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O futuro da mobilidade elétrica em Portugal

A mobilidade elétrica em Portugal deixou de ser uma promessa para se tornar um serviço público de qualidade, e a fiabilidade é a medida dessa qualidade.

Há precisamente um ano, a publicação do novo Regime Jurídico da Mobilidade Elétrica (RJME) redefiniu as regras do setor em Portugal. Doze meses depois, o balanço é claro: o quadro legal evoluiu mais depressa do que muitas operações no terreno – e é essa distância, entre o que a lei já permite e o que a maioria dos operadores já entrega, que hoje define quem lidera este mercado.

Para a Iberdrola | bp pulse, trouxe a confirmação de uma convicção que já tínhamos:  a de que esta fase de maturação do setor que exige escala, profissionalismo, planeamento e disciplina de execução. E o calendário que se segue só reforça essa leitura. Com a liberalização total do mercado prevista para 31 de dezembro de 2027, a separação de papéis entre operadores de carregamento, prestadores de serviços de mobilidade e gestão da rede vai favorecer quem já se preparou para essa arquitetura – não quem a tenta improvisar a partir de agora.

A nossa ambição é clara: ser sinónimo de proximidade, fiabilidade e consistência de serviço. Hoje, através de acordos bilaterais diretos com diversos Prestadores de Serviços de Mobilidade Elétrica (PSME), já operamos ao abrigo do novo regime. Para os condutores, a mensagem é simples: nada muda na experiência a que já estão habituados. A mesma simplicidade de sempre, agora sustentada por acordos diretos entre operadores.

Esta ambição ganha ainda mais relevância porque o panorama nacional está longe de a acompanhar: Portugal enfrenta hoje um mercado fragmentado, com níveis desiguais de fiabilidade – taxas de disponibilidade operacional instáveis, ou seja, postos que falham ou ficam fora de serviço com mais frequência do que seria aceitável, e insuficiência de acesso a potência – e é essa fragmentação que deverá acelerar a consolidação do mercado em torno das redes mais robustas e consistentes.

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O futuro da rede

Estamos profundamente convictos de que o futuro do carregamento público passa pelo carregamento ultrarrápido. As novas gerações de veículos elétricos trazem baterias maiores e arquiteturas de maior tensão, capazes de recuperar a maior parte da autonomia em poucos minutos. Para quem não tem acesso a carregamento privado, esta rapidez aproxima a experiência de carregar um elétrico à de abastecer um veículo a combustão: parar, carregar, seguir viagem. E é também nos usos profissionais e turísticos – frotas, TVDE, distribuição, viagens de longa distância – que a velocidade de carregamento se torna decisiva, porque o tempo parado é, direta ou indiretamente, um custo. Não é perceção: hoje, quatro em cada cinco novos KWh injetados na rede pública de carregamento em Portugal já são feitos na rede DC (corrente contínua).

Assim, o futuro da nossa rede passa pelo controlo das melhores localizações estratégicas para a instalação de hubs de carregamento ultrarrápido, garantindo que a conveniência para o condutor é prioritária. A isto aliamos uma dimensão de rede com escala nacional relevante, proporcionando a confiança de que um condutor encontrará um posto disponível – e a funcionar – onde quer que viaje em Portugal.

Mede-se também na capacidade de garantir a potência que cada sessão exige. A insuficiência de acesso à potência, continua a ser um dos maiores desafios da indústria em Portugal, e é uma área onde continuamos a investir de forma consistente.

Para sustentar este investimento, a inovação na gestão de energia é vital. A utilização de soluções de armazenamento em baterias, por exemplo, permite avançar com a instalação de hubs mesmo em locais onde o reforço da rede seria impossível ou demasiado caro, mas permite também criar infraestruturas transitórias de reforço de potência locais enquanto o reforço de rede está a ser efetuado, antecipando soluções para o mercado.

A eficiência operacional resultante desta abordagem traduz-se também num maior controlo de custos, o que permitirá sustentar, no futuro, preços mais competitivos para o consumidor final.

A par disso, a expansão da rede esbarra sobretudo num obstáculo processual: o principal fator limitador continua a ser o acesso atempado à rede de distribuição, um processo que atravessa múltiplas entidades e cujos prazos raramente acompanham o ritmo que o setor exige. Este caminho, que decorre até ao final do período de transição em 2027, exige por isso solidez financeira e capacidade técnica – e é isso que temos vindo a construir, ano após ano.

A mobilidade elétrica em Portugal deixou de ser uma promessa para se tornar um serviço público de qualidade, e a fiabilidade é a medida dessa qualidade.

Estamos empenhados em continuar a construir uma rede pensada por e para os utilizadores – porque um ano depois da lei, a pergunta que importa já não é o que prometemos, é o que entregamos a cada sessão de carregamento.

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Infografia gerada por IA

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