As tarifas da rede de mobilidade elétrica podem descer para metade em 2027, segundo a proposta da ERSE, a entidade gestora da rede.
Neste artigo:
Tarifas de mobilidade elétrica descem pelo segundo ano
Na proposta, a MOBI.e, enquanto entidade gestora da rede (EGME) passa a cobrar menos 52,1% aos comercializadores de eletricidade para a mobilidade elétrica (CEME) e aos operadores de pontos de carregamento (OPC). Para os detentores de pontos de carregamento (DPC), o corte proposto fica nos 51,3%. As novas tarifas entram em vigor a 1 de janeiro de 2027, em todo o território nacional, depois de o Conselho Tarifário dar parecer e de o Conselho de Administração da ERSE as aprovar.

Há um ano, o regulador seguiu o mesmo caminho. Na proposta de outubro de 2025 apontava para menos 31,9% nas tarifas de CEME e OPC, e a decisão de 15 de dezembro acabou por fixar uma redução de 30,8%, com os DPC a descerem 30,2%.
Na cadeia do carregamento público, os CEME vendem a energia ao condutor e os OPC exploram os postos onde o carro fica ligado.
15 cêntimos por cada 100 km
Entre 1% e 2% do preço final pago pelos utilizadores de veículos elétricos: é quanto a ERSE estima que as tarifas da EGME pesem em 2027. Para 2026, o regulador apontava para uma fatia entre 3% e 4%.
O exemplo do regulador assume carregamentos de 11,5 kWh e um consumo de 15 kWh por cada 100 km. Com estes pressupostos, a nova tarifa poupa 0,15 euros a cada 100 km percorridos.
A tarifa da EGME não aparece na fatura do condutor. A MOBI.E cobra-a, por carregamento, ao comercializador (CEME) e ao operador do posto (OPC), e estes repercutem-na no preço que cobram. A poupança só chega ao condutor se CEME e OPC baixarem os preços, e na mobilidade elétrica os preços são livres.
Em 2026 a poupança calculada era de 0,13 euros.
Para essa simulação de 2026, a ERSE chegava a um custo total de 7,41 euros por 100 km em carregamento normal e de 9,78 euros em carregamento rápido.
Carregamentos acima da previsão
Mais de 8,89 milhões de carregamentos passaram em 2025 pela rede gerida pela EGME, distribuídos por 23.156 pontos. Em 2024, a ERSE contava 6,14 milhões de carregamentos em 16.561 pontos. Num ano, a rede ganhou 6.595 pontos de carregamento (cálculo EVMag).
Para este ano, o regulador estima 11,8 milhões de carregamentos. A previsão usada no processo tarifário de 2026 era de 6,58 milhões, e o desvio de 79% explica-se sobretudo por se ter assumido, na altura, que o período transitório da nova lei terminava em 2026.
Em dezembro de 2025, a ERSE contava para 2026 com menos 26% de carregamentos do que os 8,90 milhões que então estimava para 2025, ainda assim 7% acima de 2024.
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Proveitos da EGME em 2027
O valor a recuperar através das tarifas da EGME cresce 107 mil euros (cálculo EVMag). Para 2027, a ERSE fixa os proveitos permitidos em 1.512 mil euros, contra 1.405 mil euros em 2026.
Antes de ajustamentos, os proveitos de 2027 seriam de 2.087 mil euros. A diferença resulta de um ajustamento de 575 mil euros, que o regulador classifica como montante a devolver aos consumidores. Em 2026, o mesmo ajustamento tinha sido de 738 mil euros, sobre proveitos de 2.143 mil euros.
Período transitório prolongado até ao fim de 2027
Foi o Decreto-Lei n.º 155/2026, de 31 de julho, que alterou o Decreto-Lei n.º 93/2025, de 14 de agosto, e empurrou o fim do período transitório do regime jurídico da mobilidade elétrica para 31 de dezembro de 2027.
Até essa data, quem já explora pontos de carregamento tem de comunicar à entidade gestora se quer sair da plataforma da EGME. Sem essa comunicação, os pontos continuam integrados.
Enquanto durar a transição, a utilização da plataforma está sujeita a uma tarifa que a ERSE fixa todos os anos, como prevê o artigo 44.º do regime jurídico.
O regulador admite que os volumes de 2027 são muito incertos, porque operadores e comercializadores podem abandonar a rede a ritmos diferentes.
Fontes: ERSE, proposta de tarifas da EGME para 2027, 15 de outubro de 2026; ERSE, tarifas da EGME para 2026, 15 de dezembro de 2025.




