Dez milhões de euros em apoios à compra de carros elétricos, esgotados na mesma tarde em que abriram. O concurso do Fundo Ambiental abriu na quinta-feira às 16h30 e, ao fim da noite, já não tinha verba para distribuir.
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Esgotou na noite de quinta-feira
Foi às 16h30 de quinta-feira, 11 de junho, que abriu a segunda fase de 2026 do Incentivo pela Introdução no Consumo de Veículos de Emissões Nulas.
A dotação era de 10 milhões de euros. Em abril, depois de o concurso de dezembro ter esgotado em horas, a ministra tinha anunciado para 2026 um reforço para cerca de 20 milhões, mas o aviso publicado a 11 de junho colocou no terreno apenas metade desse valor.
“Abriu às 16h30 e à noite já tinha esgotado. Esgotou em poucas horas os 10 milhões de euros. Havia várias categorias, a dos carros e bicicletas esgotaram em muito poucas horas”, afirmou Maria da Graça Carvalho, ministra do Ambiente e Energia, à margem de uma cerimónia da Associação de Municípios da Região do Planalto Beirão, em Tondela, no distrito de Viseu.

A que horas fechou cada categoria
Os carros elétricos para particulares foram os primeiros a desaparecer.
A categoria de veículos ligeiros de passageiros destinada a pessoas singulares esgotou às 18h18, menos de duas horas depois da abertura, segundo informação do Ministério do Ambiente e Energia adiantada à agência Lusa.
Seguiram-se os motociclos, ciclomotores, triciclos e quadriciclos às 20h35, e os carregadores para condomínios multifamiliares cinco minutos depois, às 20h40
As bicicletas citadinas convencionais foram as últimas a fechar, às 22h48, pouco mais de seis horas após a abertura do aviso.
Quanto vale o apoio e quem se pode candidatar
Para pessoas singulares, o incentivo é de 4.000 euros por carro 100% elétrico novo. Instituições particulares de solidariedade social, autoridades de transporte e autarquias locais recebem 5.000 euros por veículo.
Já conheces?
Além dos carros elétricos, o mesmo aviso apoia bicicletas, com incentivos entre 500 e 1.500 euros, e a instalação de carregadores em condomínios multifamiliares.
As regras mantêm as da edição anterior. O automóvel não pode custar mais de 38.500 euros e a candidatura exige o abate de um veículo a combustão com mais de dez anos. Quem recebe o apoio fica obrigado a manter o carro durante pelo menos 24 meses, sem o poder exportar nesse período.
O apoio tem efeito retroativo. São elegíveis as faturas de aquisição e instalação emitidas a partir de 1 de janeiro de 2025, o que abre as candidaturas a quem já comprou ao longo do ano passado.
Tempestades e Médio Oriente travam novos concursos
A ministra assumiu que não deverá abrir mais nenhum concurso de apoio à compra de carros elétricos este ano. A justificação está nas contas do Fundo Ambiental, o mesmo instrumento que paga os incentivos à mobilidade elétrica e que agora financia outras emergências.
“O Fundo Ambiental, que é quem financia os carros elétricos, está também a financiar parte das obras dos estragos ambientais nos rios, nos diques, em parte do litoral, que foram danificados com as tempestades”, explicou Maria da Graça Carvalho.
O Governo poderá vir a reforçar o apoio aos elétricos, mas, nas palavras da ministra, “se não se verificar uma descida dos preços de combustíveis, vai ser difícil voltar a abrir este ano”.
Metade do anunciado, abaixo das fases recentes
A dotação desta fase fica abaixo das duas anteriores. Em 2025, o programa dispôs de 13,5 milhões de euros, e o aviso de dezembro subiu para 17,6 milhões. Os 10 milhões ddeste aviso ficam-se por pouco mais de metade desse último valor.
Foi essa a verba efetivamente colocada à disposição dos compradores em 2026: 10 milhões, metade dos cerca de 20 milhões que o Governo autorizou para a mobilidade elétrica no ano. A libertação da outra metade, segundo a ministra, já não acontecerá.
Em dezembro de 2025, o aviso anterior do Fundo Ambiental, com 17,6 milhões de euros, esgotou também ao fim de poucas horas no dia da abertura. O prazo previsto era de 45 dias, até 12 de fevereiro de 2026, mas a verba não chegou ao segundo dia.






