Durante anos, o debate sobre a eletrificação do parque automóvel focou-se sobretudo nos veículos: autonomia, tempos de carregamento, incentivos fiscais ou preços de aquisição. São, naturalmente, tópicos incontornáveis, mas acabam por deixar em segundo plano uma questão que será cada vez mais determinante para empresas e gestores de frota: o impacto da eletrificação na forma como a mobilidade é gerida.
À medida que as frotas empresariais incorporam cada vez mais veículos eletrificados, os veículos tornam-se mais eficientes, mas, paradoxalmente, a gestão da mobilidade torna-se também mais exigente.
Hoje, uma decisão de frota envolve muito mais do que escolher uma motorização. Implica avaliar diferentes tecnologias, gerir infraestruturas de carregamento, acompanhar alterações regulatórias, compreender impactos fiscais, antecipar valores residuais e garantir que tudo isto se traduz numa operação eficiente e sustentável.
É precisamente esta transformação que está a alterar a forma como as empresas deviam encarar a mobilidade. Os dados ajudam a perceber porquê: quando olhamos, por exemplo, para a manutenção dos veículos, o Outlook de Mercado Auto | Primavera/Verão da Ayvens mostra-nos que, quando comparados com modelos equivalentes a combustão ao longo de quatro anos e cerca de 160 mil quilómetros, os custos de manutenção dos veículos elétricos podem representar apenas 45% a 50% dos registados nos veículos com motor a combustão.
Este resultado é consequência da própria arquitetura dos veículos elétricos, com menos componentes sujeitos a desgaste e menos necessidades de manutenção periódica. Mas a principal conclusão não está na redução dos custos de manutenção, mas no que esta representa.
A eletrificação está a tornar uma parte significativa dos custos totais de utilização dos veículos mais previsível e mais controlável. Numa altura em que as empresas operam com crescente pressão sobre custos, eficiência e cumprimento de objetivos de sustentabilidade, essa previsibilidade tem um valor estratégico cada vez maior. No entanto, seria um erro concluir que a gestão da mobilidade se está a tornar mais simples.
À medida que os veículos evoluem, aumentam também as variáveis que as empresas têm de acompanhar: a evolução tecnológica das baterias, a gestão das soluções de carregamento, a especialização técnica necessária para determinadas intervenções (e respetiva escassez de técnicos com essa especialização), a volatilidade regulatória e a necessidade de tomar decisões com impacto de longo prazo tornam o ecossistema da mobilidade mais sofisticado do que nunca.
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Os veículos são mais eficientes, mas o contexto em que são geridos é complexo. Durante décadas, a discussão esteve centrada na aquisição e posse de veículos. Hoje, o foco está progressivamente a deslocar-se para a capacidade de garantir mobilidade de forma eficiente, previsível e sustentável.
As empresas procuram cada vez menos gerir automóveis e cada vez mais gerir resultados: controlar custos, minimizar risco operacional, assegurar disponibilidade e cumprir objetivos ambientais sem aumentar a complexidade da sua operação.
É por isso que a eletrificação deve ser vista como muito mais do que uma mudança tecnológica. Está a acelerar uma nova forma de encarar a mobilidade, em que o valor deixa de estar apenas no ativo e passa a estar na capacidade de gerir de forma integrada todas as variáveis que influenciam a sua utilização.

Infografia gerada por IA




