O Mercedes AMG CLA 45 em evolução no Festival de Goodwood O Mercedes AMG CLA 45 em evolução no Festival de Goodwood

Goodwood 2026: as estreias 100% elétricas do Festival

O Festival de Goodwood é montra para carros elétricos.

O Festival de Goodwood transformou este ano a sua colina numa montra de estreias elétricas. De um AMG de desempenho sem escape a um Range Rover, passando por supercarros chineses de mais de 1.500 cv.

Ouve o resumo do artigo:

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Resumo
O Festival virou montra de elétricos
Dezenas de estreias 100% elétricas dominaram a colina de Goodwood, de 9 a 12 de julho.
AMG CLA 45 passa a elétrico
Três motores, 680 cv e 0 a 100 km/h em 2,7 segundos.
Range Rover elétrico à vista, sem números
Mostrou a versão de produção, mas escondeu potência, autonomia e preço.
Supercarros chineses batem recordes
O Denza Z leva mais de 1.500 cv e o Yangwang U9 chegou a 496 km/h.

A AMG larga o motor a combustão

Até aqui, o CLA 45 carregava um recorde curioso: o quatro cilindros a gasolina mais potente alguma vez montado num carro de série. A nova geração, apresentada no Festival de Goodwood, apaga esse capítulo e nasce totalmente elétrica, com três motores de fluxo axial, um à frente e dois no eixo traseiro. O pico chega aos 500 kW, ou seja 680 cv, com 1.759 Nm de binário, e a potência contínua fica nos 612 cv.

O Mercedes AMG CLA 45 em evolução no Festival de Goodwood
O Mercedes AMG CLA 45 em evolução no Festival de Goodwood

Os tempos acompanham a ficha. A berlina cumpre os 0 aos 100 km/h em 2,7 segundos, segundo a Mercedes, com máxima limitada a 250 km/h, ou 270 km/h com o pacote AMG Dynamic Plus. A bateria de 94 kWh e a arquitetura de 800 volts anunciam até 670 km WLTP e carregamento DC a 330 kW, dos 10 aos 80% em 22 minutos.

Falta o pormenor que vai dividir os leitores. Para fugir ao silêncio, o CLA 45 traz um modo que reproduz o ronco do antigo quatro cilindros, com mudanças de caixa simuladas e vibração nos bancos. É a AMG a insistir no drama da combustão num carro que já a deixou para trás.

Um clássico francês passa a elétrico

A Alpine levou à subida o A110 do futuro, um protótipo de desenvolvimento que anuncia a próxima geração do desportivo. A carroçaria ainda evoca o modelo a gasolina, mas por baixo mudou tudo: uma plataforma nova, a Alpine Performance Platform, com chassis em alumínio, arquitetura de 800 volts e dois motores no eixo traseiro. A marca fê-lo subir a colina, em demonstração dinâmica.

A promessa da Alpine é entregar o primeiro A110 verdadeiramente elétrico sem perder a leveza e o equilíbrio do original. Especificações detalhadas, potência ou autonomia, ficam para a apresentação final. Em Portugal, onde a marca vende o A110 a combustão, a mudança marca o fim de uma era.

A China leva supercarros a Goodwood

O momento mais aparatoso veio da BYD. A Denza fez a estreia mundial da versão coupé do Z, um supercarro 100% elétrico de três motores e mais de 1.500 cv, apontado ao território do Porsche 911. Chega ao Reino Unido no início de 2027, por cerca de 143.000 libras, e a marca já anunciou entrada na Península Ibérica ainda este ano.

infografia goodwood

Infografia gerada por IA

Ao lado esteve a Yangwang, a marca de topo da BYD, com o U9 Xtreme em estreia europeia. É, para já, o carro de produção mais rápido de sempre: atingiu 496 km/h num centro de ensaios alemão, movido por quatro motores, mais de 3.000 cv e uma plataforma de 1.200 volts. Na mesma configuração, deu uma volta ao circuito de Nürburgring em menos de sete minutos.

Nenhum destes carros se vende em volume nem chega a Portugal a curto prazo. Servem de montra tecnológica, a prova de que a engenharia chinesa já disputa a fasquia mais alta do desempenho elétrico. A BYD, ao contrário das suas submarcas de topo, já vende elétricos acessíveis no mercado português.

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Renault reinventa o 5 Turbo

A Renault levou à colina o 5 Turbo 3E, a leitura elétrica do lendário 5 Turbo dos anos 80, com dois motores instalados nas rodas traseiras, cerca de 540 cv e um travão de mão hidráulico feito para queimar pneu, em série limitada.

Nem tudo eram supercarros. A Cupra estreou-se em Goodwood com o Raval, o seu citadino elétrico do segmento B, e a Honda mostrou o Super N, um pequeno elétrico com raízes nos kei cars japoneses. São a mesma vaga de elétricos acessíveis em que o MG Go, também revelado no Festival, quer entrar.

Cupra Raval
O Cupra Raval

O primeiro Range Rover elétrico

A Range Rover levou a Goodwood o seu primeiro elétrico em versão de produção, mas guardou-o numa galeria fechada, sem o deixar subir a colina, tarefa que coube ao Range Rover Sport SV. O carro é quase indistinguível das versões a combustão, por decisão da marca, e só a grelha fechada, a inscrição EV nas jantes e as duas tomadas de carregamento denunciam a mudança.

Confirmada está a arquitetura, com bateria de 118 kWh, sistema de 800 volts desenhado de raiz, carregamento até 350 kW e 67 patentes. Os números que circulam, cerca de 550 cv e mais de 480 km de autonomia, continuam por confirmar.

As outras estreias da colina

A pensar mais alto, a BMW expôs o M Concept da Neue Klasse, com quatro motores, arquitetura de 800 volts e uma bateria acima dos 100 kWh, a antevisão mais clara do primeiro M3 totalmente elétrico. O conceito já se tinha mostrado em Le Mans, em junho.

A fechar, a Ferrari Luce, o primeiro elétrico de Maranello, fez a sua estreia pública britânica. as vendas estão esgotadas, garante a marca, até ao fim de 2027. O Festival de Goodwood terminou ontem.

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