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Tarifas da mobilidade elétrica descem para metade em 2027

As tarifas da mobilidade elétrica terão forte descida, mas isso não quer dizer que se reflita no preço ao consumidor.

As tarifas da rede de mobilidade elétrica podem descer para metade em 2027, segundo a proposta da ERSE, a entidade gestora da rede.

Resumo
Tarifas da EGME descem 52,1% em 2027
O corte proposto pela ERSE para os detentores de pontos de carregamento fica nos 51,3%.
Condutor poupa 0,15 euros por cada 100 km
As tarifas passam a pesar entre 1% e 2% do preço final, contra 3% a 4% em 2026.
ERSE estima 11,8 milhões de carregamentos em 2026
São mais 79% do que os 6,58 milhões previstos no processo tarifário do ano passado.
Período transitório prolongado até ao fim de 2027
Até 31 de dezembro de 2027, os operadores dizem se querem sair da plataforma da EGME.

Tarifas de mobilidade elétrica descem pelo segundo ano

Na proposta, a MOBI.e, enquanto entidade gestora da rede (EGME) passa a cobrar menos 52,1% aos comercializadores de eletricidade para a mobilidade elétrica (CEME) e aos operadores de pontos de carregamento (OPC). Para os detentores de pontos de carregamento (DPC), o corte proposto fica nos 51,3%. As novas tarifas entram em vigor a 1 de janeiro de 2027, em todo o território nacional, depois de o Conselho Tarifário dar parecer e de o Conselho de Administração da ERSE as aprovar.

tarifas da mobilidade
com a nova proposta, a poupança será de 0,15€ por 100 km @Magnific

Há um ano, o regulador seguiu o mesmo caminho. Na proposta de outubro de 2025 apontava para menos 31,9% nas tarifas de CEME e OPC, e a decisão de 15 de dezembro acabou por fixar uma redução de 30,8%, com os DPC a descerem 30,2%.

Na cadeia do carregamento público, os CEME vendem a energia ao condutor e os OPC exploram os postos onde o carro fica ligado.

15 cêntimos por cada 100 km

Entre 1% e 2% do preço final pago pelos utilizadores de veículos elétricos: é quanto a ERSE estima que as tarifas da EGME pesem em 2027. Para 2026, o regulador apontava para uma fatia entre 3% e 4%.

O exemplo do regulador assume carregamentos de 11,5 kWh e um consumo de 15 kWh por cada 100 km. Com estes pressupostos, a nova tarifa poupa 0,15 euros a cada 100 km percorridos.

A tarifa da EGME não aparece na fatura do condutor. A MOBI.E cobra-a, por carregamento, ao comercializador (CEME) e ao operador do posto (OPC), e estes repercutem-na no preço que cobram. A poupança só chega ao condutor se CEME e OPC baixarem os preços, e na mobilidade elétrica os preços são livres.

Em 2026 a poupança calculada era de 0,13 euros.

Para essa simulação de 2026, a ERSE chegava a um custo total de 7,41 euros por 100 km em carregamento normal e de 9,78 euros em carregamento rápido.

Carregamentos acima da previsão

Mais de 8,89 milhões de carregamentos passaram em 2025 pela rede gerida pela EGME, distribuídos por 23.156 pontos. Em 2024, a ERSE contava 6,14 milhões de carregamentos em 16.561 pontos. Num ano, a rede ganhou 6.595 pontos de carregamento (cálculo EVMag).

Para este ano, o regulador estima 11,8 milhões de carregamentos. A previsão usada no processo tarifário de 2026 era de 6,58 milhões, e o desvio de 79% explica-se sobretudo por se ter assumido, na altura, que o período transitório da nova lei terminava em 2026.

Em dezembro de 2025, a ERSE contava para 2026 com menos 26% de carregamentos do que os 8,90 milhões que então estimava para 2025, ainda assim 7% acima de 2024.

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Proveitos da EGME em 2027

O valor a recuperar através das tarifas da EGME cresce 107 mil euros (cálculo EVMag). Para 2027, a ERSE fixa os proveitos permitidos em 1.512 mil euros, contra 1.405 mil euros em 2026.

Antes de ajustamentos, os proveitos de 2027 seriam de 2.087 mil euros. A diferença resulta de um ajustamento de 575 mil euros, que o regulador classifica como montante a devolver aos consumidores. Em 2026, o mesmo ajustamento tinha sido de 738 mil euros, sobre proveitos de 2.143 mil euros.

Período transitório prolongado até ao fim de 2027

Foi o Decreto-Lei n.º 155/2026, de 31 de julho, que alterou o Decreto-Lei n.º 93/2025, de 14 de agosto, e empurrou o fim do período transitório do regime jurídico da mobilidade elétrica para 31 de dezembro de 2027.

Até essa data, quem já explora pontos de carregamento tem de comunicar à entidade gestora se quer sair da plataforma da EGME. Sem essa comunicação, os pontos continuam integrados.

Enquanto durar a transição, a utilização da plataforma está sujeita a uma tarifa que a ERSE fixa todos os anos, como prevê o artigo 44.º do regime jurídico.

O regulador admite que os volumes de 2027 são muito incertos, porque operadores e comercializadores podem abandonar a rede a ritmos diferentes.

Fontes: ERSE, proposta de tarifas da EGME para 2027, 15 de outubro de 2026; ERSE, tarifas da EGME para 2026, 15 de dezembro de 2025.

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