Ir do norte do país ao Algarve e voltar em dois dias, ao volante de um citadino elétrico, parece um exercício de teimosia. Não foi. Dos 1.600 km do ensaio, 1.450 km foram feitos nessa viagem. O Nissan Micra fez bem tudo o que se lhe pediu. Na autoestrada exige paragens frequentes, e foram essas paragens que acabaram por ter uma vantagem que não esperava.
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O Micra ensaiado foi a versão Advance com bateria de 40 kWh, o segundo degrau de uma gama com duas baterias e três níveis de equipamento: Engage, Advance e Evolve.
Antes da estrada, o design. O exterior está muito bem conseguido, e isso confirma-se na rua: as pessoas olham quando o Micra passa. A aparência diz ao que o carro vem. É um carro divertido, e parece-o.

Na cidade, garra. Na autoestrada, aritmética
Em circuito urbano, o Micra mostra garra. Arranca com vontade, muda de direção sem hesitar e as dimensões compactas ajudam no trânsito. Mais do que ágil, é divertido de conduzir, e essa sensação acompanha-o quando se troca a cidade pelas estradas secundárias.
A unidade ensaiada tinha patilhas no volante para a gerir, com três níveis de regeneração e um modo de condução com um só pedal. Na cidade, este último dispensa quase por completo o travão: basta levantar o pé do acelerador para o carro abrandar até parar. Em viagem, um nível mais leve deixa o Micra rolar com mais liberdade.
Nissan Micra Advance 40 kWh
Na autoestrada o comportamento do Nissan Micra é muito aceitável. Estável, sem sobressaltos. As ajudas à condução são as que hoje se esperam de um automóvel pensado para a Europa, e funcionam. A autonomia é que paga a fatura, como em qualquer elétrico a velocidade de cruzeiro. A 120 km/h, com o ar condicionado ligado, não convém contar com etapas de mais de 150 km.
Na prática, a viagem até ao Algarve fez-se em troços de 100 e poucos quilómetros. Não precisei de planear nada: com o Google integrado, o próprio carro indicava quando parar e em que postos carregar. As paragens frequentes são um inconveniente evidente. Também foram elas que me fizeram chegar ao fim dos dois dias sem cansaço.
Não fiz uma viagem de 800 km. Fiz várias viagens de 150 km. Essa diferença sente-se no corpo.
O consumo
A viagem foi feita em dois dias, uma para a ida e outro para a volta. Foram 1.450 quilómetros seguidos, apenas com as pausas necessárias para o carregamento.
Feitas as contas, gastámos um total de 120 euros nos carregamentos, o que dá um custo de 8,28€ por 100 km. Se tivéssemos feito a viagem num citadino a gasolina, com um consumo de 7 litros/100 km, teríamos gasto 220€, o que representaria um custo de 15,17€/100 km
Em termos globais, no final dos 1.600 quilómetros do ensaio tínhamos uma média de 16,3 kWh/100km.

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O modo Eco tem um teto, e esse teto não cede
Há um senão que importa conhecer antes de entrar na autoestrada. O modo Eco limita a velocidade máxima a 115 km/h. Até aqui, nada de anormal. O problema surge numa ultrapassagem: a circular a 110 ou 115 km/h, carregar a fundo no acelerador não desbloqueia o limite. O carro fica nos 115 km/h.
O Eco faz sentido na cidade. Já a rolar, a escolha certa é o modo Comfort, ou o Sport quando se quer mais resposta.
Quatro adultos, alguns pormenores
O Micra transporta quatro adultos com conforto, o que num carro deste tamanho não é dado adquirido, Mas o espaço interior é maior do que parece e atrás um adulto de 1,80 m tem espaço entre o joelho e o banco dianteiro.
Em termos de conforto, os materiais são agradáveis ao toque, com uma exceção. A ponta das manetes dos piscas e dos limpa-para-brisas tem uma rugosidade desagradável, um pormenor que se nota precisamente porque a manete do pisca é muito utilizada.
Veredito ao Nissan Micra
Ao volante, o Nissan Micra corresponde, sem reservas, ao que dele se espera. É ágil e divertido na cidade e em estradas secundárias, competente na autoestrada e confortável para quatro. E tem um exterior que não passa despercebido.
As viagens longas exigem paragens frequentes, que o próprio carro se encarrega de indicar, e algum cuidado com o modo de condução. Quem aceitar esse ritmo pode descobrir que viajar aos bocados cansa menos.
O que não convence é o preço. A unidade ensaiada custa 30.365 €. É muito dinheiro por um citadino com esta autonomia, e nada no carro justifica pagar mais do que pedem os concorrentes.




