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BYD e Xpeng querem assumir fábricas europeias subutilizadas

BYD e Xpeng são os primeiros a confirmar negociações. Os construtores chineses andam à procura de fábricas europeias de automóveis.

A BYD e a Speng estão em conversações com construtores europeus para comprar fábricas automóveis na Europa.

Ouve o resumo do artigo:

Áudio gerado por IA

Resumo
BYD e Xpeng anunciam no mesmo dia
Conversações com fabricantes europeus reveladas a 13 de maio, na cimeira FT Future of the Car em Londres.
BYD aponta a Stellantis e a Itália
Stella Li exclui joint ventures: a marca quer operar as fábricas em controlo direto.
Xpeng negoceia com a Volkswagen
Magna Steyr austríaca a esgotar capacidade. A VW detém 5% da Xpeng desde 2023.
Europa com 1,25 milhões de unidades a menos
Corte planeado pela VW até 2030. Produção local contorna tarifas antidumping aplicadas desde outubro de 2024.

Chineses confirmam interesse em fábricas

A BYD está em conversações com a Stellantis e outras marcas europeias para assumir fábricas paradas no continente. No mesmo dia e na mesma cimeira em Londres, a Xpeng confirmou que negoceia com a Volkswagen a compra de uma unidade de produção.

Os dois anúncios foram feitos na conferência FT Future of the Car, e desenham um padrão: a indústria chinesa quer ocupar a capacidade industrial que sobra na Europa.

BYD aponta a Stellantis e a Itália

Stella Li, vice-presidente executiva da BYD, confirmou as conversações em entrevista à Bloomberg, à margem da cimeira. A executiva, que dirige a operação internacional do grupo, especificou que os contactos vão além da Stellantis. Em Itália, segundo a fonte, estão fábricas em cima da mesa.

Stella Li
Stella Li @BYD

“Não estamos apenas a falar com a Stellantis, mas também com outras empresas.”, disse Li. À Reuters, citada pela imprensa internacional a propósito do mesmo encontro, acrescentou que a BYD não pretende avançar por via de joint ventures: “É muito difícil fazer uma parceria e pedir autorização a outra pessoa. Preferimos gerir tudo por conta própria..”

A posição é coerente com a estratégia industrial recente da marca. A BYD já tem uma fábrica em fase de produção experimental na Hungria e uma unidade anunciada para a Turquia, com investimento de mil milhões de dólares. A diferença, agora, é o salto para infraestrutura já instalada: em vez de construir de raiz, a BYD quer comprar capacidade que outros não conseguem ocupar.

Xpeng quer comprar fábrica à Volkswagen

Mais discreto, mas no mesmo registo, foi o anúncio da Xpeng. Elvis Cheng, diretor da marca para o nordeste europeu, revelou na mesma conferência que está em negociações com a Volkswagen para encontrar uma localização de produção na Europa. A informação foi avançada pelo Financial Times, que cobriu a sessão.

A Volkswagen detém uma participação de cerca de 5% na Xpeng, adquirida em 2023 por 700 milhões de dólares.

fábricas

Infografia gerada por IA

A Xpeng monta atualmente os modelos G6 e G9 na fábrica da Magna Steyr, na Áustria, em regime de produção por contrato. Essa linha está a esgotar a capacidade. Cheng admitiu também a hipótese de construir uma unidade de raiz, sublinhando que nem todas as fábricas atuais servem os requisitos dos novos modelos. As fábricas da Volkswagen, observou, são “um pouco velhas”.

Stellantis já tinha aberto a porta com a Leapmotor

Os dois movimentos chegam dias depois de a Stellantis ter anunciado um aprofundamento da parceria com a Leapmotor, outro fabricante chinês. A 8 de maio, o grupo confirmou que vai acrescentar uma nova linha de produção na fábrica de Zaragoza, em Espanha, para produzir um SUV elétrico Opel e o Leapmotor B10.

No mesmo plano, a Stellantis prevê transferir a propriedade da unidade de Villaverde, em Madrid, para a subsidiária espanhola da Leapmotor International. A unidade passará a fabricar novos modelos da marca chinesa, fora da estrutura industrial direta da Stellantis.

A Volkswagen, por seu lado, já tinha admitido em abril a possibilidade de ceder capacidade europeia excedentária a parceiros chineses. Oliver Blume, CEO do grupo alemão, anunciou então um plano para reduzir a produção anual em cerca de 750.000 unidades até 2030, e prevê retirar mais 500.000 unidades de capacidade em fábricas com baixa utilização.


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Capacidade ociosa de um lado, expansão do outro

Do lado europeu, a equação é a de uma indústria com produção a metade do que pode entregar. Do lado chinês, é a de uma expansão acelerada que precisa de produção local para escapar às tarifas antidumping aplicadas pela Comissão Europeia desde outubro de 2024 aos elétricos fabricados na China.

A produção dentro da União dilui o problema das taxas, encurta o tempo de entrega ao cliente e aproveita infraestrutura, fornecedores e mão de obra já instalados.

Antes destes dois anúncios da semana, a Geely tinha sido apontada como estando interessada em adquirir uma linha de montagem da Ford em Espanha. Em poucas semanas, quatro marcas chinesas, BYD, Xpeng, Leapmotor e Geely, surgiram em conversações ou acordos para usar capacidade industrial europeia.

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