A Telpark quer chegar aos 477 pontos e carregamento elétrico nos parques que gere em Portugal. É um crescimento de 60%, com especial incidência em Lisboa.
Neste artigo:
Entrevista com Ana Barbosa Leal
O anúncio do aumento da infraestrutura de carregamento nos parques da Telpark foi feito por Ana Barbosa Leal, Diretora de Operações Off-Street da empresa em entrevista ao EVMag.
Ana Barbosa Leal tem um título comprido: Diretora de Operações Off-Street da Telpark. Na prática, gere todos os parques de estacionamento em estrutura que a empresa opera em Portugal, cada um com as suas particularidades de localização, clientela e modelo contratual. É uma pessoa que conhece o setor a fundo e que nos fala sobre o que está a mudar no setor, E o que está a mudar é bastante.

Crescimento de 50% em Lisboa
A Telpark prevê aumentar 60% os pontos de carregamento elétrico a nível nacional, passando dos atuais 298 para 477. Em Lisboa, onde a empresa gere 40 parques e mais de 14.000 lugares, o crescimento previsto é de 50%: de 225 para 338 pontos, sendo 43 de carregamento rápido.
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Pontos nacionais previstos | 477 (+60%) |
| Pontos em Lisboa previstos | 338 (+50%) |
| Carregadores rápidos em Lisboa | 43 |
| Parques em Lisboa com carregamento | 25 de 40 |
| Hospital García de Orta | 13 pontos |
| Mercado de Alvalade | 15 pontos |
| Novas cidades | Setúbal, Portimão, Castelo Branco |
A expansão já tem projetos concretos: 13 novos pontos no Hospital García de Orta, em Almada, 15 no Mercado de Alvalade, e novos desenvolvimentos em Setúbal, Portimão e Castelo Branco.
Telpark “deixou de ser um operador de estacionamento”
A Telpark existe há mais de 50 anos. Opera em 150 cidades de Espanha, Portugal e Andorra, tem 335.000 lugares sob gestão e uma plataforma digital com 6,2 milhões de utilizadores. O carregamento elétrico é a adição mais recente a este portfólio, mas Ana Barbosa Leal não o trata como um produto novo à margem do negócio principal. Trata-o como a definição do que o negócio se tornou.
“Deixámos de ser um operador de estacionamento, transformando-nos num verdadeiro ecossistema de mobilidade, com presença em off, on e em EV, com uma rede de carregamento para veículos elétricos integrada verticalmente no nosso negócio”, diz.
Parques como “locais naturais” para carregamento
A decisão de investir em carregamento não foi uma resposta ao crescimento das vendas de elétricos. Foi anterior. A lógica era direta: os carros estacionados são carros parados, e carros parados durante horas são oportunidades de carregamento que não existem na rua.

“Os parques de estacionamento são locais naturais para instalar infraestruturas de carregamento, porque os veículos permanecem estacionados”, explica. “Somos a solução perfeita para acelerar a adoção do veículo elétrico, sem necessidade de instalar um carregador em cada casa.”
Nos parques Telpark, a oferta vai dos 11 kW para residentes e utilizadores com avença que carregam de noite, a mais de 100 kW para quem precisa de uma carga rápida. Ambos podem estar no mesmo parque.
App Telpark vai integrar carregamento
Hoje, qualquer cartão CEME ativa um carregador Telpark, sem app nem registo. A empresa está a integrar pagamento direto por cartão bancário. O passo seguinte é a própria aplicação, que já existe para gestão de avenças, reservas e entrada sem bilhete por leitura de matrícula, passar a incluir também o carregamento como produto integrado.

Infografia gerada por IA
“A mudança da legislação permitirá evoluir para um modelo baseado na nossa própria aplicação, através da qual poderemos oferecer serviços integrados de estacionamento e carregamento e adaptar a nossa oferta aos diferentes usos dos clientes”, explica Ana Barbosa Leal.
Do ponto de vista operacional, a Telpark funciona como OPC, operador de pontos de carregamento, instalando e mantendo os seus próprios equipamentos, ligados à rede Mobi.e. “As nossas equipas nos parques estão cada vez mais preparadas para garantir um serviço melhor, com maior apoio ao cliente e assegurando uma experiência diferenciadora. Podemos dizer que somos o único operador com equipas no terreno”, sublinha, admitindo que gerir parques com carregadores é operacionalmente mais exigente do que a atividade tradicional.
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Parques são infraestruturas chave
A colaboração com municípios faz parte desta equação. O estacionamento, diz a responsável, não funciona em silo: “faz parte do ecossistema da mobilidade urbana e está diretamente ligado a objetivos municipais como a redução da congestão, a melhoria da qualidade do ar, a dinamização do comércio local e a recuperação do espaço público.”
Para além do carregamento, os parques Telpark podem integrar car sharing, logística urbana, cacifos inteligentes, frotas, lavagens ecológicas e as Telpark Shops, dependendo de cada cidade. “Antes geríamos espaços. Hoje vemos os parques como infraestruturas chave para a gestão da mobilidade urbana“, resume Ana Barbosa Leal.
Portugal é referência europeia
No grupo Empark, que opera nos dois países ibéricos, o mercado português é tratado como caso de estudo. “Portugal é um exemplo com o qual Espanha pode aprender. Em termos de estrutura de incentivos, interoperabilidade e adoção do veículo elétrico, é uma referência para o continente europeu”, afirma a diretora.
O utilizador português de EV é, por isso, mais exigente: sabe o que é interoperabilidade, sabe o que esperar de um carregador público, e nota quando algo não funciona. “Os tempos de carregamento, o papel das empresas e a importância da rede pública fazem com que os utilizadores portugueses sejam mais exigentes.”
Este é o momento da transparência
O principal entrave ao crescimento mais rápido é a regulamentação. “O principal desafio está relacionado com a nova regulamentação. É necessário estabelecer segurança jurídica e regras claras para que os operadores possam definir a sua estratégia”, diz Ana Barbosa Leal.
O processo em curso é visto como positivo, mas a incerteza jurídica suspende decisões de investimento que de outra forma já estariam tomadas. “Portugal conseguiu um crescimento da mobilidade elétrica que é um exemplo para a Europa. Agora é o momento de dar mais impulso e transparência para o utilizador, de forma a continuar a crescer.”






