A Ferrari Luce vendeu em horas as 88 unidades disponíveis no mercado chinês.
Ouve o resumo do artigo:
Áudio gerado por IA
Neste artigo:
Esgotado no lançamento em Xangai
A Ferrari Luce, a primeira berlina 100% elétrica da marca italiana, chegou a Xangai a 3.988.000 yuans, cerca de 515.000 euros ao câmbio de 28 de junho, e a procura imediata contrariou a reação negativa que marcou a estreia mundial.
A China recebeu 88 exemplares do Luce e todos foram vendidos de imediato, de acordo com a CarNewsChina, que cita imprensa chinesa. O preço de retalho ficou nos 3.988.000 yuans, o equivalente a 586.600 dólares. Ao câmbio de 28 de junho, são cerca de 515.000 euros (cálculo do EVMag).

Além de ser o primeiro Ferrari 100% elétrico, o Luce é também a primeira berlina de produção em série na história da marca. O lançamento chinês surge com a Ferrari a perder quota no maior mercado automóvel do mundo, que a empresa quer reconquistar.
Uma estreia que fez cair as ações
O Luce foi revelado em Roma no final de maio. Desenhado por Jony Ive, antigo responsável de design da Apple, foi recebido com desconfiança pelo público, que não viu a silhueta Ferrari de que estava à espera. A vaga de críticas partiu sobretudo de comentadores online, um público que pouco coincide com o dos potenciais compradores.
As ações da Ferrari caíram mais de 6% num único dia logo após a apresentação.
Semanas depois da estreia, a marca afastou Enrico Galliera, responsável de marketing e da área comercial, e colocou no lugar Massimiliano Di Silvestre, antigo presidente da BMW Itália. O CEO, Benedetto Vigna, garantiu entretanto que o Luce continua a somar encomendas apesar da reação adversa.
Preço europeu acima do chinês
Embora os automóveis de luxo importados costumem custar mais na China do que na Europa, o Luce inverteu o padrão. O preço chinês traduz um desconto de cerca de 7% face aos 550.000 euros (626.000 dólares) pedidos na Europa, segundo a CarNewsChina. Para enquadrar a diferença, o gran turismo Amalfi, de motor de combustão, parte de 202.459 libras no Reino Unido e atinge 2.598.500 yuans na China por via dos impostos sobre cilindrada e luxo.

Infografia gerada por IA
Na ficha técnica, o Luce monta uma bateria de 122 kWh e aceita carregamento em corrente contínua até 350 kW. Com 772 kW de potência, equivalentes a 1.036 cv, a berlina cumpre os 0 aos 100 km/h em 2,5 segundos, com 2.260 quilos em ordem de marcha. A Ferrari posiciona o modelo como um gran turismo de cinco lugares, e não como um superdesportivo.
Rivais chineses a metade do preço
O concorrente elétrico mais próximo é o Yangwang U9, da BYD. Custa pouco mais de metade, 264.800 dólares na China, e supera o Luce nos números, com 960 kW de potência, 0 aos 100 km/h em 2,36 segundos e carregamento até 500 kW, contra os 350 kW do Ferrari. Pesa 2.480 quilos e usa uma bateria de 80 kWh, abaixo dos 122 kWh do italiano.
Por 189.200 dólares, o Hyptec SSR, o superdesportivo da GAC, parte de 1.286.000 yuans e, nas versões de topo, cumpre o 0 aos 100 km/h em 1,9 segundos. É também o mais leve dos três, com 1.990 quilos e uma bateria de 74,7 kWh. Mais perto do registo de gran turismo do Luce está o Denza Z9 GT, também da BYD, com fichas técnicas superiores e preço muito inferior.
Nenhum destes modelos é, ainda assim, rival direto. O Luce não é um superdesportivo, e quem paga 4 milhões de yuans por uma Ferrari dificilmente compara fichas técnicas antes de assinar. “Quatro milhões de renminbi sobre rodas”, escreveu a publicação chinesa Speedsters, sinal de que o dono pertence ao 1% mais rico do país.
Já conheces?
Sem rival no mesmo nicho
A procura por símbolos de estatuto mantém-se na China, mesmo com a deslocação gradual dos compradores para marcas domésticas ao longo dos últimos anos.
As 88 unidades vendidas em Xangai são o primeiro teste de mercado à aposta da Ferrari na reconquista de um país onde a marca tem perdido terreno para os fabricantes locais.






