Uma em cada três vendas de BEV na Europa pode pertencer a marcas chinesas em 2035. A projeção é da Transport & Environment (T&E).
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Metas de CO2 fracas duplicam a quota chinesa em 2035
Com as metas atuais de CO2 para 2030 e 2035, definidas pela Comissão Europeia, as marcas chinesas ficariam nos 15% do mercado europeu de BEV em 2035. Com a versão mais branda proposta pelo relator do dossier no Parlamento, Massimiliano Salini, a quota duplica para 30%, calcula o relatório Transport & Environment (T&E).
Hoje, os elétricos importados da China valem 9% das vendas de BEV na UE, de acordo com a mesma fonte. Com metas enfraquecidas, a T&E projeta 17% em 2035; com as metas intactas, o valor desceria para 8%.
Registos de BEV chineses duplicaram
Mas os números variam consoante a fonte.Em junho, 15% dos BEV entregues na Europa tinham marca chinesa, segundo dados da Dataforce divulgados pela TechNode.
Já em abril os registos destas marcas tinham mais do que duplicado face a 2025, para 38.281 unidades, recorde assinalado pela Bloomberg. No mercado automóvel total, a quota chinesa de junho ficou nos 11%.
BYD ultrapassa Tesla nas vendas europeias
A BYD matriculou 135.307 automóveis na Europa entre janeiro e maio; a Tesla ficou pelos 118.068, de acordo com os registos da Dataforce. A marca norte-americana caiu para perto de 2% do mercado da UE, num semestre em que o Model Y renovado enfrentou concorrência mais dura e procura mais fraca.

Em junho, a MG liderou o total de matrículas entre as marcas chinesas, com uma vantagem inferior a 400 unidades sobre a BYD. Mais atrás, a Leapmotor cresceu acima de 550% no acumulado do ano.
Tarifas não travaram as marcas chinesas
O relatório ajuda a explicar a resistência às tarifas em vigor desde outubro de 2024. A BYD, taxada a 17%, mais do que duplicou as importações de BEV para a UE, enquanto a SAIC, dona da MG e com uma taxa de 35%, viu as entradas quase caírem para metade entre 2023 e 2025. Mais de metade dos elétricos importados da China pertence hoje a marcas chinesas.
Os BEV das marcas chinesas vendem-se, em média, 21% abaixo dos preços dos construtores europeus.
As importações estabilizaram nas 350.000 unidades anuais, e a queda do made in China para 17% das vendas de BEV na UE deve-se sobretudo à transferência de produção da Tesla, da BMW e da Volvo para a Europa. Em 2021, a Tesla sozinha valia 55% dos elétricos importados da China; no primeiro trimestre de 2026 valia 19%.
Os híbridos plug-in, isentos das taxas adicionais, servem de porta lateral às tarifas, com as marcas chinesas a deterem 13% desse mercado, contra 3% em 2024.
Dez fábricas anunciadas na Europa
Desde setembro de 2023, quando a Comissão Europeia abriu a investigação antissubsídios, os construtores chineses anunciaram dez unidades de produção na Europa, concentradas na Turquia, na Hungria e em Espanha.
Já conheces?
Mesmo assim, a T&E estima que os BEV fabricados na China continuem a representar 60% das vendas das marcas chinesas na Europa, com o volume a passar das 350.000 unidades de 2025 para 850.000 em 2035. No limite, esses volumes podem deslocar produção equivalente a dez fábricas de construtores históricos.
As baterias ficaram fora das taxas e as importações chinesas multiplicaram-se por sete entre 2020 e 2025, para perto de 30 mil milhões de dólares. A T&E defende uma tarifa de 20% nesse segmento, com um impacto médio de 2,8% no preço dos BEV produzidos na UE.
“As tarifas da UE funcionaram até certo ponto. Os construtores ocidentais transferiram produção para a Europa e os fabricantes chineses começaram a produzir localmente. Mas a competitividade das empresas europeias na tecnologia dos elétricos e das baterias continua em jogo. As normas de CO2 são a chave para construir o mercado de elétricos na Europa, mas se a UE quer uma cadeia de baterias forte, vai precisar de combinar incentivos e proteção”, afirmou Lucien Mathieu, diretor da área de automóveis da T&E, em comunicado, numa tradução do EVMag.
BEV com 20,7% na UE e 25,3% em Portugal
No primeiro semestre, os BEV atingiram 20,7% das vendas na União Europeia, contra 15,6% um ano antes, segundo a ACEA. O mercado automóvel total cresceu 5,7% no mesmo período, com a Itália a crescer 75,7% nos elétricos até maio, seguida de França (55,4%) e Alemanha (40,9%).
Em Portugal, os BEV chegaram a 25,3% das matrículas de ligeiros de passageiros no semestre, acima da média da UE, segundo os dados da ACAP divulgados pela imprensa especializada. A Tesla manteve a liderança do segmento elétrico nacional até maio, com 4.400 unidades desde o início do ano. A XPENG avançou 161,9% no semestre e a BYD, terceira nos BEV em maio, somou mais 44% nas matrículas totais.
Fontes: Transport & Environment, relatório “The presence of Chinese automakers in the EU car market”, 13 de julho de 2026, e comunicado; TechNode e The Next Web, dados Dataforce de junho de 2026; Bloomberg, dados Dataforce de abril; ACEA, matrículas do primeiro semestre de 2026.




