O Tesla FSD Supervised não vai ser autorizado em França no estado em que se encontra. Philippe Tabarot, ministro dos Transportes, explicou a recusa numa resposta a um cidadão.
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Velocidade e atenção do condutor
O primeiro problema apontado pelo ministro está na velocidade. Quando deteta que os veículos em redor circulam mais depressa, o Tesla FSD acompanha o trânsito e pode seguir a 70 km/h numa zona limitada a 50 km/h, sem que o condutor o tenha pedido.
Em certos casos, disse Tabarot, o veículo chega a circular 50% acima do limite legal. “O código da estrada não é, portanto, respeitado”, afirmou Philippe Tabarot, ministro dos Transportes.

A segunda objeção incide sobre a monitorização de quem vai ao volante. Os dados de que o ministério dispõe indicam que o sistema não garante um nível de atenção suficiente em meio urbano e nas manobras mais exigentes, como mudanças de faixa, travessias de cruzamentos ou entradas em rotunda.
O ministro lembrou que a responsabilidade penal em caso de acidente continua a recair sobre o condutor, mesmo com a assistência ativada. Philippe Tabarot respondia em vídeo na plataforma governamental Agora, onde os cidadãos submetem perguntas ao Governo.
Paris não quer herdar a homologação neerlandesa
Em abril, o regulador neerlandês RDW autorizou o FSD Supervised em todas as estradas dos Países Baixos, por via de uma derrogação ao quadro regulamentar europeu. O regulador apoiou-se no artigo 39 do Regulamento 2018/858, que abre uma derrogação para tecnologias sem enquadramento próprio.
Tabarot descreveu essa opção como uma decisão de Haia de se afastar do quadro internacional e europeu em vigor, e recusou tratá-la como precedente para França.
“Em França, consideramos que este sistema traz um certo número de progressos tecnológicos, mas que as contrapartidas em termos de segurança ainda não são suficientes para uma autorização no estado atual”
Philippe Tabarot ministro dos Transportes, França
“Vários outros países europeus partilham estas reservas quanto ao nível de segurança do sistema”, declarou o ministro, para quem a posição francesa não está isolada. A Lituânia, a Estónia, a Dinamarca e a Bélgica seguiram a via aberta pela RDW e permitem hoje a ativação do sistema. A Finlândia e a Grécia estudam o mesmo caminho, segundo a Reuters.
O sistema que a Europa ainda não homologou
Vendido como capacidade de condução automatizada total, o FSD Supervised é um sistema de nível 2 na escala da SAE, o que obriga o condutor a manter a atenção na estrada e a poder assumir o controlo a qualquer momento. Tabarot fez questão de o sublinhar na resposta, ao dizer que o dispositivo não é um sistema de condução autónoma e que a condução continua a ser responsabilidade de quem está no lugar do condutor.
Já conheces?
A aprovação neerlandesa chegou a 10 de abril, ao abrigo da norma UN R171, que cobre os sistemas de assistência ao controlo do condutor, e depois de 18 meses de ensaios conduzidos pelo RDW. Até essa norma entrar em vigor, o quadro europeu assentava na UNECE R79, que limitava a aceleração lateral permitida e inviabilizava na prática o funcionamento do sistema em rotundas.
Um representante dos serviços do ministério francês deslocou-se aos Países Baixos na semana anterior à divulgação da resposta. As conversas técnicas com o RDW, com os restantes Estados-membros e com a própria Tesla continuam em curso. O ministério não fixou prazo para concluir a análise.
A votação fica para outubro
Para que o sistema chegue a todos os Estados-membros é preciso maioria qualificada no comité técnico para veículos a motor, com 15 dos 27 países a representar pelo menos 65% da população da União Europeia.
A reunião de 30 de junho voltou a discutir o dossier sem o colocar a votos, e a Reuters escreve que a votação não é esperada antes de outubro. Elon Musk reagiu no próprio dia, escrevendo no X que "adiar a aprovação do FSD em França vai custar vidas".
Portugal continua fora da lista
Portugal não consta do grupo de países que autorizaram o Tesla FSD. Sem homologação nacional, o sistema chega aos clientes portugueses com funcionalidades limitadas.
O pacote foi vendido no mercado nacional por 7.500 euros até fevereiro, quando a Tesla o converteu em subscrição mensal. A marca lidera as matrículas de elétricos em Portugal, com 6.275 ligeiros de passageiros no primeiro semestre, segundo a ACAP. Em junho, os 100% elétricos valeram 28,7% dos ligeiros de passageiros novos matriculados no país.

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França aponta a 2027
Além do caso Tesla, Tabarot traçou um objetivo mais largo para a homologação de veículos autónomos em França a partir de 2027. O ministro invocou as mais de 200 experiências com veículos autónomos realizadas no país desde 2015 e insistiu que a França apoia o desenvolvimento destas tecnologias.
Sistemas como o da Tesla foram desenhados para funcionar em qualquer ambiente, incluindo dentro das cidades, onde as situações são mais difíceis de antecipar. Paris já concedeu derrogações a sistemas da Ford e da BMW.
Com a Alemanha, o Luxemburgo e outros 15 países, a França lançou uma iniciativa de sítio de ensaio europeu para veículos autónomos, destinada a harmonizar regras entre Estados e a permitir a circulação à escala do continente. A reunião do ecossistema francês do veículo autónomo está marcada para o outono.
Fontes: Agora, resposta do ministro dos Transportes de França, 22 de julho de 2026; EVMag, aprovação do FSD Supervised pelo RDW e agenda do comité europeu; ACAP, matrículas de veículos automóveis por marca, janeiro a junho de 2026; Reuters, via republicação, posição francesa e calendário da votação europeia.





