Os sites europeus da Tesla deixaram de usar a designação Full Self-Driving. O sistema chama-se agora Tesla Assisted Driving e, na página portuguesa da marca, aparece com uma subscrição de 99 euros por mês, e está limitado.
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O que pediu o ministério alemão
A 6 de outubro, o Ministério Federal dos Transportes alemão (BMV) publicou uma nota sobre o processo de aprovação europeia do sistema, até agora comercializado como FSD Supervised.
O ministério considera o nome antigo enganador, porque o sistema não assume a totalidade da tarefa de condução: apoia a aceleração, a travagem e a direção, mas obriga o condutor a manter-se atento em permanência. A responsabilidade pela condução continua a ser, nas palavras da nota, 100% de quem está ao volante.

A proposta de rebatizar o sistema partiu da própria Tesla, nas conversas mantidas em setembro com o ministro Steffen Bilger. “Encontrámos rapidamente um entendimento comum e alcançámos um acordo construtivo”, afirmou o governante. A marca norte-americana já rebatizou o sistema em toda a Europa, passando a chamar-lhe Tesla Assisted Driving.
Em troca, Berlim vai defender uma aprovação rápida em toda a União Europeia.
Bilger quer que os condutores Tesla possam usar o sistema “em toda a UE o mais depressa possível”, segundo a mesma nota. Elon Musk respondeu na rede X com um “Danke schoen”.
Um teto de 10% acima do limite
Um excesso máximo de 10% sobre o limite de velocidade ficou fixado no entendimento entre o ministério e a Tesla. A Alemanha compromete-se a levar essa posição ao processo europeu e argumenta que pequenas ultrapassagens podem, consoante a situação, tornar o trânsito mais fluido.
Para a Tesla, a cedência obriga a mexer no software. A versão aprovada nos Países Baixos mantém uma função que permite subir a velocidade máxima até 50% acima do limite detetado, segundo a Reuters. Foi essa margem que levou o Conselho Europeu de Segurança nos Transportes (ETSC) a pedir aos Estados-membros, no fim de setembro, que recusassem a aprovação.
Em Bruxelas, a associação de segurança rodoviária Johanna.be testou o sistema e registou excessos de velocidade em 16 de 29 troços limitados a 30 km/h.
Tesla Assisted Driving em Portugal
Embora a página portuguesa da Tesla já use a nova designação Tesla Assisted Driving, o sistema não está integralmente disponível no país. A marca indica que poderá vir a estar e que a disponibilidade depende do desenvolvimento e da aprovação legal.
O pacote que a Tesla identifica como Tesla Assisted Driving Basic surge com subscrição mensal de 99 euros e junta Autosteer, cruise control adaptativo, mudança de faixa, navegação em Autosteer, as funções Dumb Summon e Actually Smart Summon, estacionamento automático e controlo de semáforos e sinais Stop. Na mesma página, a Tesla avisa que as funções atualmente ativas exigem supervisão do condutor e não tornam o veículo autónomo.
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Votação europeia só em dezembro
Para que a autorização neerlandesa passe a valer em toda a União, o pedido precisa de maioria qualificada no Comité Técnico dos Veículos a Motor (TCMV): 15 dos 27 Estados-membros, que representem pelo menos 65% da população. A reunião de 6 de outubro deixou o dossier apenas em discussão, e o comité só volta a reunir-se em dezembro.
A autoridade neerlandesa RDW aprovou o sistema a 10 de abril. Lituânia, Estónia, Dinamarca, Bélgica, Eslovénia, Chéquia e Croácia reconheceram depois essa decisão a nível nacional, o que eleva para oito os países da UE onde a Tesla o pode ativar.
França e Suécia levantaram objeções ligadas sobretudo ao excesso de velocidade. Alemanha, França, Itália e Espanha, que juntas somam mais de metade da população da UE, não tinham reconhecido a aprovação neerlandesa até ao início de outubro; sem parte desse bloco, o limiar dos 65% fica fora de alcance.
Os oito países que já aprovaram o sistema somam perto de 57 milhões de habitantes, cerca de 12,6% da população da UE; a Alemanha acrescenta 83,5 milhões, ou 18,5%. Juntos ficam nos 140 milhões, em 452 milhões, ou 31,1%.
Faltam cerca de 34 pontos percentuais para os 65% exigidos pela maioria qualificada. No número de países, os nove ficam a seis dos 15 necessários.
Fontes: Ministério Federal dos Transportes da Alemanha (BMV), nota de 6 de outubro de 2026; Tesla Portugal, página Tesla Assisted Driving; Electrek, mudança de nome na Europa; Electrek, adiamento da votação no TCMV; Reuters, via TimesLive, apoio alemão e limite de 50%; Reuters, via WMBD, posição do ETSC; Carscoops, teste da Johanna.be em Bruxelas.




