Pormenor da frente do BYD Seal Pormenor da frente do BYD Seal

Que se passa com a BYD? Marca diminui vendas na China

A BYD domina com larga vantagem o mercado dos carros elétricos na China, mas viu as vendas diminuírem.

A BYD tornou-se o símbolo da revolução elétrica na China. Cresceu rápido e muito, parecendo mesmo imparável. Mas algo se está a passar.

Ouve o resumo do artigo:

Áudio gerado por IA

Ritmo de vendas da BYD começa a mudar

A BYD é, de longe, a marca que mais vende no mercado chinês e tem tido um desempenho robusto ano após ano.

“A nossa vantagem tecnológica já não é tão clara.”

Wang Chuanfu, presidente e CEO da BYD

Mas, no final de 2025 o ritmo começou a mudar. As vendas no mercado doméstico perderam fôlego, revelando uma transição que deixa marcas e abre espaço para perguntas difíceis: até onde pode ir a marca que liderou a eletrificação na China?

A quebra sucessiva nas vendas domésticas

Os números mais recentes mostram que o mercado chinês de veículos de nova energia (NEV) está a abrandar na China, e nem a BYD escapou.

BYD Seal azul nas ruas de uma cidade chinesa
As vendas da BYD diminuiram 30% em janeiro na china | imagem gerada por IA

Em janeiro de 2026, as vendas no mercado interno caíram cerca de 30,1% face ao mesmo mês do ano anterior e este é o quinto mês consecutivo em queda desde meados de 2025. No total, a marca vendeu 210 051 veículos globalmente, um número ainda expressivo, mas claramente abaixo do pico registado em janeiro de 2025.

Mercado mais competitivo

O cenário parece demonstrar uma tendência, com o período de crescimento explosivo a dar lugar a uma fase de ajuste.

O mercado chinês tornou-se mais competitivo, com novos protagonistas a ganhar espaço e consumidores mais atentos às mudanças nos incentivos e à incerteza económica.

Infografia gerada por IA

O ano de 2026 vai ser o ano de ajustes no setor automóvel na China, com os analistas a afirmarem que muitas marcas irão ficar para trás.

Uma radiografia das vendas

Eis o retrato dos últimos meses:

  • Novembro de 2025 – relatórios apontam para uma descida significativa nas vendas, sem números oficiais, mas com tendência negativa clara.
  • Dezembro de 2025 – queda de cerca de 18,6% face ao mesmo mês de 2024.
  • Janeiro de 2026 – o declínio atinge os 30,1%, reforçando a pressão competitiva e o impacto das novas políticas domésticas.

Estes números têm de ser lidos em função do contexto chinês, país que viu uma retração do crescimento económico. Além do mais, Beijing diminuiuos incentivos à compra de carros elétricos.

É também por isso que os analistas não veem os números de vendas da BYD como uma oscilação sazonal, mas como um arrefecimento: o maior mercado automóvel está a amadurecer, e isso obriga os fabricantes a repensar estratégias e expectativas.

CEO da BYD: menos vantagem, mais competição

Wang Chuanfu, presidente e CEO da BYD, tem sido transparente sobre os números de vendas da marca e o seu diagnóstico resume-se numa frase: “A nossa vantagem tecnológica já não é tão clara.”

CEO da BYD
Huang Chuanfu já fez o diagnóstico da situação: “a vantagem tecnológica já não é tão clara” @DR

Citado pela imprensa especializada chinesa, Wang reconheceu que “o mercado chinês tornou-se extremamente competitivo, e muitos fabricantes aproximaram-se rapidamente do nosso nível”. Quando a diferença tecnológica se esbate, disse, “o crescimento naturalmente abranda”.

Wang Chuanfu afirmou ainda que a BYD enfrenta três desafios centrais: pressão sobre margens, maior exigência no desenvolvimento de produto e mudança no perfil do consumidor. O foco, defende, deve estar menos no “efeito novidade” e mais na consistência, tanto na experiência de utilização como na qualidade percebida.

Europa: o outro lado da história

Se a BYD vê o número de vendas diminuir na China, a realidade da marca na Europa é bem diferente.

Pormenor da frente do BYD Seal
A BYD vende cada vez mais na Europa | imagem gerada por IA

A BYD tem registado um crescimento notável em 2025 e início de 2026 no mercado europeu.

A marca tem vindo a reforçar a sua presença em países como Alemanha, França e Países Baixos. Em Portugal, mantém-se como uma das principais marcas de automóveis elétricos.

“Enquanto o mercado chinês entra numa fase de consolidação, vemos um enorme potencial de crescimento fora da China, em particular na Europa.”

Wang Chuanfu, presidente e CEO da BYD

Em muitos países europeus, as vendas de modelos como o Dolphin, o Seal e o Atto 3 dispararam, com registos a subir a dois e até três dígitos em termos homólogos.

Segundo Wang Chuanfu, esta dinâmica não é acidental. “Enquanto o mercado chinês entra numa fase de consolidação, vemos um enorme potencial de crescimento fora da China, em particular na Europa.” E, por isso, a BYD aposta forte no mercado europeu, onde luta por chegar ao topo de vendas de carros elétricos.

Um novo ciclo, não um ponto final

O cenário atual da BYD não é de colapso. Os executivos do gigante chinês não carregaram no botão de pânico. Vêem os números como uma transição inevitável num mercado que amadurece.

O crescimento fácil terminou, e o futuro dependerá da capacidade de adaptação do gigante chinês e o diagnóstico está feito.

A marca enfrenta hoje desafios que vão além da engenharia: precisam de visão estratégica, leitura fina das tendências e um maior foco na criação de valor real para o cliente.

A BYD debate-se com uma concorrência que tem evoluído muito tecnologicamente, nomeadamente nos automóveis definidos por software, e tem de se manter a par das tendências do mercado.

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Ao mesmo tempo, a expansão internacional mostra que a BYD continua a ser um dos protagonistas da mobilidade elétrica global .

Há uma questão que fica no ar: estamos a assistir a uma pausa temporária ou ao início de uma nova era competitiva para a BYD? Os próximos trimestres darão a resposta.

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