Um total de 646 quilómetros percorridos, 66 a mais do que o valor oficial, um desvio de 11,4%. O XPENG X9 foi o carro que mais superou a autonomia WLTP no El Prix de verão, o maior teste independente de autonomia de elétricos do mundo.
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O carro que mais superou o número oficial
Em estrada seca e com temperaturas entre 12 e 18 graus, o XPENG X9, monovolume que não é comercializado em Portugal, registou um desvio positivo de 11,4% face à autonomia homologada. A ficha técnica do monovolume indica 580 km em ciclo WLTP. No teste real, parou aos 646 km.
No El Prix, realizado pela NAF e pela revista Motor com 24 modelos a 3 de junho, na Noruega, vencedor não é quem vai mais longe em absoluto, mas quem mais se aproxima ou supera o número oficial de autonomia. O dia teve boas condições, com temperaturas entre 12 e 18 graus e estradas secas, segundo a NAF.
MG IM6 ficou no fundo da tabela
No extremo oposto ficou o MG IM6, com um desvio negativo de 11,7%: anunciava 505 km, percorreu 446. Foi o único dos 24 a falhar o valor homologado por mais de dez pontos percentuais, e a própria NAF estranhou o resultado, já que o outro MG em prova, o S6, terminou 3,4% acima do declarado.
Como funciona o El Prix
O El Prix segue sempre o mesmo método. Todos os carros percorrem a mesma rota, nas mesmas condições, até esgotarem a bateria, o que torna os resultados diretamente comparáveis entre modelos. Esta foi a quinta edição de verão da prova.
A rota parte de Oslo em direção a norte, com paragens em Gjøvik, Vinstra e Dombås antes do reagrupamento final em Otta. Os carros rodam até deixarem de ter potência, ou seja, até zero por cento de bateria.
A medição faz-se contra o número WLTP, a norma de homologação europeia que consta da ficha de qualquer elétrico vendido em Portugal. É por isso que o desvio interessa ao comprador português: mostra quanto da autonomia anunciada se traduz, ou não, em quilómetros reais.
Onze elétricos acima do WLTP
Onze dos 24 carros superaram a autonomia de ficha, e um, o Toyota bZ4X, igualou-a ao quilómetro: 506 km medidos para 506 homologados, 0% de desvio.
Entre os mais pequenos, o Kia EV2 foi o que mais surpreendeu, ao passar dos 308 km de ficha para 325 reais, mais 5,4%. O Hyundai Inster fez 373 km, 3,5% acima dos 360 homologados, e o Dongfeng Vigo somou 2,3% extra.
Autonomia real vs WLTP
No segmento maior, o Mercedes-Benz GLB 350 ficou logo atrás do XPENG X9, com mais 5,3% (593 km para 563 de ficha). O GLC 400 da mesma marca chegou aos 665 km, 3,4% acima, o mesmo desvio exato do MG S6, que fez 502 km. O smart #5 acrescentou 3%, com 556 km para os 540 homologados.
O carro que foi mais longe em quilómetros absolutos foi o BMW iX3, com 781 km, 1,5% acima dos 770 de ficha. Mais perto do valor oficial ficaram ainda o Kia PV5, 1,8% acima, e o Mazda 6e, com um desvio de apenas 1,2%.
Doze abaixo do prometido
Do outro lado, doze modelos não chegaram ao número homologado, quase todos por margens pequenas. O BYD Atto EVO e o Kia EV5 ficaram ambos 2,1% abaixo, com 460 e 509 km. O Citroën ë-C5 Aircross perdeu 2,5% e a pickup KGM Musso 2,6%.

Já conheces?
Tirando o MG IM6, os maiores desvios negativos couberam ao Hyundai IONIQ 9, 5,7% abaixo dos 600 km de ficha, e ao Mercedes-Benz CLA, 4,7% aquém dos 708 km anunciados. O Polestar 3 perdeu 3,8% e o Lucid Gravity 3,7%, ambos SUV grandes de bateria generosa. Mais contidos ficaram o Toyota C-HR+, 3,4% abaixo, o Kia EV4, a 3,3%, e o Changan Deepal S05, a 3,1%.
Bem diferente no inverno
“Em dias de verão com tempo seco, os carros, no essencial, vão tão longe como os números oficiais”, disse Nils Sødal, conselheiro sénior de comunicação da NAF.
O contraste com o inverno é grande: na edição de fevereiro, com temperaturas até 32 graus negativos, o desvio médio foi de 38%, ou seja, mais de um terço da autonomia perdida no frio.
Carregar 300 km em 15 minutos
No dia seguinte ao teste de autonomia, a bateria voltou a ser o tema. Nove dos 24 carros recuperaram mais de 300 km de autonomia em apenas 15 minutos, e dois aproximaram-se dos 500 nesse quarto de hora: o XPENG X9 somou 505 km, o BMW iX3 recuperou 495. “Dois carros recuperam cerca de 500 km de autonomia num quarto de hora. Estamos quase no mesmo tempo que se leva a encher um depósito de gasóleo”, comparou Sødal, com algum voluntarismo.
O XPENG X9 completou o ciclo de 10 a 80% em 13 minutos, o mais rápido do grupo, enquanto o smart #5 recuperou 389 km no mesmo intervalo. A larga maioria dos modelos carregou de 10 a 80% à volta de meia hora. “Houve um salto enorme no carregamento. A distância entre os que carregam muito depressa e os restantes aumenta a cada teste”, afirmou Sødal.

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Abaixo do topo, o ritmo cai depressa. O Mazda 6e recuperou 284 km no mesmo quarto de hora e o Hyundai IONIQ 9 ficou pelos 277, enquanto os mais lentos da prova, o Dongfeng Vigo e o Hyundai Inster, não passaram dos 144 km. Em tempo de carregamento de 10 a 80%, a diferença vai dos 13 minutos do XPENG X9 aos 38 do KGM Musso.
Infraestrutura ainda não acompanha
Seis dos nove carros mais rápidos só atingiram a potência máxima ligados a um carregador de camiões, porque a rede pública comum ainda não debita energia suficiente, sinal de que a infraestrutura está atrás dos automóveis até na Noruega. Entre eles estavam o XPENG X9, o BMW iX3 e o Lucid Gravity, três dos mais rápidos da prova.
Até há pouco, o carregamento ultrarrápido era território de alguns fabricantes chineses, mas no El Prix de verão a BMW, a Mercedes-Benz e a smart juntaram-se ao grupo da frente.





