Todos os novos carros homologados na China terão de voltar a ter botões físicos dedicados para as principais funções de segurança e condução a partir de 1 de junho deste ano.
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O regulador chinês quer reduzir a dependência dos ecrãs centrais táteis que se tornaram imagem de marca de muitos veículos elétricos chineses.
Neste artigo:
Botões físicos em nome da segurança
O Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação (MIIT) está a ultimar uma revisão profunda da norma nacional GB4094, que passará a exigir botões, manípulos ou comutadores físicos para funções essenciais.
A norma obrigará a que funções como piscas, luzes de aviso, buzina, limpa‑para‑brisas, desembaciador, vidros elétricos, seleção de marcha e ativação de sistemas avançados de assistência à condução (ADAS) tenham botões físicos.

A utilização do ecrã central para operações como mudar de relação de marcha entre P, R, N e D será expressamente proibida, pondo fim às interfaces que obrigam o condutor a deslizar num menu para engrenar uma marcha.
O regulador chinês quer garantir que estas funções continuam acessíveis ao condutor mesmo se o sistema multimédia falhar, bloquear ou reiniciar. A regra passa a ser que funções vitais têm de sobreviver a uma falha do sistema central, em vez de ficarem reféns desse mesmo sistema.
Os comandos que passam a ser obrigatoriamente físicos
A lista de funções que que o regulador obriga a que tenham botões físicos dedicados é extensa e contraria a tendência “tudo no ecrã” seguida por muitos fabricantes, em especial no segmento dos veículos elétricos.
Entre as exigências do regulador destacam‑se:
- Iluminação exterior: piscas, luzes de perigo e buzina passam a requerer botões ou manípulos físicos, blind‑operable, isto é, utilizáveis sem recurso à visão.
- Transmissão: a seleção de P, R, N e D terá de ser feita através de um seletor físico, ficando vedadas soluções em que o condutor muda de marcha através de gestos no ecrã central.
- Sistemas de assistência e emergência: a ativação/desativação de ADAS, o botão de chamada de emergência e o corte de energia nos veículos elétricos terão botões físicos dedicados
- Controlos básicos a bordo: também os vidros elétricos, limpa para-brisas, desembaciador e funções fundamentais de conforto e visibilidade deixam de poder depender exclusivamente de menus digitais.

Infografia gerada por IA
A norma que entrará em vigor na China em junho define ainda requisitos técnicos concretos, nomeadamente a medida mínima de cada botão, que deverá dar um feedback tátil ou sonoro e manter a sua funcionalidade mesmo que o ecrã central deixe de responder ou o sistema principal entre em falha.
O regulador chinês impõe que as posições dos botões sejam consistentes e estáveis, com o intuito de reforçar a memória muscular do condutor e encurtar o tempo de reação em situações de emergência.
Resposta à “ditadura do ecrã”
A revisão da norma de segurança GB4094 vem pôr fim à corrida ao minimalismo nos interiores, que levou a que muitos fabricantes eliminassem quase todos os botões em favor de um grande ecrã central.

Esta solução foi popularizada pela Tesla e rapidamente adotada por vários construtores. A utilização de um ecrã central tem sido criticada por obrigar o condutor a navegar por submenus para operações básicas, e assim aumentando o tempo com os olhos fora da estrada.
Copiar tendências
O CarNewsChina cita responsáveis de fabricantes que admitem que a indústria caiu na tentação de seguir modas em vez de pensar na ergonomia.
“A indústria automóvel chinesa enfrenta um problema de copiar tendências às cegas, sem inovação”, reconheceu um quadro superior da Geely.
Esta fonte aponta o dedo à uniformização de layouts com pequenos painéis de instrumentos, um grande ecrã central e volantes de fundo plano, acompanhados por manípulos ocultos e interfaces dominadas pelo software.
Norma pode ser exportada
Como os fabricantes chineses exportam cada vez mais carros elétricos, o impacto da revisão da norma não ficará confinado ao mercado interno. Os carros com mais botões e comandos físicos vão chegar à Europa e a outros mercados, reforçando indiretamente a pressão para que outros reguladores olhem para o tema.
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Sem força de lei, mas com o mesmo caminho em vista, a Euro NCAP já anunciou que a presença de botões físicos contribuirá para melhores classificações nos testes de segurança.



