No primeiro trimestre de 2025, a BYD tinha 0,9% do mercado automóvel europeu. No primeiro trimestre de 2026 chegou aos 2,1%, com 73.847 matriculas no conjunto da UE, EFTA e Reino Unido.
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O que dizem os números do 1º trimestre
Março foi o mês mais forte do trimestre. Nesse mês, a BYD registou 37.580 novos veículos em toda a Europa, um crescimento de 148% face a março de 2025. Só no segmento combinado de BEV e PHEV, a marca chegou a uma quota de 2,4% no mercado europeu alargado
No Reino Unido, o melhor trimestre de sempre para a marca: 21.337 matriculações nos primeiros três meses do ano, com 15.162 apenas em março. Nesse mês, a BYD capturou mais de 11% do segmento de veículos eletrificados (BEV e PHEV) no país.
A Europa dentro do esforço global da BYD
Nos primeiros três meses do ano, a BYD exportou 321.165 veículos para mercados fora da China, o que equivale a 40% do volume total de vendas da marca. Em março isolado, as exportações atingiram 119.591 unidades, mais 65% do que em março de 2025.

A Europa é o destino com maior visibilidade política e mediática, mas não é o único a crescer.
O diretor executivo Wang Chuanfu referiu aos analistas que, em mercados como a Austrália, a Nova Zelândia e as Filipinas, a BYD vende num dia o que antes precisava de duas semanas para escoar. As Filipinas registaram uma subida de 446% nas vendas ao longo de 2025.
A meta declarada da BYD para 2026 é chegar a 1,5 milhões de unidades exportadas, e em março, a empresa disse aos investidores estar “altamente confiante” em atingir esse valor, ou ultrapassá-lo.
Hungria como resposta às tarifas europeias
O argumento comercial da BYD na Europa tem uma sombra conhecida: as tarifas aplicadas pela Comissão Europeia desde outubro de 2024 sobre veículos elétricos fabricados na China. Para os modelos BYD, a tarifa adicional ficou nos 17%, sobre o imposto de importação padrão de 10%.
Já conheces?
A resposta está na Hungria. A unidade de produção húngara iniciou produção experimental este ano, com o objetivo de fabricar localmente e escapar às tarifas.
Veículos produzidos na Europa não estão sujeitos aos encargos alfandegários sobre importações chinesas, o que permite à BYD competir a preços mais próximos dos rivais europeus. A Turquia é o segundo destino de produção europeia previsto. As obras estão em curso.
Península Ibérica no mapa da expansão
A Espanha passou a estar explicitamente no radar da BYD como candidata à terceira fábrica europeia, depois da Turquia e da Hungria. A marca anunciou entretanto ter ultrapassado 40.000 unidades registadas em Espanha desde que iniciou a comercialização de veículos de passageiros no país, há três anos.

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Em Portugal, a BYD tem presença comercial com vários modelos da gama. No primeiro trimestre foi a segunda marca a vender mais carros elétricos em Portugal
Mercado doméstico conta outra história
Fora da Europa, os números são menos favoráveis para a BYD. Na China, as entregas de março somaram 300.222 unidades, uma subida de 57,8% face a fevereiro, mas com uma queda de 20,5% em relação a março de 2025. É o sétimo mês consecutivo de queda em termos homólogos no mercado interno.
A guerra de preços que a BYD contribuiu para desencadear no mercado chinês em 2025 comprimiu as margens da empresa. O lucro líquido caiu 19% no ano completo de 2025 para 32,6 mil milhões de yuan, o primeiro recuo anual em quatro anos.
O mercado europeu, onde os preços são mais estáveis e a concorrência vinda da China menos intensa, é neste contexto um amortecedor necessário.
Em paralelo, a BYD candidatou-se formalmente à adesão à ACEA, a associação dos fabricantes europeus de automóveis, uma vez que já tem fábrica no continente. É o primeiro construtor chinês a dar esse passo.






