Mais de metade dos automóveis de passageiros matriculados na Europa serão elétricos a bateria em 2031, de acordo com a Dataforce.
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Passageiros: carros elétricos vão chegar à liderança
A previsão consta do EU Vehicle Market Insights Report 2026 da Dataforce, divulgado a 24 de junho, e coloca os BEV à frente da gasolina como tipo de combustível mais vendido antes do fim da década.
Em 2025, os BEV representavam 20% das matrículas de passageiros consideradas pela Dataforce, contra 56% dos motores a combustão, somando gasolina e diesel. Já em 2026 sobem para 22%, com a combustão a descer para 51%.
A projeção mantém o sentido até ao fim da década. Em 2031, a Dataforce coloca os elétricos a bateria em 53% e a combustão em 22%.

O que está por trás da viragem
Três fatores puxam a mudança. As metas de CO₂ da UE, conhecidas pela sigla EU-CAFE, apertam de forma calendarizada a média de emissões que cada fabricante pode vender sem penalização. Junta-se a fiscalidade dos automóveis de empresa, que em vários mercados pesa contra a combustão. E o custo total de propriedade dos BEV continua a descer.
Dentro da combustão, é o diesel que perde mais depressa, pressionado por restrições à circulação nas cidades e pela subida dos custos de utilização. A gasolina cede terreno de forma mais gradual. O pano de fundo é o regulamento europeu que exige zero emissões de CO₂ nos automóveis ligeiros novos a partir de 2035.

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Os números da projeção excluem híbridos e outros tipos de combustível, pelo que a soma de BEV e combustão não chega a 100%. O espaço entre as duas curvas é ocupado pelos híbridos, que a Dataforce espera ver estabilizar à medida que os elétricos a bateria se tornam a opção predominante.
A prazo, a consultora resume a trajetória à evolução da autonomia, à rapidez do carregamento e ao preço de compra. A pressão regulatória soma-se a esses fatores.
Carregamento e o custo do fóssil
Os pontos de carregamento público na Europa ultrapassaram um milhão em 2025.
A Dataforce identifica a distribuição desigual desses pontos e o acesso limitado a carregamento doméstico em algumas regiões como os principais travões de curto prazo.
Do lado dos custos, o relatório aponta para a entrada do ETS-2, que situa agora em 2028. É um regime europeu de comércio de licenças de emissão distinto do que já existe para a indústria e a energia, dirigido aos combustíveis usados nos transportes rodoviários e nos edifícios.
Ao colocar um preço sobre o carbono destes setores, encarece o gasóleo e a gasolina.
Comerciais ligeiros puxam as frotas
São os ligeiros os responsáveis pela eletrificação dentro das frotas. A Dataforce conta aqui as frotas reais, descontando as de fabricantes e concessionários. Nos comerciais ligeiros (LCV), a quota de BEV estava em 6,4% em 2022.
Não chegou aos 11,4% de 2025 de uma vez. Subiu a 8,5% em 2023, caiu para 7,3% em 2024 e só depois deu o salto.
| Tipo de combustível | 2025 | 2026projeção | 2031projeção |
|---|---|---|---|
| BEV (elétricos a bateria) | 20% | 22% | 53% |
| Combustão (gasolina + diesel) | 56% | 51% | 22% |
De acordo com a Dataforce há três razões para esta subida. Por um lado, as cidades apertaram a circulação nos centros e a entrega de última milha passou a pedir veículos limpos. A isto junta-se uma maior oferta de carrinhas elétricas.
O diesel não largou o segmento: em 2025 ainda valia mais de 80% das matrículas de ligeiros. Os PHEV aparecem aqui e ali, em operadores que querem cumprir as regras sem perder flexibilidade, num papel que a Dataforce considera de passagem.
Pesados ainda no arranque
Nos pesados, a fotografia conta outra história. A quota de BEV nos camiões acima de 7 toneladas, autocarros à parte, subiu de 0,4% em 2022 para 1,9% em 2025. Em 2023 ficou nos 0,9%, em 2024 nos 1,2%.
Aqui o diesel pesa mais de 95%.
Já conheces?
Os entraves são estruturais, faltando ainda uma rede de carregamento para camiões
Há ainda quem use gás como ponte. O gás natural liquefeito (GNL) e outras soluções a gás aguentam-se no segmento, para frotas que querem cortar emissões sem saltar já para o elétrico.
Três estudos num relatório
São três os estudos que a Dataforce condensa num só relatório. Um cobre os automóveis de passageiros, os outros dois repartem os ligeiros e os pesados. Os dados vêm de 30 mercados europeus: os 27 da UE, mais a Noruega, a Islândia e a Suíça.
A Dataforce separa ainda as vendas por canal. De um lado os particulares, do outro as frotas empresariais, e há também as matrículas que os próprios fabricantes geram.
Para os pesados há um módulo à parte, que desce ao detalhe das classes de peso, das carroçarias e das marcas mais presentes. As contas vão até 2031 e contam com a regulação que aí vem, a rede de carregamento a crescer e o custo de ter o veículo ao longo da vida.






