Mais de cinco milhões de carros elétricos foram vendidos no mundo entre abril e junho, 35% acima do primeiro trimestre de 2026. Cinquenta países registaram nesse período o melhor trimestre de sempre.
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Cinquenta países com máximos trimestrais
A Agência Internacional de Energia (IEA) publicou o relatório “Electric Car Markets in a Time of Uncertainty”, que atualiza o Global EV Outlook 2026 com os dados do primeiro semestre. Além dos 35% face ao trimestre anterior, as vendas de abril a junho ficaram 4% acima das do segundo trimestre de 2025.

O semestre completo conta outra história. Somando os dois trimestres, venderam-se mais de nove milhões de carros elétricos em todo o mundo, cerca de 1% abaixo do primeiro semestre de 2025, porque a recuperação de abril a junho não chegou para compensar a queda de janeiro a março.
O mercado automóvel no seu conjunto caiu mais. As vendas mundiais de automóveis recuaram cerca de 5% em termos homólogos no primeiro semestre, arrastadas pela China e pelos Estados Unidos, o que fez subir a quota dos elétricos para 24% do total, um ponto acima do primeiro semestre de 2025.
União Europeia passa os 30% de quota
Na Europa, o crescimento foi o mais forte entre os grandes mercados de elétricos. As vendas do primeiro semestre ficaram 30% acima do mesmo período de 2025, com a Alemanha a somar 140.000 unidades face ao ano anterior, o Reino Unido 100.000, a França 95.000, a Itália 75.000 e a Espanha 40.000.
A quota subiu com o volume. No conjunto da União Europeia, os carros elétricos passaram a representar mais de 30% das vendas totais de automóveis no primeiro semestre de 2026, contra 27% em 2025, e no Reino Unido chegaram aos 38%.
A crise energética começou a 28 de fevereiro
O conflito no Médio Oriente que desencadeou a crise energética teve início a 28 de fevereiro de 2026, e a IEA aponta a exposição do transporte rodoviário como o motivo pelo qual os elétricos voltaram ao centro da discussão política, já que quase metade do petróleo consumido no mundo é queimado em veículos de estrada.
A resposta do consumidor apareceu depressa em alguns mercados: na Austrália, uma subida de 34% no preço da gasolina coincidiu com vendas de carros elétricos em abril próximas do triplo das de abril de 2025.
Estados Unidos descem para 7% de quota
Nos Estados Unidos, as vendas de elétricos no segundo trimestre passaram das 275.000 unidades, mais 20% do que no primeiro trimestre, mas cerca de um quarto abaixo do segundo trimestre de 2025. A IEA atribui parte da queda ao fim do crédito fiscal federal, que expirou no final do terceiro trimestre de 2025.
A quota média americana no primeiro semestre ficou nos 7%, contra os 10% registados ao longo de 2025. O mercado automóvel americano no seu conjunto caiu mais de 3% em termos homólogos.
Já conheces?
China perde um quinto do mercado total
O mercado automóvel chinês perdeu mais de 20% das vendas no primeiro semestre segundo a CPCA, o equivalente a 2,5 milhões de carros a menos do que em igual período de 2025. Os automóveis convencionais caíram 30% e os elétricos menos de 20%, uma diferença que a IEA associa à revisão do programa de troca de veículos no início de 2026, com corte no subsídio aos modelos mais baratos.
A quota interna foi no sentido contrário. Os elétricos representaram mais de 60% das vendas de automóveis na China no segundo trimestre, quando em 2025 tinham ficado abaixo dos 55%.
Para o ano inteiro, a IEA espera que a China venda 13,2 milhões de carros elétricos, valor próximo do de 2025, com a quota anual a superar os 60% pela primeira vez.
Mais de um milhão de elétricos chineses por registar
Mais depressa do que as vendas cresceram as exportações. As saídas de carros elétricos da China aumentaram mais de 120% no primeiro semestre, contra 75% de crescimento nas vendas desses veículos no estrangeiro, e a fatia de elétricos no total exportado pelo país subiu de mais de 35% em 2025 para mais de 45% no primeiro semestre de 2026.
A diferença acumulou-se em stock. A IEA estima que, ao longo dos últimos 18 meses, mais de um milhão de carros elétricos exportados pela China ainda não tenham sido registados como venda noutro país, e admite que parte esteja parada em inventário nos mercados de destino, para lá do que o tempo de transporte marítimo explica. Na União Europeia, as importações chinesas mantiveram-se estáveis em torno de 20% das vendas de elétricos.
A própria nota metodológica do documento define “EV” como veículo elétrico a bateria e híbrido plug-in em conjunto, pelo que nenhum dos números globais acima é exclusivamente BEV.
Portugal fica de fora dos dados
Em nenhum quadro ou gráfico do relatório aparece Portugal com valores próprios. O país é mencionado apenas no anexo, na lista de economias avançadas e na lista de Estados-membros da União Europeia, o que obriga a ir à ACAP para ler o mercado nacional.
No primeiro trimestre de 2026 foram matriculados em Portugal 15.136 ligeiros de passageiros 100% elétricos, uma variação homóloga de 24,3%, correspondentes a 23,6% do total de ligeiros de passageiros novos. Só em março foram 6.063 unidades, 22,7% do mês. A comparação direta com os mais de 30% da União Europeia não é possível, porque a contagem nacional exclui os híbridos plug-in e a da IEA inclui-os.
O relatório lista ainda as medidas europeias anunciadas depois do início da crise, entre elas o esquema de abate irlandês com 5.000 euros para 2.000 candidatos, o programa de troca holandês para famílias de baixos rendimentos, a extensão espanhola das deduções fiscais até 31 de dezembro de 2026 e a subida do financiamento francês à eletrificação para 10 mil milhões de euros anuais até 2030.
Fontes: IEA, “Electric Car Markets in a Time of Uncertainty”, 30 de julho de 2026; IEA, comunicado de apresentação do relatório; IEA, Global EV Outlook 2026, maio de 2026; EVMag, mercado português no primeiro trimestre de 2026, com dados ACAP.




