A CATL e a Fundação Ellen MacArthur lançaram uma coligação para a economia circular das baterias, com a BMW, a Renault, a Volvo, a Xiaomi e a Google entre os membros fundadores.
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Baterias circulares: o que foi lançado
A iniciativa foi apresentada a 22 de junho, em Londres, no Climate Innovation Forum da London Climate Action Week. Mas não foi a única.
São duas as iniciativas que saíram do encontro, ambas sob a Global Energy Circularity Commitment (GECC), a plataforma que a CATL desenvolve em parceria com a Fundação Ellen MacArthur. A primeira é um conjunto de diretrizes para o design circular de baterias.
A segunda é uma coligação empresarial, a Global Energy Circular Economy Coalition, virada para acelerar as condições de política, investimento e mercado que tornem os modelos circulares a norma do setor.

A GECC já tem mais de um ano e funciona como plataforma aberta onde indústria, cidades e academia testam soluções de circularidade. Foi a partir dela que a CATL fixou um objetivo de longo prazo: ter metade da produção de novas baterias livre de matéria-prima virgem dentro de 20 anos.
No centro do grupo está a maior fabricante mundial de células, rodeada sobretudo por construtores automóveis. A Fundação Ellen MacArthur coordena a colaboração e funciona como plataforma neutra entre empresas que, fora desta mesa, competem na mesma cadeia de valor.
Regras comuns para reciclar e reutilizar
As diretrizes de design circular definem uma metodologia comum para projetar baterias mais fáceis de reparar, reutilizar e reciclar, aplicável a vários tipos de mobilidade.
Não são regras vinculativas: o objetivo declarado é informar critérios de compra, enquadramentos para investidores e futuras discussões regulatórias, incluindo a evolução da política europeia de baterias.
Cada fabricante mede hoje a reparação, a segunda vida e a reciclagem à sua maneira.
Já conheces?
Sem uma base comum, não há forma de comparar o desempenho circular de produtos diferentes. As diretrizes pretendem servir de referência única, para os compradores avaliarem produtos, os investidores medirem valor a longo prazo e os reguladores ancorarem decisões. Assentam em quatro princípios adaptados do modelo de economia circular da Fundação Ellen MacArthur.
“No ano passado definimos a direção: desligar o crescimento das baterias da extração de matéria-prima virgem. Hoje, a indústria começa a construir as regras comuns que vão ajudar a concretizá-lo. Não é só uma oportunidade climática, é também industrial”, afirmou Jiang Li, vice-presidente e secretário do conselho de administração da CATL.
Octopus Energy e a troca de baterias na Europa
No mesmo dia, num evento paralelo da Octopus Energy, a CATL anunciou com a empresa britânica a primeira joint venture europeia de troca de baterias, centrada nos veículos comerciais pesados. O alvo são 300.000 camiões elétricos e 30 centros de troca em toda a Europa até 2035.
A engenharia vem da China, onde a CATL já opera corredores de troca para camiões de longo curso e onde planeia instalar mais de 10.000 estações de troca de baterias. Nos pesados, a substituição rápida da bateria evita imobilizar o camião durante o carregamento, e é esse o modelo de negócio que a coligação quer ver replicado.
A primeira instalação no Reino Unido está prevista para 2027.
O lado europeu
Para o mercado europeu, as diretrizes entram num terreno já regulado. O regulamento das baterias da União Europeia obriga a níveis mínimos de material reciclado e introduz um passaporte digital que acompanha cada bateria ao longo da vida útil, e é nesse quadro que a metodologia da coligação procura encaixar.
Três dos membros fundadores, a BMW, a Renault e a Volvo, vendem carros elétricos no mercado português. A parceria de troca de baterias com a Octopus Energy arranca também no continente, pelo Reino Unido, antes de se estender ao resto da Europa.
Os números da reciclagem da CATL
Em 2025, a Brunp, subsidiária de reciclagem da CATL, processou 210.000 toneladas de baterias em fim de vida. , tendo recuperado 99,6% do níquel, cobalto e manganês. 80% do material recuperado voltou diretamente à produção de baterias da CATL.
O salto face ao ano anterior é grande em volume. Em 2024, a mesma operação tinha reciclado cerca de 130.000 toneladas e recuperado 17.000 toneladas de sais de lítio
As projeções que a CATL cita apontam para um mercado global de reciclagem de baterias acima de 1,2 biliões de yuans até 2040, cerca de 165 mil milhões de dólares, e mais de 10 milhões de empregos associados.
“As abordagens de economia circular foram decisivas para atacar os 45% das emissões que vêm da forma como produzimos e consumimos”, disse Miranda Schnitger, responsável pela área de clima da Fundação Ellen MacArthur. A IEA projeta que a procura mundial de minerais críticos para baterias aumente cinco vezes até 2040.






