O preço médio de um elétrico na União Europeia desceu 1.800 euros em 2025. É a primeira queda desde 2020. E segundo a Transport & Environment, a paridade de preços não é uma miragem.
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A primeira descida em cinco anos
Entre 2020 e 2024, o preço médio dos elétricos na UE subiu 5.000 euros, apesar de as baterias ficarem progressivamente mais baratas. Os construtores, sem metas exigentes a cumprir, concentraram-se nos modelos com margens mais altas. O consumidor pagou a diferença.
Em 2025 isso mudou. O preço médio caiu 4%, para 42.700 euros. No segmento B, a descida foi de 13%. O Citroën ë-C3 e o Renault 5 chegaram ao mercado precisamente a tempo de ajudar os fabricantes a cumprir os objetivos CO2 desse ano. Não foi coincidência: foi regulação a funcionar.

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Paridade de preços ao alcance, segmento a segmento
Os segmentos D e E já atingiram paridade com os equivalentes a combustão em 2024. Os SUV e berlinas premium elétricos custam hoje o mesmo que as versões a gasolina ou diesel da mesma categoria.
Nos segmentos A, B e C, a paridade ainda não chegou, mas a trajetória aponta para antes de 2030. Lucien Mathieu, diretor de automóvel na T&E, sintetizou a condição: “Os elétricos estão a caminho de atingir a paridade de preços com os motores a combustão, a menos que as regras CO2 sejam enfraquecidas.”
ex: Fiat 500e
ex: Renault 5
ex: VW ID.3
ex: BMW i4
ex: Mercedes EQS
Metade do mercado, em quota de fabricantes, já cumpriu a meta 2025-2027 com dois anos de antecedência. BMW Group, o pool Mercedes-Volvo e o pool Tesla já estão dentro dos objetivos. A Renault e a Volkswagen ainda não, mas ambas deverão cumprir antes de 2027.
O que Bruxelas já cedeu e o que ainda está em discussão
Em maio de 2025, o Parlamento Europeu e o Conselho aprovaram a primeira concessão à indústria: a meta anual de 2025 foi substituída por uma média calculada ao longo de três anos, entre 2025 e 2027. A medida já está em vigor.
“Os elétricos estão a caminho de atingir a paridade de preços com os motores a combustão, a menos que as regras CO2 sejam enfraquecidas.”
Lucien Mathieu Diretor de automóvel, Transport & Environment
Em dezembro de 2025, a Comissão Europeia foi mais longe. Apresentou uma revisão mais profunda que propõe substituir a meta de 100% de zero emissões em 2035 por 90%, reduzir a meta das carrinhas em 2030 de 50% para 40%, e aplicar uma média trienal também à meta de 2030, calculada entre 2030 e 2032. Esta proposta está em discussão no Parlamento Europeu e no Conselho, com votação em plenária prevista para 29 e 30 de abril de 2026.
A T&E calculou o impacto se a proposta for aprovada: a quota de elétricos em 2030 cairia de 57% para 47%. O preço médio seria afetado na mesma direção. Com as metas atuais, a paridade de preços chega antes de 2030. Com a revisão aprovada, o elétrico médio custaria mais 2.300 euros em 2030 do que custaria sem essa alteração.
Já conheces?
A Europa está a três anos da China, não a uma geração
O State of European Transport 2026, publicado pela T&E a 25 de março, coloca o tema da adoção de carros elétricos num quadro mais amplo. Em 2020, Europa e China tinham quotas de elétricos idênticas. Em 2025, a China estava em 31% e a Europa em 19%. A T&E estima que a Europa atinja 23% em 2026 e 28% em 2027, mantendo as metas atuais.
William Todts, diretor executivo da organização, rejeitou a narrativa de que a Europa está demasiado atrás para recuperar: “A regulação não é o problema. É o que mantém a Europa na corrida para liderar nos carros elétricos.”
Sete em cada dez elétricos vendidos na Europa são fabricados no continente. Uma transição mais rápida não prejudica a indústria europeia: fortalece-a, de acordo com T&E.
A fatura do petróleo como argumento de fundo
Em 2025, a Europa gastou mais de 220 mil milhões de euros em petróleo importado. Com o barril acima dos 100 dólares em 2026, a fatura este ano deve ultrapassar os 300 mil milhões, um acréscimo de 80 mil milhões face a um ano sem crise energética. Os 8 milhões de elétricos em circulação na Europa pouparam cerca de 46 milhões de barris em 2025.
A T&E usa esse número para ligar a paridade de preços à segurança energética: quanto mais depressa os elétricos ficarem acessíveis, mais depressa a Europa reduz a sua exposição à volatilidade do petróleo.






