A Stellantis está em negociações avançadas com a Leapmotor para desenvolver um SUV elétrico com a marca Opel, fabricado em Saragoça, Espanha. A informação foi avançada pela Reuters com base em três fontes próximas do processo.
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O projeto O3U e o que está em discussão
O projeto tem nome de código interno: O3U. As negociações entre a Stellantis e a Leapmotor arrancaram no final de 2025 e um acordo poderá ser fechado ainda este mês de abril, segundo uma das fontes citadas pela Reuters.
Nos termos que estão a ser discutidos, a Leapmotor forneceria as tecnologias e componentes principais, incluindo peças elétricas e eletrónicas, enquanto a Opel ficaria responsável pelo design exterior. Uma parte significativa do desenvolvimento do veículo teria lugar na China.
A Stellantis confirmou à Reuters que existe “contacto regular” com a Leapmotor sobre formas de expandir a colaboração, mas recusou comentar os detalhes. A Leapmotor afirmou estar em negociações com parceiros, incluindo a Stellantis, mas apenas sobre o fornecimento de componentes de produção própria, negando qualquer plano de colaboração ao nível da plataforma.
O Mokka B como ponto de partida
Uma das fontes avançou que a Stellantis tem estudado a utilização de tecnologias elétricas da Leapmotor para desenvolver a próxima geração do Opel Mokka B, com a produção do modelo a ser eventualmente transferida de França para Espanha.
Já conheces?
O Mokka é um dos modelos mais relevantes da Opel na Europa. A marca representa cerca de 21% das vendas europeias da Stellantis em 2025, sendo a Alemanha o seu principal mercado individual.
A fábrica de Saragoça já está no centro da estratégia de eletrificação do grupo. O Leapmotor B10 entra em produção nessa unidade no segundo semestre de 2026, juntando-se ao Opel Corsa, ao Peugeot 208 e ao Lancia Ypsilon. Três modelos Leapmotor adicionais deverão iniciar produção europeia na mesma fábrica em 2027.
Porquê a Leapmotor e porquê agora
A lógica industrial por detrás das negociações é clara: a Stellantis precisa de reduzir custos e acelerar o desenvolvimento de modelos elétricos competitivos. O grupo registou uma perda líquida de 22,3 mil milhões de euros em 2025, em grande parte devido a imparidades resultantes do cancelamento de projetos elétricos. O CEO António Filosa atribuiu as perdas ao sobrevalor assumido no ritmo da transição energética.

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A comparação de produto é reveladora: o Leapmotor B10 combina uma bateria LFP de 67,1 kWh, câmara de 360 graus e bancos dianteiros com aquecimento e ventilação por cerca de 33.000 euros. O Opel Frontera Electric, de dimensão equivalente, parte dos 27.500 euros, mas com uma bateria de 44 kWh, menor autonomia e tempos de carregamento mais longos. A versão Extended, com bateria de 54 kWh, arranca nos 31.190 euros, sem acesso a opções como bancos refrigerados.
A vantagem tecnológica da Leapmotor é, portanto, acompanhada por uma vantagem de preço. Para a Stellantis, utilizar essa plataforma nos seus próprios modelos seria um atalho tanto ao nível do desenvolvimento como da competitividade de mercado.
Alfa Romeo também na equação
O alcance das conversações vai além da Opel. A Stellantis iniciou também negociações preliminares com a Leapmotor sobre o potencial desenvolvimento de um modelo Alfa Romeo com a mesma arquitetura, igualmente na fábrica de Saragoça, para otimizar a capacidade da unidade.
As negociações incluem ainda modelos adicionais desenvolvidos sobre a arquitetura Leapmotor para carros de segmento A, o que exigiria uma linha de produção diferente da utilizada em Saragoça.
O cenário que se desenha é o de uma integração progressiva da tecnologia chinesa nas marcas europeias do grupo, com a Opel como projeto-piloto. O CEO António Filosa apresentará um novo plano de negócios de longo prazo a 21 de maio. A questão que fica em aberto é quanto desse plano já inclui a arquitetura da Leapmotor como base estrutural para a Europa.






