A Xiaomi contratou o responsável pela distribuição para a Europa Central na Tesla, que vai encabeçar a logística na Europa. A contratação foi confirmada pelo próprio Dieter Lorenz numa publicação no LinkedIn.
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O perfil: seis anos a construir a logística europeia da Tesla
Dieter Lorenz entrou na Tesla em 2020 como supervisor de operações na Alemanha. Ao longo de seis anos, foi subindo na hierarquia até chegar a Senior Manager de Delivery Operations para toda a Europa Central. Era um dos nomes com mais peso na cadeia de entrega europeia da marca norte-americana.
Na publicação onde anunciou a saída, Lorenz escreveu que está “agora a olhar para o próximo capítulo como Head of Delivery & Logistics Europe na Xiaomi Technology, com novos desafios e oportunidades”.

Lorenz não é o único. Pelo menos outro colaborador de operações da Tesla na Europa acompanhou-o para a Xiaomi. Marvin M., com funções operacionais na região, comentou a publicação de Lorenz confirmando que continuariam a trabalhar juntos na nova empresa.
A Xiaomi está a montar uma equipa operacional europeia de raiz
A contratação de Lorenz não é um movimento isolado. A Xiaomi abriu o seu Centro de I&D e Design Europeu em Munique, em setembro de 2025, liderado por Rudolf Dittrich, antigo responsável na BMW Motorrad, e Kai Langer, ex-diretor de design da BMW i. Na altura, o centro foi apresentado como a base para a expansão europeia da marca.

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Agora o movimento estende-se para além da investigação e do design. Há recrutamento ativo para country manager, responsável de operações de retalho e especialistas em logística de veículos em vários mercados europeus, incluindo a Alemanha, a França e Espanha. A Xiaomi também contratou recentemente Kong Yanshuang, ex-diretor-geral da Tesla na China, para liderar as operações de vendas automóvel.
Quem contrata um responsável de logística de entregas para um continente inteiro está a preparar entregas reais, não operações de relações públicas.
O que a Xiaomi tem para mostrar
A entrada na Europa em 2027 está confirmada. Em 2025, a Xiaomi entregou mais de 410 mil veículos elétricos na China. O objetivo para 2026 são 550 mil unidades. O SU7 atualizado, apresentado este ano, registou 15 mil encomendas em 34 minutos.
Do ponto de vista do produto, a gama começa no SU7, uma berlina elétrica que compete diretamente com o Tesla Model 3 na China, e inclui o YU7, um SUV que registou 240 mil pré-encomendas nas primeiras 18 horas após o lançamento. Os preços praticados na China ficam muito abaixo dos equivalentes europeus das marcas estabelecidas. A tradução para o mercado europeu, incluindo tarifas e custos de homologação, ainda não tem números confirmados.
Saídas acumulam-se
As saídas na Tesla têm-se acumulado. Desde meados de 2024, a marca perdeu nomes seniores em finanças, engenharia, fabrico, vendas e gestão de programas.
Já conheces?
Perder os responsáveis que conhecem o funcionamento das operações de entrega em vários países europeus após um ano de queda nas vendas (com grande recuperação em março) pode ter um grande impacto na companhia norte-americana. Para a Xiaomi, recrutar quem sabe exatamente como a Tesla opera neste território é um atalho de vários anos no processo de construção de uma rede própria.
A Xiaomi confirmou 2027 como o primeiro ano de vendas na Europa. Com a infraestrutura operacional a ser montada agora, esse calendário começa a ter credibilidade.






