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Dataforce: carros elétricos passam dos 50% das matrículas europeias até 2031

Mais de metade dos automóveis de passageiros matriculados na Europa serão elétricos a bateria em 2031, de acordo com a Dataforce.

Mais de metade dos automóveis de passageiros matriculados na Europa serão elétricos a bateria em 2031, de acordo com a Dataforce.

Ouve o resumo do artigo:

Áudio gerado por IA

Resumo
BEV a 53% das matrículas em 2031
Passam a gasolina como combustível mais vendido nos automóveis de passageiros, prevê a Dataforce.
Metas de CO₂, fiscalidade e custos puxam a mudança
O ETS-2, agora previsto para 2028, vai encarecer o gasóleo e a gasolina.
Carrinhas elétricas chegam a 11,4% das frotas
Quota de BEV nos comerciais ligeiros subiu de 6,4% em 2022, mas o diesel mantém mais de 80%.
Pesados elétricos ainda abaixo de 2%
Nos camiões, os BEV passaram de 0,4% em 2022 para 1,9% em 2025; o diesel domina com mais de 95%.

Passageiros: carros elétricos vão chegar à liderança

A previsão consta do EU Vehicle Market Insights Report 2026 da Dataforce, divulgado a 24 de junho, e coloca os BEV à frente da gasolina como tipo de combustível mais vendido antes do fim da década.

Em 2025, os BEV representavam 20% das matrículas de passageiros consideradas pela Dataforce, contra 56% dos motores a combustão, somando gasolina e diesel. Já em 2026 sobem para 22%, com a combustão a descer para 51%.

A projeção mantém o sentido até ao fim da década. Em 2031, a Dataforce coloca os elétricos a bateria em 53% e a combustão em 22%.

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A Dataforce estima que em 2031 os carros elétricos representem 53% das vendas na Europa | imagem gerada por IA

O que está por trás da viragem

Três fatores puxam a mudança. As metas de CO₂ da UE, conhecidas pela sigla EU-CAFE, apertam de forma calendarizada a média de emissões que cada fabricante pode vender sem penalização. Junta-se a fiscalidade dos automóveis de empresa, que em vários mercados pesa contra a combustão. E o custo total de propriedade dos BEV continua a descer.

Dentro da combustão, é o diesel que perde mais depressa, pressionado por restrições à circulação nas cidades e pela subida dos custos de utilização. A gasolina cede terreno de forma mais gradual. O pano de fundo é o regulamento europeu que exige zero emissões de CO₂ nos automóveis ligeiros novos a partir de 2035.

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Infografia gerada por IA

Os números da projeção excluem híbridos e outros tipos de combustível, pelo que a soma de BEV e combustão não chega a 100%. O espaço entre as duas curvas é ocupado pelos híbridos, que a Dataforce espera ver estabilizar à medida que os elétricos a bateria se tornam a opção predominante.

A prazo, a consultora resume a trajetória à evolução da autonomia, à rapidez do carregamento e ao preço de compra. A pressão regulatória soma-se a esses fatores.

Carregamento e o custo do fóssil

Os pontos de carregamento público na Europa ultrapassaram um milhão em 2025.

A Dataforce identifica a distribuição desigual desses pontos e o acesso limitado a carregamento doméstico em algumas regiões como os principais travões de curto prazo.

Do lado dos custos, o relatório aponta para a entrada do ETS-2, que situa agora em 2028. É um regime europeu de comércio de licenças de emissão distinto do que já existe para a indústria e a energia, dirigido aos combustíveis usados nos transportes rodoviários e nos edifícios.

Ao colocar um preço sobre o carbono destes setores, encarece o gasóleo e a gasolina.

Comerciais ligeiros puxam as frotas

São os ligeiros os responsáveis pela eletrificação dentro das frotas. A Dataforce conta aqui as frotas reais, descontando as de fabricantes e concessionários. Nos comerciais ligeiros (LCV), a quota de BEV estava em 6,4% em 2022.

Não chegou aos 11,4% de 2025 de uma vez. Subiu a 8,5% em 2023, caiu para 7,3% em 2024 e só depois deu o salto.

Passageiros na Europa: quota por tipo de combustível
Tipo de combustível20252026projeção2031projeção
BEV (elétricos a bateria)20%22%53%
Combustão (gasolina + diesel)56%51%22%
Quota nas matrículas de automóveis de passageiros, sem incluir híbridos e outros tipos de combustível, pelo que os valores não perfazem 100%. Fonte: Dataforce, EU Vehicle Market Insights Report 2026.

De acordo com a Dataforce há três razões para esta subida. Por um lado, as cidades apertaram a circulação nos centros e a entrega de última milha passou a pedir veículos limpos. A isto junta-se uma maior oferta de carrinhas elétricas.

O diesel não largou o segmento: em 2025 ainda valia mais de 80% das matrículas de ligeiros. Os PHEV aparecem aqui e ali, em operadores que querem cumprir as regras sem perder flexibilidade, num papel que a Dataforce considera de passagem.

Pesados ainda no arranque

Nos pesados, a fotografia conta outra história. A quota de BEV nos camiões acima de 7 toneladas, autocarros à parte, subiu de 0,4% em 2022 para 1,9% em 2025. Em 2023 ficou nos 0,9%, em 2024 nos 1,2%.

Aqui o diesel pesa mais de 95%.


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Os entraves são estruturais, faltando ainda uma rede de carregamento para camiões

Há ainda quem use gás como ponte. O gás natural liquefeito (GNL) e outras soluções a gás aguentam-se no segmento, para frotas que querem cortar emissões sem saltar já para o elétrico.

Três estudos num relatório

São três os estudos que a Dataforce condensa num só relatório. Um cobre os automóveis de passageiros, os outros dois repartem os ligeiros e os pesados. Os dados vêm de 30 mercados europeus: os 27 da UE, mais a Noruega, a Islândia e a Suíça.

A Dataforce separa ainda as vendas por canal. De um lado os particulares, do outro as frotas empresariais, e há também as matrículas que os próprios fabricantes geram.

Para os pesados há um módulo à parte, que desce ao detalhe das classes de peso, das carroçarias e das marcas mais presentes. As contas vão até 2031 e contam com a regulação que aí vem, a rede de carregamento a crescer e o custo de ter o veículo ao longo da vida.

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