de fiscalização. Algumas redes europeias, como a IONITY e a Fastned, já implementaram taxas de inatividade para desencorajar os condutores de deixarem os veículos ligados após o fim da sessão.






