Os automóveis 100% elétricos foram 30,5% das matrículas nos 16 principais mercados europeus em agosto. Em Portugal, a quota BEV ficou nos 36,1%.
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Quota BEV primeira vez acima dos 30%
202.833 carros elétricos matriculados em agosto nos mercados que o boletim mensal da E-Mobility Europe e da New AutoMotive acompanha. O crescimento face a agosto de 2025 foi de 54,2%.
É a primeira vez que a quota BEV (carros elétricos a bateria) deste conjunto ultrapassa os 30%.

Em julho, os mesmos 16 países tinham ficado nos 25,7%, com 224.266 matrículas. A subida de agosto vale 4,8 pontos percentuais num único mês.
No acumulado de janeiro a agosto somam-se 1.673.856 matrículas, mais 33,1% do que no mesmo período do ano passado, com a quota dos oito meses a fixar-se nos 22,5%. Para a União Europeia isolada, o boletim estima uma quota BEV de 31,2% em agosto.
Portugal com a quota BEV nos 36,1%
Com 5.079 unidades matriculadas em agosto, Portugal ficou 5,6 pontos percentuais acima da média dos 16 mercados acompanhados.
A quota nacional supera a alemã, de 32,5%, e fica a 2,2 pontos da francesa, de 38,3%. No acumulado do ano, Portugal vai nos 27,4%, com 43.638 matrículas BEV e um crescimento de 37,1% face aos primeiros oito meses de 2025.
Em julho, a quota portuguesa estava nos 30,9%, com 5.133 unidades. Agosto trouxe menos 54 matrículas BEV e mais 5,2 pontos de quota, num mês em que a ACAP contabilizou 14.086 ligeiros de passageiros novos no total do mercado, mais 8,4% do que em agosto de 2025.
França e Alemanha puxam o conjunto
A Alemanha matriculou 68.980 elétricos em agosto, mais 34,5% em termos homólogos, e a França 36.159, um aumento de 72,2% que é o segundo maior do grupo. Somadas, as duas dão 105.139 unidades, mais de metade do total de agosto nos 16 mercados. Um mês antes, a quota alemã estava nos 29,3% e a francesa nos 35%.
Na tabela de crescimento acumulado, a Itália lidera com 84,9% e a Irlanda surge em terceiro, com 55,8% e uma quota de 29% em agosto. Portugal ocupa o sexto lugar, à frente da Alemanha.
As previsões ficaram muito abaixo
Quando o ano começou, a Transport & Environment previa uma quota BEV de 23% na União Europeia para 2026 inteiro. A Rho Motion apontava para perto de 21% no conjunto da Europa. A Agência Internacional de Energia esperava um crescimento de cerca de 20% nas vendas europeias de veículos elétricos, com os plug-in incluídos na contagem.
As matrículas BEV dos 16 mercados subiram 33,1% até agosto, acima do que estava previsto para todo o mercado de veículos com ficha.
O boletim saiu a 17 de setembro, um dia depois de Ursula von der Leyen ter dito no discurso do Estado da União que a Europa deve tornar elétrico o seu futuro. É com essa frase que o documento abre.
“A prioridade agora é certeza acompanhada de execução”, afirmou Chris Heron, secretário-geral da E-Mobility Europe, em tradução literal do comunicado original.
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Crescimento desigual
A Itália é o mercado que mais cresce no acumulado, embora parta de uma base baixa e tenha fechado agosto com uma quota de 6,4%. Em Espanha, a quota chegou aos 14%, com mais 28,6% de matrículas desde janeiro. Já a Polónia ficou nos 4,8%, o valor mais baixo do grupo, e é também o país que mais matrículas perde no acumulado, com uma quebra de 8,4%. A República Checa fechou o mês nos 8,4%, o terceiro valor mais baixo dos 16, logo a seguir à Polónia e à Itália.
Acima da Noruega, com 98,7%, não há margem para crescer. Seguem-se a Dinamarca com 85,9%, a Finlândia com 52,3%, os Países Baixos com 48,9%, a Bélgica com 46,2%, a Suécia com 44,6% e a Suíça com 30%. Os Países Baixos e a Suécia estão entre os mercados de maior quota e, ainda assim, perderam matrículas no acumulado do ano, 6,1% e 0,3%.
O universo dos 16 mercados não é o da ACEA
O boletim não cobre a União Europeia inteira nem coincide com as séries que a ACEA publica. Acompanha Bélgica, República Checa, Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha, Itália, Irlanda, Luxemburgo, Países Baixos, Noruega, Polónia, Portugal, Espanha, Suécia e Suíça, que valem cerca de 90% do mercado conjunto da União Europeia e da EFTA. O Reino Unido está de fora.
A distância entre as duas séries é visível nos números. Para o primeiro semestre, a ACEA deu uma quota BEV de 20,7% na União Europeia, com 1.220.890 matrículas. O boletim de agosto dá 22,5% no acumulado dos 16 mercados e estima 31,2% para a UE apenas no mês.
Na quota mensal portuguesa as duas contas batem certo: os 36,1% coincidem com o valor que a ACAP publicou a 2 de setembro para os ligeiros de passageiros. No acumulado há diferença, com o boletim europeu a dar 27,4% até agosto e a ACAP a dar 26,8%. Os dados usados pela E-Mobility Europe e pela New AutoMotive vêm do European Alternative Fuels Observatory, fornecidos pela FIER Automotive e completados com fontes nacionais.
Fontes: E-Mobility Europe e New AutoMotive, boletim dos mercados-chave de agosto de 2026, publicado a 17 de setembro; E-Mobility Europe e New AutoMotive, boletim de julho de 2026; ACEA, matrículas de automóveis novos na UE no primeiro semestre de 2026; ; Reuters, via RTÉ, 17 de setembro de 2026.




