Na Alemanha, na Itália e no Reino Unido, um carro elétrico a bateria custa hoje mais 17% do que um modelo equivalente a combustão. Há dois anos, essa diferença era de 34%.
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Diferença de preço: de 34% para 17% em dois anos
O cálculo foi feito pela BloombergNEF e consta do Electric Vehicle Outlook 2026, ontem divulgado.
O relatório anual da consultora aponta a bateria como o principal componente de custo de um elétrico, e é aí que está a fechar-se a distância para o gasóleo e a gasolina. Em vários mercados, o peso da bateria ainda mantém os preços dos BEV acima dos carros a combustão, mas o diferencial encolheu para metade em dois anos.
A descida não é igual em todo o lado.
A China continua a fabricar as baterias mais baratas do mundo, com uma cadeia de abastecimento madura, custos de produção menores e uma concorrência interna feroz. Na Europa e na América do Norte, os esforços para localizar a produção de células ainda não igualaram esses valores, e a BloombergNEF admite que a diferença de preço deve persistir enquanto a escala e a integração das cadeias não se aproximarem das chinesas.

Mais de 23 milhões de elétricos em 2026
A previsão global para o ano é de mais de 23 milhões de elétricos de passageiros vendidos, somando os totalmente elétricos e os híbridos plug-in na contabilidade da consultora, uma subida de 11% face a 2025. Mais de um quarto dos carros vendidos no planeta este ano serão elétricos, uma proporção que a BloombergNEF vê a ultrapassar metade das vendas até 2035. A consultora estima ainda 524 mil milhões de dólares de investimento em infraestrutura de carregamento até 2035.
Dois terços deste mercado estão num só país. A China representou 63% de todos os elétricos vendidos no mundo em 2025, e quase dois terços das vendas domésticas de automóveis no país já são de elétricos.
Já conheces?
Fora da China, o crescimento mais rápido está nos mercados emergentes, onde a adoção ultrapassa hoje a dos Estados Unidos.
Em Singapura, perto de metade dos carros vendidos em 2025 foram elétricos; no Vietname foram 39%, na Tailândia 27% e na Turquia 22%, depois de o número ter mais do que duplicado num ano. Em vários destes mercados o motor é doméstico: a VinFast assegurou 98% das vendas de elétricos no Vietname e a Togg foi a segunda marca turca, logo a seguir à BYD.
Travão nos Estados Unidos e na China
Pelo segundo ano consecutivo, a BloombergNEF cortou a previsão de adoção a curto e longo prazo, e a explicação está em dois mercados.
Nos Estados Unidos, as vendas devem cair 19% este ano, depois de Washington ter retirado o apoio federal à eletrificação, incluindo o recuo nas metas de eficiência e o desmantelamento de parte da lei de incentivos. Na China, o travão vem do aperto nas regras de elegibilidade dos apoios e de um mercado que amadureceu.

Infografia gerada por IA
“Embora a adoção de elétricos continue a avançar globalmente, o ritmo da transição está a tornar-se cada vez mais desigual entre mercados, sobretudo devido a mudanças de política nos Estados Unidos e a um mercado já maduro na China”, afirmou Aleksandra O’Donovan, responsável pela área de veículos elétricos da BloombergNEF.
“Apesar dessa desigualdade, é encorajador ver que a tendência de longo prazo para a eletrificação se mantém intacta, impulsionada pela melhoria da economia dos veículos, pela queda dos custos das baterias e pela rápida adoção nos mercados emergentes”, concluiu
Na conta da consultora, só 24% da frota norte-americana será elétrica em 2040.
Europa na direção da mobilidade elétrica
A leitura europeia confirma a direção. Em abril, mais de um em cada cinco carros novos registados na União Europeia foi totalmente elétrico, uma quota de 20,6% que compara com 15,7% no mesmo mês de 2025, segundo dados da ACEA citados pela Comissão Europeia a 16 de junho.
Entre janeiro e abril venderam-se cerca de 750.000 BEV novos na UE, com uma oferta cada vez mais alargada de modelos perto dos 25.000 euros.






