Os carros elétricos já representam 17% das vendas globais do grupo Renault e mais de 65% das vendas da marca Renault na Europa.
Ouve o resumo do artigo:
Áudio gerado por IA
Neste artigo:
Carros elétricos crescem mais do dobro das vendas totais
As vendas de veículos elétricos do Grupo Renault cresceram 20,9% no primeiro trimestre de 2026, representando 17,0% do total de vendas do grupo. Em termos de evolução, o dado compara com 13,0% no mesmo período de 2025: uma progressão de quatro pontos percentuais em doze meses.
Os modelos que sustentaram este crescimento são conhecidos: o Renault 5 E-Tech electric, o Renault 4 E-Tech electric e o Scenic E-Tech electric do lado da marca Renault. Do lado da Dacia, o Spring manteve-se ativo. O Alpine A290 também contribuiu para o resultado global do grupo.
Na Europa, os modelos eletrificados da Renault já representam mais de 65% das vendas de veículos de passageiros da marca na região. Os elétricos avançaram mais de 40% no trimestre. São números que colocam a Renault entre as marcas europeias com maior penetração de elétricos no segmento de passageiros.
Renault 5: líder nos mercados B-EV europeus
O Renault 5 E-Tech electric consolidou-se como o carro elétrico mais vendido no segmento B na maioria dos mercados europeus.
O Renault 4 E-Tech electric, por sua vez, continua em fase de aumento de produção, com rampa de crescimento progressiva. Já o Scenic E-Tech electric manteve resultados sólidos no segmento superior.

A Renault reduziu a exposição ao canal de aluguer de curta duração e cresceu no canal de retalho 8,5%. Os segmentos C/D representaram 36,5% das vendas, com o conjunto Symbioz, Austral, Rafale, Espace, Megane e Scenic a registar crescimento de 2% nos veículos de passageiros.
A estratégia de proteger o valor residual dos modelos elétricos, reduzindo vendas a frotas de curta duração, como rent-a-car, é um dado que o mercado de usados tende a acompanhar nos próximos trimestres.
Twingo e novo Clio entram em cena no segundo trimestre
O grupo referiu o lançamento recente do Twingo E-Tech electric e do novo Clio Full Hybrid E-Tech como fatores que deverão continuar a impulsionar a estratégia de eletrificação equilibrada da marca nos próximos meses.

O Twingo elétrico coloca pela primeira vez um veículo elétrico da Renault no segmento A, com preço de entrada pensado para acessibilidade.
Dacia em recuperação depois de um trimestre atípico
O trimestre ficou também marcado pelos problemas da Dacia, com as vendas a recuarem 16,3% para 145.335 unidades.
Já conheces?
Em causa, perturbações logísticas excecionais causadas por condições meteorológicas adversas que afetaram o tráfego marítimo no Estreito de Gibraltar e que tiveram impacto na cadeia de abastecimento e na produção.
A Dacia iniciou a recuperação em março, com um crescimento de 1,9% nas vendas na Europa face a março de 2025.
Renault 5, 4 e Scenic puxam elétricos para novo máximo
Os elétricos cresceram mais do dobro das vendas totais do grupo e já pesam 17% nas vendas globais.
Modelos que puxaram o crescimento
O que muda nos próximos meses
Leitura de mercado
A eletrificação avança, mas a Renault está a privilegiar canais de venda com maior qualidade comercial, em vez de ganhar volume através de frotas de curta duração.
Enquadramento financeiro
A carteira de encomendas na Europa corresponde a dois meses de vendas futuras, contra 1,5 meses no final de dezembro de 2025.
O crescimento foi de dois dígitos no volume de encomendas desde o início do ano, com aceleração significativa no Dacia Spring, o único elétrico da marca.
Receitas sobem 7,3% para 12,5 mil milhões
O Grupo Renault registou receitas de 12.530 milhões de euros no primeiro trimestre de 2026, um crescimento de 7,3% face ao período homólogo, ou 8,8% a taxas de câmbio constantes.
A divisão automóvel gerou 10.807 milhões de euros, mais 6,5%, e os Serviços Financeiros Mobilize (MFS) contribuíram com 1.723 milhões de euros, um crescimento de 13,0%.
O resultado superou as estimativas dos analistas, que apontavam para 11,57 mil milhões de euros
“No primeiro trimestre de 2026, apesar de um início de ano desafiante em termos de matrículas devido a fatores pontuais na Dacia, beneficiamos de um forte impulso de produtos em todas as marcas, tanto nos veículos de passageiros como nos veículos comerciais ligeiros”, afirmou Duncan Minto, diretor financeiro do Grupo Renault.
“Este momento positivo é sustentado por um crescimento de dois dígitos nas encomendas desde o início do ano”, sublinhou.

Infografia gerada por IA
O grupo confirmou as perspetivas financeiras para 2026.
O objetivo é terminar o ano com uma margem operacional em torno de 5,5% da receita, com o segundo semestre a superar o primeiro, segundo os padrões sazonais habituais, e fluxo de caixa livre do setor automóvel de cerca de mil milhões de euros.






