O mercedes CLA foi considerado o melhor entre os melhores de 2025 O mercedes CLA foi considerado o melhor entre os melhores de 2025

Elétricos com paridade de preços antes de 2030, mas Bruxelas pode atrasar esse momento

A paridade de preços entre carros elétricos e a combustão já foi atingida nos segmentos D e E.

O preço médio de um elétrico na União Europeia desceu 1.800 euros em 2025. É a primeira queda desde 2020. E segundo a Transport & Environment, a paridade de preços não é uma miragem.

Ouve o resumo do artigo:

Áudio gerado por IA

Resumo
Preço médio desceu €1.800 em 2025
Primeira descida desde 2020. O preço médio de um elétrico na UE passou a 42.700 euros.
Segmentos D e E já em paridade
SUV e premium elétricos custam o mesmo que os equivalentes a combustão desde 2024.
Segmentos A, B e C a caminho de 2030
No segmento B o preço já caiu 13% em 2025. A paridade chega antes de 2030 com as metas atuais.
Revisão das metas pode atrasar tudo
Se Bruxelas aprovar a revisão em abril, o elétrico médio ficaria €2.300 mais caro em 2030 do que sob as metas atuais.

A primeira descida em cinco anos

Entre 2020 e 2024, o preço médio dos elétricos na UE subiu 5.000 euros, apesar de as baterias ficarem progressivamente mais baratas. Os construtores, sem metas exigentes a cumprir, concentraram-se nos modelos com margens mais altas. O consumidor pagou a diferença.

Mercado Europeu · 2020–2030
Preço médio dos elétricos na UE desce pela primeira vez desde 2020
Evolução do preço médio de venda de um veículo 100% elétrico na União Europeia, em euros.
35k€ 40k€ 45k€ 50k€ 55k€ 2020 2021 2022 2023 2024 2025 2030 Pico: 44.500€ +5.000€ vs 2020 42.700€ em 2025 1.ª descida desde 2020 ~38.000€ paridade 2030 −4% −1.800€
Preço médio de venda de veículos elétricos na União Europeia, 2020-2030
AnoPreço médio (€)Variação
202037.700
202139.200+1.500€
202241.500+2.300€
202343.800+2.300€
202444.500+700€ (pico)
202542.700-1.800€ (-4%)
2030 (projeção)~38.000paridade com combustão

Em 2025 isso mudou. O preço médio caiu 4%, para 42.700 euros. No segmento B, a descida foi de 13%. O Citroën ë-C3 e o Renault 5 chegaram ao mercado precisamente a tempo de ajudar os fabricantes a cumprir os objetivos CO2 desse ano. Não foi coincidência: foi regulação a funcionar.

paridade de preços infografia

Infografia gerada por IA

Paridade de preços ao alcance, segmento a segmento

Os segmentos D e E já atingiram paridade com os equivalentes a combustão em 2024. Os SUV e berlinas premium elétricos custam hoje o mesmo que as versões a gasolina ou diesel da mesma categoria.

Nos segmentos A, B e C, a paridade ainda não chegou, mas a trajetória aponta para antes de 2030. Lucien Mathieu, diretor de automóvel na T&E, sintetizou a condição: “Os elétricos estão a caminho de atingir a paridade de preços com os motores a combustão, a menos que as regras CO2 sejam enfraquecidas.”

Mercado Europeu · Estado 2025
Paridade de preços elétrico vs. combustão: segmento a segmento
Preço relativo dos veículos elétricos face aos equivalentes a combustão, por segmento.
Elétrico (BEV)
Combustão (ICE)
Seg. A
Citadinos
ex: Fiat 500e
BEV
ICE
BEV ainda ~35% mais caro que ICE · descida em curso
~2030
A caminho
Seg. B
Compactos
ex: Renault 5
BEV
ICE
Preço BEV caiu 13% em 2025 (−€4.600)
~2030
A caminho
Seg. C
Médios
ex: VW ID.3
BEV
ICE
Gap a fechar · paridade próxima
~2030
A caminho
Seg. D
SUV / médio-alto
ex: BMW i4
BEV
ICE
Paridade atingida em 2024
2024 ✓
Paridade
Seg. E
Premium / luxo
ex: Mercedes EQS
BEV
ICE
Paridade atingida em 2024
2024 ✓
Paridade
⚠ Se a revisão das metas CO2 para 2030 for aprovada em abril, a paridade nos segmentos A, B e C pode atrasar-se dois ou mais anos. O preço médio ficaria €2.300 mais caro em 2030 do que sob as metas atuais.
Paridade de preços elétrico vs combustão por segmento, mercado europeu 2025
SegmentoExemplosEstadoAno previsto
Segmento A (citadinos)Fiat 500eBEV ~35% mais caro que ICE~2030
Segmento B (compactos)Renault 5, Citroën ë-C3Preço BEV caiu 13% em 2025~2030
Segmento C (médios)VW ID.3Gap a fechar, paridade próxima~2030
Segmento D (SUV / médio-alto)BMW i4Paridade atingida em 20242024
Segmento E (premium / luxo)Mercedes EQSParidade atingida em 20242024

Metade do mercado, em quota de fabricantes, já cumpriu a meta 2025-2027 com dois anos de antecedência. BMW Group, o pool Mercedes-Volvo e o pool Tesla já estão dentro dos objetivos. A Renault e a Volkswagen ainda não, mas ambas deverão cumprir antes de 2027.

O que Bruxelas já cedeu e o que ainda está em discussão

Em maio de 2025, o Parlamento Europeu e o Conselho aprovaram a primeira concessão à indústria: a meta anual de 2025 foi substituída por uma média calculada ao longo de três anos, entre 2025 e 2027. A medida já está em vigor.

“Os elétricos estão a caminho de atingir a paridade de preços com os motores a combustão, a menos que as regras CO2 sejam enfraquecidas.”

Lucien Mathieu Diretor de automóvel, Transport & Environment

Em dezembro de 2025, a Comissão Europeia foi mais longe. Apresentou uma revisão mais profunda que propõe substituir a meta de 100% de zero emissões em 2035 por 90%, reduzir a meta das carrinhas em 2030 de 50% para 40%, e aplicar uma média trienal também à meta de 2030, calculada entre 2030 e 2032. Esta proposta está em discussão no Parlamento Europeu e no Conselho, com votação em plenária prevista para 29 e 30 de abril de 2026.

A T&E calculou o impacto se a proposta for aprovada: a quota de elétricos em 2030 cairia de 57% para 47%. O preço médio seria afetado na mesma direção. Com as metas atuais, a paridade de preços chega antes de 2030. Com a revisão aprovada, o elétrico médio custaria mais 2.300 euros em 2030 do que custaria sem essa alteração.


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A Europa está a três anos da China, não a uma geração

O State of European Transport 2026, publicado pela T&E a 25 de março, coloca o tema da adoção de carros elétricos num quadro mais amplo. Em 2020, Europa e China tinham quotas de elétricos idênticas. Em 2025, a China estava em 31% e a Europa em 19%. A T&E estima que a Europa atinja 23% em 2026 e 28% em 2027, mantendo as metas atuais.

William Todts, diretor executivo da organização, rejeitou a narrativa de que a Europa está demasiado atrás para recuperar: “A regulação não é o problema. É o que mantém a Europa na corrida para liderar nos carros elétricos.”

Sete em cada dez elétricos vendidos na Europa são fabricados no continente. Uma transição mais rápida não prejudica a indústria europeia: fortalece-a, de acordo com T&E.

A fatura do petróleo como argumento de fundo

Em 2025, a Europa gastou mais de 220 mil milhões de euros em petróleo importado. Com o barril acima dos 100 dólares em 2026, a fatura este ano deve ultrapassar os 300 mil milhões, um acréscimo de 80 mil milhões face a um ano sem crise energética. Os 8 milhões de elétricos em circulação na Europa pouparam cerca de 46 milhões de barris em 2025.

A T&E usa esse número para ligar a paridade de preços à segurança energética: quanto mais depressa os elétricos ficarem acessíveis, mais depressa a Europa reduz a sua exposição à volatilidade do petróleo.

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