Dois Nissan Leaf ZE1 com os mesmos 150.000 km podem estar separados por 13,5 pontos percentuais de saúde da bateria. É o intervalo que a Aviloo encontrou em 500.000 testes a elétricos usados, sobre uma mediana de 86,3% para o modelo nessa quilometragem.
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Quatro modelos, quatro curvas
O Tesla Model Y de 78,8 kWh, o carro mais vendido do mundo em qualquer motorização durante três anos consecutivos, aparece com uma mediana de 94,5% aos 50.000 km e de 90,3% aos 150.000 km. Em autonomia real por carga, as contas da Aviloo apontam para 379 km no primeiro marco e 362 km no último. A dispersão entre unidades chega aos 11 pontos de SoH, o equivalente a 46 km. Em Portugal, a Tesla lidera as matrículas de elétricos em 2026, com 6.512 unidades até agosto, segundo os dados da ACAP.

Melhor do que todos ficou o Hyundai Ioniq 5 de 72,6 kWh, que parte de 97,2% aos 50.000 km e ainda mantém 92,8% aos 150.000, com a autonomia real a descer de 335 para 319 km. O Volkswagen ID.4 de 77 kWh segue-lhe atrás com 95,3% e 90,6% nos mesmos dois pontos, e 373 km que passam a 354 km. Em nenhum dos dois a dispersão é pequena: no Ioniq 5 ultrapassa os 12 pontos, no ID.4 anda entre 11 e 12, e vale 42 e 45 km de autonomia real.
Com metade da capacidade dos outros três, o Nissan Leaf ZE1 de 40 kWh regista as medianas mais baixas do quarteto, 91,1% aos 50.000 km e 86,3% aos 150.000. A autonomia real desce de 196 para 185 km. É também o modelo com maior dispersão entre exemplares, os tais 13,5 pontos, ainda que a diferença se traduza em apenas 29 km precisamente porque a bateria é pequena. A Aviloo associa o resultado à frequência de carregamento que uma bateria destas exige para cobrir a mesma distância.
Relatório não explica dispersão
Em nenhum ponto do documento, a Aviloo esclarece por que razão dois exemplares do mesmo modelo, com a mesma quilometragem, chegam a ficar separados por mais de doze pontos de estado de saúde.
A empresa não divulga a dimensão da amostra por modelo, nem desagrega os resultados por idade do veículo, versão de bateria, clima ou hábitos de carregamento, uma lacuna assinalada pela Best Magazine. Questionada por email pelo InsideEVs, apontou três fatores para a variação: climas quentes, carregamento rápido frequente e o hábito de deixar o carro a 100% durante horas seguidas.
“Os fabricantes usam também químicas de bateria diferentes, com compromissos diferentes, por isso até hábitos de carregamento idênticos podem produzir resultados muito diferentes entre modelos”, afirmou por email um representante da Aviloo ao InsideEVs.
Essa explicação vale para as diferenças entre modelos, não para as que existem dentro do mesmo. Há ainda um efeito que a metodologia declarada não permite isolar: como o relatório junta várias capacidades de bateria sob um único nome de modelo, parte do que aparece como variação entre carros iguais pode ser variação entre versões diferentes do mesmo carro. A Aviloo não separa os dois casos.
Médias que escondem
“A verdade nestes dados é que as médias escondem muito. Sim, as baterias dos elétricos estão a envelhecer melhor do que sugere o mito de que se gastam depressa, mas não é isso o mais útil que este relatório diz. O que importa é que a saúde da bateria varia de forma significativa entre modelos, e ainda mais entre carros individuais do mesmo modelo. Uma diferença de dez ou quinze por cento no estado de saúde é uma diferença real de autonomia, do que o carro vale e daquilo com que se pode contar”.
A afirmação é de Marcus Berger, CEO da AVILOO, citado no comunicado de imprensa.
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Diagnóstico em 3 minutos
O FLASH Test demora três minutos e faz-se pela porta OBD do veículo. Em vez de ler o valor gerado pelo sistema de gestão da bateria, a Aviloo calcula o SoH com um modelo estatístico treinado em centenas de milhares de veículos usados comparáveis, cruzando a avaliação interna do carro com quilometragem, idade, número de ciclos, dispersão de tensão entre células e contagens de energia. O argumento da empresa é que o valor mostrado ao condutor varia consoante o fabricante e o software.
A Aviloo vende o teste que recomenda.
Isso não a impediu de conquistar a indústria. Mercedes-Benz, Volvo e Porsche Holding escolheram-na como fornecedor independente preferencial para os concessionários europeus, tanto em viaturas da própria marca como em retomas. Nas locadoras, a Ayvens, que tem operação em Portugal, e a Arval integraram o teste nos processos de remarketing de fim de contrato, enquanto os leiloeiros BCA e Cox Automotive o levaram para as suas operações europeias. Os grupos de concessionários Hedin e Emil Frey também já o usam.
Como a Aviloo mediu a saúde da bateria
Foram 500.000 testes independentes, realizados entre 2022 e 2026 sobre 20 modelos elétricos, o material que sustenta a primeira edição do AVILOO Certified EV Battery Report, publicado a 2 de setembro. O conjunto é um subconjunto da base de diagnóstico da empresa austríaca, que já ultrapassa um milhão de testes na América do Norte e do Sul, na Europa, na Austrália e na Ásia.
O estado de saúde, ou SoH, é a percentagem da capacidade útil original que ainda resta: uma bateria a 95% entrega aproximadamente 95% da autonomia que entregava em novo. Para cada modelo, a Aviloo calcula a mediana desse valor em três marcos de quilometragem, 50.000, 100.000 e 150.000 km, e acrescenta-lhe um intervalo de previsão desenhado para conter 99% dos veículos testados em cada ponto. Os valores agregam várias capacidades de bateria dentro do mesmo modelo.
O relatório passa a ter duas edições por ano.
Fontes: AVILOO, comunicado de lançamento do AVILOO Certified EV Battery Report, 2 de setembro de 2026; InsideEVs, declarações da AVILOO por email, 2 de setembro de 2026; Best Magazine, análise à metodologia do relatório, 2 de setembro de 2026; electrive, “Battery health of used EVs varies significantly”, 2 de setembro de 2026.




