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Carregamentos na rede MOBI.E passam um milhão pelo terceiro mês seguido

Os carregamentos na rede pública em setembro foram menos do que em agosto, mês de férias.

A rede pública de carregamento registou mais de um milhão de carregamentos em setembro, o que acontece pelo terceiro mês consecutivo.

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Resumo
Mais de um milhão de carregamentos em setembro
Mais 33% do que em setembro de 2025, no terceiro mês seguido acima do milhão.
Utilizadores sobem 91% num ano
Mais de 250 mil em setembro, contados por cartão ou aplicação, abaixo dos 286.900 de agosto.
8.374 postos e cerca de 16.300 pontos
Mais de 3.300 postos têm carregamento rápido ou ultrarrápido, 40,2% da rede.
ERSE previa 6,59 milhões em todo o ano
Só julho, agosto e setembro somam mais de 3,1 milhões. O regime transitório termina a 31 de dezembro.

Na rede pública ligada à MOBI.E, o número ficou 33% acima do registado em setembro de 2025, segundo os dados divulgados pela entidade gestora a 13 de outubro.

Carregamentos MOBI.E abaixo do máximo de agosto

Julho foi o primeiro mês da história da rede com mais de um milhão de carregamentos. Agosto subiu a fasquia para mais de 1,1 milhões, um máximo mensal que correspondeu a um crescimento de 29% face ao mesmo mês de 2025.

Em todos os indicadores que a MOBI.E publica, setembro fica atrás de agosto. A energia consumida superou os 24 mil MWh, mais 40% do que há um ano, quando em agosto tinha ultrapassado os 27 mil MWh. Já os utilizadores distintos passaram dos mais de 286.900 de agosto para mais de 250 mil em setembro.

carregamentos setembro
O número de carregamentos ilustra a utilização, com agosto a manter o pico ©Magnific

Utilizadores quase duplicam num ano

O crescimento homólogo mais forte está nos utilizadores. Contados pelos acessos com cartão ou aplicação, os mais de 250 mil utilizadores de setembro representam mais 91% do que no mesmo mês de 2025, acima da subida de 33% nos carregamentos e de 40% na energia. Em julho tinham sido mais de 258 mil, com um aumento homólogo de 89%.

Do lado das vendas, setembro trouxe a quota mensal mais alta do ano para os elétricos. Segundo a ACAP, foram matriculados 9.338 ligeiros de passageiros novos 100% elétricos, mais 87,4% do que em setembro de 2025, o que deu aos BEV 47,7% do mercado de ligeiros de passageiros. No acumulado de janeiro a setembro, a quota dos 100% elétricos fica nos 29%.

Rede com cerca de 16.300 pontos de carregamento

No final de setembro, a rede ligada à MOBI.E integrava 8.374 postos, correspondentes a cerca de 16.300 pontos de carregamento. Um mês antes, eram 8.324 postos e 15.858 pontos; no fim de julho, 8.239 postos e 15.680 pontos.

Em dois meses, a rede somou mais 135 postos (cálculo EVMag). A 30 de setembro, mais de 3.300 postos tinham carregamento rápido ou ultrarrápido, 40,2% da infraestrutura, quando em agosto a MOBI.E contava 3.310 postos destes, com 39,8%.

Carregamentos MOBI.E
Rede MOBI.E · 2023 a 2026
Carregamentos na rede pública passam de 3,7 para 8,8 milhões em dois anos
Total anual de carregamentos na rede ligada à MOBI.E. Em 2026, só o trimestre de julho a setembro já soma mais de 3,1 milhões.
0 3 M 6 M 9 M 3,7 M 6,1 M +65% 8,8 M +45% >3,1 M só julho a setembro 2023 2024 2025 2026*
+33%
Mais de um milhão de carregamentos em setembro de 2026
Face a setembro de 2025. Foi o terceiro mês seguido acima do milhão, depois de julho e de agosto, que fixou o máximo com mais de 1,1 milhões.
Carregamentos anuais na rede pública ligada à MOBI.E, 2023 a 2026
AnoCarregamentosVariação anual
20233,7 milhõesn.d.
20246,1 milhões+65%
20258,8 milhões+45%
2026 (julho a setembro)mais de 3,1 milhõesn.d.
Setembro de 2026mais de 1 milhão+33% face a setembro de 2025
M: milhões · *2026 parcial, soma de julho, agosto e setembro (cálculo EVMag)
Fonte: MOBI.E · EVMag

160 mil toneladas de CO₂ em nove meses

Só em setembro, a MOBI.E contabiliza mais de 19 mil toneladas de CO₂ evitadas, contra mais de 22 mil em agosto. Pelas contas da entidade gestora, o valor equivale à retenção anual de carbono de 323 mil árvores urbanas com 10 anos, às emissões anuais de 4.003 habitantes ou ao consumo de mais de 7,3 milhões de litros de gasóleo.

Entre janeiro e setembro, as emissões evitadas ultrapassam as 160 mil toneladas. Para chegar a esse valor, 2025 precisou dos doze meses: no balanço anual, a MOBI.E reportou mais de 160 mil toneladas de CO₂ evitadas em todo o ano.

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De 600 mil a um milhão por mês

Há menos de dois anos, a fasquia mensal estava noutro patamar: em dezembro de 2024, a rede passou pela primeira vez os 600 mil carregamentos, depois de um máximo de 584 mil em agosto desse ano, e fechou 2024 com 6,1 milhões.

Em 2025 o total chegou aos 8,8 milhões, mais 45%, com agosto, de 874 mil carregamentos, e dezembro, de 872 mil, como os meses mais fortes, numa rede que no início de 2026 juntava 36 comercializadores de eletricidade para a mobilidade elétrica e 110 operadores de pontos de carregamento.

Previsão da ERSE e fim do regime transitório

Em outubro de 2025, na proposta de tarifas da entidade gestora para 2026, a ERSE previa 6,59 milhões de carregamentos na rede ligada à MOBI.E durante todo o ano, menos 26% do que os 8,90 milhões que então estimava para 2025.

O regulador justificava a quebra com a incerteza criada pelo novo regime jurídico da mobilidade elétrica e com a saída de pontos da rede, dependente da estratégia comercial de cada operador. Somados, julho, agosto e setembro ultrapassam os 3,1 milhões de carregamentos (cálculo EVMag), perto de metade da previsão anual num só trimestre.

Na mesma proposta, a ERSE baixava em 31,9% as tarifas da entidade gestora cobradas a comercializadores e operadores, uma componente que, pelas contas do regulador, pesava entre 3% e 4% do preço final pago pelos condutores em 2025. No exemplo que acompanha a proposta, com carregamentos de 11,5 kWh e um consumo de 15 kWh/100 km, o custo por 100 km ficava em 7,40 euros em carregamento normal e em 9,78 euros em carregamento rápido, com a descida das tarifas a valer 0,13 euros por cada 100 km.

O Decreto-Lei n.º 93/2025, de 14 de agosto, elimina a gestão centralizada da rede pela MOBI.E. O regime transitório previsto no diploma termina a 31 de dezembro de 2026.

Fontes: MOBI.E, comunicado de 13 de outubro de 2026; ERSE, proposta de tarifas da EGME para 2026; Executive Digest/Lusa, dados MOBI.E de agosto; e-konomista, dados MOBI.E de julho; Forbes Portugal, balanço MOBI.E de 2025; RTP/Lusa, balanço MOBI.E de 2024.

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