O Full Self-Driving numa simulação de um tesla na estrada. imagem gerada por ia O Full Self-Driving numa simulação de um tesla na estrada. imagem gerada por ia

Tesla: Full Self-Driving passa a serviço por subscrição

O Full Self-driving da Tesla passa a serviço por subscrição no Dia dos Namorados.

A Tesla vai pôr um ponto final na compra “para sempre” do pacote Full Self-Driving (FSD) e passar a tratá-lo apenas como um serviço por subscrição mensal.

Ouve o resumo do artigo:

Áudio gerado por IA

Full Self-Driving por subscrição no Dia dos Namorados

O anúncio foi feito por Elon Musk num post no X. O líder da Tesla anunciou a data para a transição que marca uma mudança de rumo num dos produtos mais polémicos da marca.

A opção de compra única desaparece a 14 de fevereiro, restando aos novos clientes a possibilidade de “alugar” o FSD mês a mês. A Tesla pretende que este seja o começo de uma história de amor de mais clientes com o Full Self-Driving (FSD).

​O fim do sonho do “ativo que se valoriza”

Durante anos, Musk repetiu que o FSD era um “ativo que se valoriza”, prometendo aumentos graduais de preço à medida que o software se aproximasse da condução totalmente autónoma com luz verde dos reguladores.

O pacote de condução autónoma arrancou nos 5.000 dólares, subiu para 10.000, 12.000 e chegou aos 15.000 dólares em 2022 nos Estados Unidos, sempre com a promessa de que, um dia, o carro poderia funcionar como robotáxi e valer “centenas de milhares de dólares”.

Infografia gerada por IA

Em Portugal, o Full Self-Driving é vendido como “capacidade de condução autónoma total” e custa 7.500 euros.

O Full Self-Driving continua classificado como sistema de assistência de nível 2, o que exige supervisão constante do condutor, deixando um fosso evidente entre o marketing e o que o produto efetivamente entrega.

Ao eliminar a compra, a Tesla deixa de vender a promessa de um futuro robotáxi e passa a vender, de forma muito mais clara, aquilo que o software faz naquele mês específico.

​Descontos sucessivos

A mudança de estratégia agora anunciada não surge no vazio: foi preparada por uma sequência de cortes de preço que contrariaram o discurso oficial dos últimos anos.

Em 2023, com as entregas sob pressão e a taxa de adesão ao Full Self-Driving em queda nos Estados Unidos, a Tesla começou a descer o valor do pacote, movimento consolidado em abril de 2024, quando o preço caiu de 12.000 para 8.000 dólares.

Agora, com o fim da compra única, a Tesla assume até ao fim a lógica de serviço: quem quiser FSD, paga enquanto usar, e deixa de lado a ideia de “investimento” a longo prazo.

​Menos riscos nos tribunais, mais fôlego no imediato

A nova estratégia pode também ter uma leitura jurídica. Ao enquadrar o Full Self-Driving como um serviço de condução autónoma de nível 2 prestado mensalmente, a Tesla afasta-se do compromisso implícito de que aquele pagamento representava a compra antecipada de condução sem supervisão.

O Full Self-Driving numa simulação de um tesla na estrada. imagem gerada por ia
O Full Self-Driving é, para já, um sistema de condução autónoma de nível 2 | imagem gerada por IA

Recorde-se que o construtor norte-americano vende o FSD como o sistema que “inclui o Autopilot Aperfeiçoado, além do controlo de semáforos e sinais de stop. Além disso, em futuras atualizações, o seu veículo será capaz de se conduzir de forma autónoma em praticamente qualquer local com intervenção mínima do condutor”

Com a subscrição, a marca norte-americana reduz margem para novas queixas de clientes que se sintam enganados pela narrativa do robotáxi. A marca continua, no entanto, exposta a eventuais disputas de quem já pagou milhares de dólares pelo pacote completo com base nessas promessas.

Boom ou travão nas vendas?

​Há ainda o calendário financeiro. Ao anunciar o dia 14 de fevereiro como a data-limite para a compra única, a marca cria um sentido de urgência entre os proprietários que planeiam manter o carro vários anos e que pretendem comprar o FSD antes que passe a ser apenas acessível por subscrição.

Em sentido contrário, o anúncio poderá levar a um abrandamento significativo da venda do Full Self-Driving, com os clientes e evitar um investimento avultado e a esperar pela subscrição.

Até 14 de Fevereiro saberemos a resposta a esta questão.

Qual será o valor da subscrição?

Ainda não se conhece o valor da subscrição do Full Self-Driving. A Tesla pode optar por um valor acessível, transformando o serviço num fluxo recorrente de receita.

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O construtor norte-americano pode decidir alinhar o preço com aquilo que o FSD realmente é hoje: um assistente de condução poderoso, mas longe, muito longe, da autonomia total que foi prometida, e aumentar o preço na mesma medida em que os Full Self-Driving for evoluindo para a promessa original.

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