Foram 950.521 os carros elétricos matriculados na União Europeia entre janeiro e maio, um em cada cinco automóveis novos vendidos no espaço comunitário. Portugal segue no pelotão da frente.
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Um em cada cinco automóveis novos é elétrico
A quota dos modelos a bateria chegou aos 20% do mercado europeu, contra 15,3% no mesmo período de 2025. Em Portugal, está nos 24,5%
Os dados são da ACEA, a associação europeia de construtores automóveis, divulgados a 23 de junho. No acumulado dos primeiros cinco meses, as matrículas de carros elétricos subiram 35,7% face ao ano anterior, quando tinham sido 700.640 unidades. A quota dos veículos a bateria valia 15,3% há um ano e está agora nos 20%, quase cinco pontos de subida em doze meses.
Só em maio, o ritmo foi ainda maior. Foram 203.417 os elétricos matriculados na UE no mês, mais 42,9% do que em maio de 2025. A ACEA atribui a procura a benefícios fiscais e esquemas de incentivo renovados nos principais mercados, num arranque de ano marcado por tensões geopolíticas que pesam sobre as perspetivas do setor.
A escolha mais frequente dos compradores europeus continua a ser o híbrido convencional, com 37,8% das matrículas. A gasolina e o gasóleo, somados, recuaram para 30,1% do mercado, quando há um ano valiam 38%. O mercado automóvel europeu no seu conjunto cresceu 4% no acumulado do ano, para mais de 4,7 milhões de carros novos.
Portugal acima da média europeia
Portugal fechou os cinco meses com 27.134 carros elétricos matriculados, mais 33,2% do que em igual período de 2025. A quota nacional dos veículos a bateria ficou nos 24,5%, segundo as contas do EVMag sobre os dados da ACEA, acima dos 20% da média comunitária. No total, o país matriculou 110.731 automóveis novos, um crescimento de 9,8%.
Em maio, foram 6.988 os carros elétricos matriculados em Portugal, mais 56,1% do que um ano antes.
Peso dos carros 100% elétricos no total de matrículas, apenas em maio de 2026.
| # | País | Elétricos | Quota |
|---|---|---|---|
| 1 | Dinamarca | 15.020 | 78,7% |
| 2 | Finlândia | 3.309 | 48,8% |
| 3 | Países Baixos | 12.363 | 41,3% |
| 4 | Suécia | 10.718 | 41,2% |
| 5 | Bélgica | 12.586 | 37,4% |
| 6 | Malta | 291 | 36,4% |
| 7 | Luxemburgo | 1.248 | 31,7% |
| 8 | França | 37.412 | 29,1% |
| 9 | Irlanda | 2.328 | 29,0% |
| 10 | Portugal | 6.988 | 27,9% |
Fonte: ACEA. Quotas calculadas pelo EVMag a partir das matrículas por país. Média da UE em maio: 21,3%.
Nesse mês, de acordo com a ACEA, o elétrico foi a motorização mais matriculada no país, à frente dos 5.999 híbridos convencionais, dos 5.780 carros a gasolina e dos apenas 801 a gasóleo. A quota dos elétricos subiu aos 27,9% das matrículas do mês, pelo mesmo cálculo do EVMag. No acumulado do ano, porém, são os híbridos convencionais que lideram, com 32.494 unidades.
Itália, França e Alemanha puxam o crescimento
Os quatro maiores mercados de elétricos da UE concentram 63% das matrículas, e três dispararam: a Itália cresceu 75,7%, a França 55,4% e a Alemanha 40,9%. A Bélgica foi a exceção entre os grandes, com um aumento de apenas 2,8%. Em volume, a Alemanha lidera o mercado europeu de elétricos, com 283.949 unidades, à frente das 185.711 da França.
A Espanha juntou-se ao pelotão da frente, com mais 40,0% de matrículas de elétricos. A Áustria avançou 22,8% e a Polónia 28,2%, ambas acima da média europeia. Na direção contrária seguiram os Países Baixos, o único grande mercado a recuar, com uma queda de 9,7%.

A penetração mais alta continua no norte da Europa. Na Dinamarca, os elétricos já são oito em cada dez carros novos, e na Suécia chegaram a 40,8% do mercado. A Noruega, fora da União, manteve-os em 98% das matrículas.
Mais de 1,2 milhões na Europa alargada
Somando a EFTA e o Reino Unido ao bloco comunitário, foram 1.247.545 os carros elétricos matriculados na Europa entre janeiro e maio, mais 31,2% do que no mesmo período de 2025. No espaço alargado, os elétricos valeram 21,4% das matrículas, pelo cálculo do EVMag, proporção próxima da registada dentro da União. Alemanha, França e Reino Unido somam, sozinhos, mais de metade desse total.
O Reino Unido destacou-se com 220.629 elétricos, um crescimento de 24,3%. Em volume, é o segundo maior mercado europeu do segmento, atrás da Alemanha e à frente da França.
Peso dos carros 100% elétricos no total de matrículas, janeiro a maio de 2026.
| # | País | Elétricos | Quota |
|---|---|---|---|
| 1 | Noruega* | 52.787 | 98,0% |
| 2 | Dinamarca | 63.711 | 80,1% |
| 3 | Finlândia | 14.156 | 47,7% |
| 4 | Suécia | 45.787 | 40,8% |
| 5 | Islândia* | 2.371 | 39,1% |
| 6 | Malta | 1.236 | 38,4% |
| 7 | Bélgica | 66.026 | 35,6% |
| 8 | Países Baixos | 46.668 | 34,3% |
| 9 | Luxemburgo | 6.162 | 28,8% |
| 10 | França | 185.711 | 27,8% |
| 11 | Portugal | 27.134 | 24,5% |
* Países fora da União Europeia. Portugal surge em 11º, à porta do top 10. Fonte: ACEA. Quotas calculadas pelo EVMag a partir das matrículas por país. Média da UE: 20%.
Gasolina e gasóleo continuam a recuar
As matrículas de carros a gasolina caíram 18,2% nos cinco meses, para 1.065.071 unidades. A quota desceu para 22,4%, quando há um ano estava nos 28,5%. O gasóleo perdeu 16,6% e vale agora 7,6% do mercado, contra 9,5% em 2025.

Opinião de Pedro Miranda, Diretor Adjunto de Business Development da Ayvens Portugal
A eletrificação das frotas já não é uma hipótese. É uma questão de execução
A maior queda na gasolina coube à França, com menos 36,8%. Espanha (-20,3%), Alemanha (-18,5%) e Itália (-17,3%) acompanharam o movimento, todas com recuos de dois dígitos. O gasóleo caiu em todos os grandes mercados, embora a um ritmo mais lento que a gasolina.
Os híbridos plug-in, que a ACEA contabiliza à parte dos elétricos a bateria, ficaram nos 9,7% do mercado comunitário, acima dos 8,3% do ano anterior. Em unidades, foram 460.217 os plug-in matriculados na UE, mais 22,1% do que em 2025.
Dados ainda provisórios
A ACEA assinala que os números de 2026 são provisórios e podem ser revistos. A associação publica mensalmente o acumulado por mercado e motorização, com os valores de junho previstos para julho.
Os números resultam da agregação das associações automóveis nacionais e da S&P Global Mobility.


