A Autoridade rodoviária neerlandesa aprovou o sistema Full Self-Driving Supervised (FSD) da Tesla, sendo os Países Baixos o primeiro país europeu a fazê-lo.
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Neste artigo:
FSD: o que a RDW assinou, e o que não assinou
Primeiro, o que não mudou: o condutor continua a ser responsável por tudo.
A RDW disse-o com maiúsculas no comunicado, literalmente: os veículos “NÃO são autónomos nem conduzem sozinhos.” O FSD Supervised trata de muitas tarefas de condução, sim. Mas se algo correr mal, o culpado legal está sentado no banco do condutor.
As mãos podem sair do volante, mas os olhos, não. Os sensores verificam para onde o condutor está a olhar e a distração detetada gera alertas progressivos e, em último caso, o sistema desliga-se. Ao abrigo do UN R-171, a categoria formal é DCAS, Driver Control Assistance System, nível 2 de automação. A Tesla fica obrigada a reportar incidentes à RDW e a entregar relatórios de desempenho pelo menos uma vez por ano.

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Três semanas de atraso
Para chegar ao OK da RWD, a Tesla fez 13.000 viagens com clientes a bordo e 4.500 cenários em circuito. Foi um total de dezoito meses de testes, 1,6 milhões de quilómetros percorridos em estradas europeias e mais de 400 requisitos de conformidade documentados. O processo foi longo e a aprovação estava marcada para 20 de março.
Mas o prazo foi ultrapassado. Em finais de março, a RDW fez algo pouco habitual para uma autoridade regulatória: tomou a iniciativa de contradizer publicamente os comunicados da Tesla, avisando que a revisão ainda não estava concluída. O lançamento acabou por acontecer com três semanas de desfasamento em relação ao que a marca tinha anunciado.
Quem acompanha a Tesla há algum tempo reconhece o padrão.
E no resto da Europa?
A aprovação neerlandesa não se estende automaticamente a mais nenhum mercado. Cada Estado-membro pode reconhecer a aprovação de tipo neerlandesa a nível nacional, processo que não é automático nem garantido. Alemanha, França e Itália surgem como candidatos mais prováveis a fazê-lo, com estimativas a apontar para quatro a oito semanas.
Já conheces?
A harmonização a nível de toda a União Europeia é outro processo, com novos passos regulatórios. A Tesla quer lançar mais amplamente o FSD Supervised no verão de 2026. Portugal não tem data.
Software europeu diferente do americano
Isto é importante e a RDW sublinhou-o: o FSD que vai circular na Holanda “difere substancialmente” da versão que os condutores norte-americanos já conhecem.
“As versões de software e as funcionalidades dos veículos norte-americanos e europeus não são comparáveis de forma direta. A versão do FSD Supervised nos EUA NÃO é comparável à versão do FSD Supervised na UE.”
RDW Rijksdienst voor het Wegverkeer, abril de 2026
Nos EUA, a Tesla pode lançar atualizações de software sem autorização regulatória prévia. Na Europa, não. Qualquer alteração ao sistema terá de voltar ao processo de aprovação. É uma restrição que molda o produto que chega aos condutores europeus, e que a Tesla não costuma destacar nas suas comunicações.
Sistemas mais avançados
No mesmo comunicado em que confirmou a aprovação, a RDW assinalou que já existem sistemas de condução autónoma aprovados mais avançados do que o FSD Supervised.
A BMW já tem autorização equivalente para condução sem mãos em autoestrada com mudanças de faixa. A Ford tem aprovação semelhante para o BlueCruise, ao abrigo do Artigo 39. Contudo, o FSD Supervised da Tesla consegue funcionar em qualquer situação, seja na autoestrada ou na cidade.






