carros elétricos numa rua de lisboa num dia de sol, com famílias a passear nos largos passeios | imagem gerada por ia carros elétricos numa rua de lisboa num dia de sol, com famílias a passear nos largos passeios | imagem gerada por ia

Mobilidade Elétrica: votar com a carteira

Há uma ideia, errada, de que “mais um carro elétrico” pouco ou nada fará para travar o consumo de petróleo, uma vez que há imensos outros setores que absorvem parte significativa da produção mundial. Acontece que os números mostram uma realidade muito diferente.

votar petróleo infografia

Infografia gerada por IA

Se, de repente, vos perguntar qual acham que é o setor que mais consome petróleo – na verdade, mais de metade da produção mundial – o que é que vos ocorre? OK, já viram a infografia e agora é tarde, mas aposto que não identificariam o setor do transporte rodoviário.

Mesmo eu, que tinha uma vaga ideia de que assim seria, não tinha a noção clara da dimensão dos números. Mas os números não mentem. Em 2024 (o último ano com estatísticas completas), o transporte rodoviário representou no seu conjunto mais do dobro do destino da produção mundial de petróleo, com uma quota total de 57% do consumo.

Mais: dentro deste grupo, as viaturas ligeiras (as que mais facilmente podem ser eletrificadas) representam também a maioria do consumo, com 65% de quota no grupo das “economias avançadas” e quase 50% no das “economias emergentes” (dados de 2023).

Há males que vêm por bem?

No atual contexto geopolítico em que a situação no Médio Oriente fez disparar os preços dos combustíveis, não admira que milhões de consumidores em todo o mundo tenham voltado as suas atenções para os veículos elétricos, sobretudo do ponto de vista das poupanças que estes podem oferecer em termos de custos de operação.

Já escrevi aqui porque é que eu acho que “o seu próximo carro vai ser um EV“, mas na altura fi-lo num exercício mais pela positiva, falando das vantagens inerentes aos carros elétricos. Agora, mesmo muitos dos mais empedernidos “haters” que não se deixam convencer por esse tipo de argumentos irão tentar descobrir se os EVs podem contribuir para uma poupança significativa no final do mês.

Na verdade, todos os estudos indicam que a esmagadora maioria das pessoas que procuram adquirir um EV o fazem por razões económicas e não ecológicas. O momento atual, que conjuga uma oferta alargada de EVs no mercado (novos e usados) com o disparo no preço dos combustíveis contribui, assim, para uma espécie de tempestade perfeita no caminho da transição elétrica. E o melhor de tudo, voltando às estatísticas com que iniciei este artigo, é que esta mudança fará mesmo uma diferença em termos ambientais.

Tal como votar, em que um voto, tomado de forma isolada, nada representa, mas um movimento de cidadãos que votem de determinada forma é capaz de transformar democracias, também optar por um EV faz a diferença.

Ou seja, o meu EV (e o vosso, caso já o tenham ou tencionem ter a breve prazo) não faz a diferença por si só; mas, se um número suficiente de pessoas decidir “votar com a carteira” e optar por trocar o seu consumidor de petróleo refinado por um carro elétrico, a diferença será real e sensível.

Tanto que, em 2025, o total de EVs a circular em todo o mundo já reduziu o consumo mundial de petróleo em 2,3 milhões de barris de petróleo por dia, valor que deverá mais do que duplicar em 2030, para 5,25 milhões de barris.

E, mesmo que seja só para querer poupar dinheiro, o planeta acabará por nos agradecer.

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