Apresentação do estudo Mobilidade 2026 da Ayvens Apresentação do estudo Mobilidade 2026 da Ayvens

Ayvens: carros elétricos com poupança de 19% no custo total de utilização

O estudo Mobilidade 2026, da Ayvens, conclui que carregar é sempre mais barato que abastecer.

Os carros elétricos conseguem uma poupança média de 19% no custo total de utilização. A conclusão consta no estudo Mobilidade 2026, da Ayvens.

Ouve o resumo do artigo:

Áudio gerado por IA

Resumo
BEV poupam 19% no custo total de utilização
Estudo Mobilidade 2026 da Ayvens conclui que os elétricos vencem em todos os oito segmentos analisados, aos 30.000 km/ano.
Carregar é sempre mais barato que abastecer
Na rede pública, gastos com BEV ficam 31% abaixo do gasóleo e 46% abaixo dos híbridos plug-in.
Rede própria poupou 100.000 euros num ano
Ayvens instalou 70 carregadores em casa de funcionários e eletrificou a sede, com retorno em pouco mais de dois anos.
Rede pública sob pressão com 24 BEV por posto
Lisboa e Porto concentram dois terços dos pontos de carregamento, com o parque circulante a aproximar-se dos 400.000 veículos.

Ayvens: carros elétricos são mais competitivos

Os carros elétricos são a opção mais competitiva para as frotas empresariais, de acordo com o estudo Mobilidade 2026, que a Ayvens apresentou ontem aos jornalistas.

Na quilometragem de referência para frotas (30.000 km/ano), os carros 100% elétricos (BEV) “destacam-se como a solução mais competitiva em todos os oito segmentos analisados de veículos de passageiros”.

Embora esta tendência se verifique desde 2023, “em 2026 os veículos 100% elétricos apresentam uma poupança média de 19% face ao custo total de utilização (TCO) das restantes motorizações, recuperando face a 2025, ano em que essa poupança se situava nos 16%”, sublinha o estudo.

Carregar mais barato que abastecer

No estudo Mobilidade 2026, a Ayens chega à conclusão de que carregar um carro elétrico é sempre mais barato do que abastecer um carro a combustão.

Para poderem fazer a comparação, os autores do estudo focaram-se num cenário em que a empresa apenas carrega na rede pública, na sua maioria em postos até 50 kW.

Uma mulher mostra a tomada com que faz os carregamentos | Ayvens
Os custos de carregamento são inferiores aos custos de abastecimento @FreePick

Ainda com os preços da gasolina e do gasóleo sem refletirem a escalada resultante da guerra no Irão, os gastos com o carro elétrico são inferiores em 46% aos dos híbridos plug-in e 31% face aos carros a gasóleo.

Aposta em rede própria vale a pena

No estudo, a Ayvens olha para dentro de portas. A empresa decidiu avançar para uma rede própria de carregamento.

Para suportar uma frota de 250 veículos, instalou 70 carregadores em casa de funcionários e eletrificou os 115 lugares de estacionamento disponíveis na sua sede.


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A rede ficou operacional em março de 2025 e os efeitos foram “imediatos”. O estudo salienta que, “em 2025, a frota registou uma poupança anual superior a 100.000 euros, resultado direto da migração de grande parte dos carregamentos para a infraestrutura própria”.

A Ayvens fez as contas e garante que o retorno do investimento realizado será alcançado em “pouco mais de dois anos”.

Eletrificação de frotas é “realidade consolidada”

Na apresentação aos jornalistas, António Oliveira Martins, diretor-geral da Ayens Portugal, explicou o porquê de a empresa realizar anualmente um estudo tão profundo sobre mobilidade:

Ayvens mobilidade 2026

Infografia gerada por IA

“Os nossos clientes precisam de ajuda para saber quais são as melhores opções para as suas empresas e para definir o momento da eletrificação e em que segmento fazê-lo”.

Oliveira Martins lembrou que quando a Ayvens fez o primeiro estudo de mobilidade, em 2016, a sua frota era 95% a diesel e que hoje essa motorização aparece em 4º lugar.

“Os resultados do estudo confirmam que, atualmente, a eletrificação das frotas empresariais é mais do que uma tendência e constitui uma realidade consolidada em termos de competitividade”, salientou.

Uma mudança “estrutural”

O mercado português reflete a crescente procura por carros elétricos, com o crescimento da procura em todos os segmentos. “É uma mudança estrutural”, sublinham os autores do estudo.

Em Portugal, a tendência é para uma cada vez maior quota de mercado dos carros elétricos, suportada por “maior concorrência, mais oferta e um mercado cada vez menos dependente de uma só oferta”.

“O verdadeiro desafio – argumentam – é o segmento B, o de maior volume, onde o veículo a gasolina domina, mas onde os BEV estão a ganhar tração”.

Rede de carregamento “sob pressão”

A capacidade da infraestrutura de carregamento é o principal entrave a uma eletrificação mais acelerada. O estudo Mobilidade 2026 revela que o rácio atual é de 24 veículos elétricos por posto de carregamento.

Apresentação do estudo Mobilidade 2026 da Ayvens
No estudo Mobilidade 2026, a Ayvens alerta para a pressão a que a infraestrutura de carregamento está sujeita @EVMag

A média tem vindo a melhorar, era de 28 veículos elétricos por posto de carregamento em 2024. “A rede de carregamento cresce, mas mantém assimetrias territoriais e limitações operacionais, comprometendo uma cobertura verdadeiramente eficiente e equilibrada a nível nacional”, lê-se no estudo. Lisboa e Porto representam dois terços do total nacional de postos.

O estudo revela que “existe uma pressão crescente sobre a rede, uma vez que o parque circulante aproxima-se dos 400.000 veículos, o dobro de há dois anos atrás”.

“Não enterrem” os construtores europeus

Na Europa, os 100% elétricos “continuam a ser a preferência dos consumidores”, com Portugal a aparecer “claramente acima da média”.

Apesar de a Tesla continuar a dominar, embora com uma quebra acentuada, os números de vendas por marca mostram que os consumidores europeus continuam a dar preferência por marcas europeias, com destaque para a Volkswagen.

“Ainda não enterrámos a indústria automóvel europeia”, foi sublinhado na apresentação. Mas os construtores europeus debatem-se com uma cada vez maior concorrência chinesa.

Na China “produzir é fácil, o difícil é vender”

A exportação é mesmo o destino das marcas chinesas. “na China, o excesso de oferta cria uma guerra de preços que irá culminar em carros elétricos mais competitivos”, sublinham, antecipando que, face a este cenário excesso de oferta e guerra comercial, “vamos passar de 150 construtores chineses para 15/20 em 2023”.

Resumindo, “na China, produzir é fácil, o difícil é vender”. Os construtores chineses têm de se virar para a exportação, aparecendo a Europa como o primeiro destino óbvio, mas o Estudo Mobilidade 2026 da Ayvens alerta para o facto de que “não há mercado global que absorva a capacidade instalada na China”.

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