São positivas 72,2% das peças sobre condução autónoma publicadas entre agosto de 2025 e agosto de 2026, de acordo com um estudo da Carma.
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Crítica concentrada na credibilidade
A Carma, empresa de monitorização de média, analisou 30.528, em meios tradicionais e redes sociais de vários mercados, e encontrou a crítica concentrada numa pergunta: Será que o que o setor promete corresponde ao que entrega?
As peças negativas ficam pelos 17,9%, e o resto é neutro ou factual. “O futuro chegou” é a narrativa que mais se repete, com 3.425 artigos, mais do dobro da segunda.

Mais pequena, a cobertura negativa é também mais concentrada. Cinco narrativas somam 85% das menções críticas e a primeira, “hype versus realidade”, pesa 37%, com 538 menções; seguem-se a ideia de que a tecnologia está “sempre a cinco anos de distância”, com 240, e a de que um único acidente prova que os sistemas não estão prontos, com 199.
As redes sociais são mais céticas do que a imprensa. Nas redes, 10,3% das menções preveem um setor mais lento ou sem direção. Nos media editoriais, a proporção desce para 4,5%.
Riscos: Portugal entre as exceções
Em todas as regiões estudadas, as colisões e as vítimas que provocam lideram as preocupações. O relatório assinala três exceções por país, sem indicar a dimensão das respetivas amostras.
Portugal é uma delas: nos dados relativos ao país, o risco mais referido é o de o carro ficar imobilizado ou não terminar a viagem, com 25,9% das menções. Em Singapura também é a imobilização que lidera, com 24,4%, enquanto na Coreia do Sul pesa mais o uso indevido da tecnologia, com 20%.
Mais de um terço da cobertura de risco nos países do Golfo, 37,6%, é classificada como de gravidade elevada, contra 21,8% na Europa. Quando falam de casos de utilização, os media europeus dedicam 46,5% das menções aos robotáxis e só 27,4% aos carros particulares.
Tesla e Waymo sob escrutínio
Com 8.946 aparições, a Tesla é a organização mais citada no relatório, à frente da Waymo, com 5.570. Nenhuma outra tem uma fatia negativa tão grande: 27,7% no caso da Tesla e 26,4% no da Waymo, com a cobertura positiva abaixo dos 42% em ambas. A Wayve, com 1.008 aparições, regista 72,2% de peças positivas e 0,3% negativas.
Entre produtos, o FSD da Tesla lidera com 4.871 menções e o Waymo One soma 4.245. Elon Musk aparece 1.849 vezes, 3,7 vezes mais do que Jensen Huang, da NVIDIA, o líder seguinte em visibilidade.
Robotáxis já cobram viagens em 20 cidades
De acordo com os dados das empresas compilados pela CARMA, a Waymo ultrapassa as 400 mil viagens pagas por semana em seis áreas metropolitanas dos EUA, enquanto a Apollo Go, da Baidu, atingiu um pico de 300 mil viagens semanais no quarto trimestre de 2025, numa presença de 26 cidades. Os dois operadores já passaram os 20 milhões de viagens acumuladas.
Em 2025 circulavam cerca de 8.000 robotáxis comerciais, distribuídos por cerca de 20 cidades. Para 2035, as previsões citadas pela Agência Internacional de Energia vão de 700 mil a 3 milhões de veículos, em 40 a 80 cidades.
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Segurança da condução autónoma: provas e desconfiança
Os testes independentes são o fator que mais reforça a confiança na cobertura analisada, com um efeito líquido de +91,8 pontos. Os incidentes anteriores puxam no sentido oposto, com -87,0, e nas redes sociais o efeito negativo agrava-se para -92,4.
O estudo independente com mais peso é do Insurance Institute for Highway Safety (IIHS), norte-americano. Em cerca de 50 milhões de milhas, perto de 80 milhões de quilómetros, percorridas sem condutor em São Francisco, Phoenix, Los Angeles e Austin entre 2021 e 2024, os veículos da Waymo tiveram menos 68% de acidentes reportáveis à polícia por milha do que os condutores humanos nas mesmas cidades, e menos 81% de acidentes com feridos. “São sinais encorajadores para o futuro dos veículos sem condutor”, afirmou Eric Teoh, diretor de serviços estatísticos do IIHS.
Num inquérito da AAA feito em janeiro de 2025, só 13% dos condutores norte-americanos diziam confiar numa viagem num veículo autónomo, e seis em cada dez admitiam ter medo.
O relatório cita ainda um estudo feito em Singapura depois da utilização do serviço, em que 99% de 900 participantes disseram ter-se sentido seguros.
Regulação e responsabilidade
A regulação melhora a confiança em todas as regiões, com um efeito de +52,3 pontos na Europa. Quando o tema passa a ser quem responde em caso de falha, o sinal inverte-se: -27,7 na Europa e -66,4 na América do Norte, com a Ásia-Pacífico como única região em terreno positivo.
Em Portugal, os testes de sistemas automáticos de condução na via pública são possíveis desde 9 de julho, data de entrada em vigor do Decreto-Lei n.º 113/2026, que obriga a supervisão humana durante os ensaios e prevê o reconhecimento de licenças estrangeiras num prazo máximo de 45 dias.
Fontes: CARMA, Driving Change, Parte 4: Perceção Mediática; IIHS, estudo sobre a Waymo; AAA, inquérito sobre veículos autónomos de 2025; IMT, regime de testes de condução autónoma.




