A BYD quer ser o maior fabricante de automóveis do mundo em escala dentro de cinco anos. Wang Chuanfu, presidente e fundador da empresa apontou 2030 como horizonte para chegar a esse topo, medido em volume de veículos.
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A meta da BYD para 2030
2030 é a data que Wang colocou em cima da mesa. O presidente da BYD ligou a ambição a um crescimento que disse assentar em duas frentes em simultâneo, o mercado interno chinês e a expansão para fora da China, com a tecnologia própria a servir de motor a essa subida.
A empresa já é o maior vendedor mundial de veículos de novas energias, com mais de 4 milhões de unidades em 2024, segundo a Fortune. Essa categoria, tal como a estatística chinesa a define, soma os elétricos a bateria aos híbridos plug-in. Nas entregas de elétricos a bateria, a BYD tem disputado com a Tesla a liderança mundial ao longo dos últimos trimestres.
Fundada em 1995 como fabricante de baterias para telemóveis, a empresa de Shenzhen só passou aos automóveis em 2003, também de acordo com a Fortune. É dessa origem que vem a integração vertical que hoje a distingue, com a BYD a produzir as próprias baterias e boa parte dos componentes que monta.

Crescimento fora da China
No mercado internacional, a empresa tinha fixado uma meta de 1,6 milhões de veículos para este ano. Wang admitiu que as tendências atuais apontam para um valor acima desse e voltou a defender uma estratégia de longo prazo, com a produção local como condição para um crescimento estável.
Esse esforço apoia-se em centros de formação já instalados na Europa, na América do Sul, no Sudeste Asiático e no Médio Oriente. São esses, a par da Austrália, os mercados onde a marca mais tem ganho terreno fora da China.
Aposta na condução autónoma
Por considerar o automóvel uma forma de “inteligência incorporada”, Wang dedicou parte da intervenção na assembleia geral anual da BYD que hoje se realizou, à condução autónoma. A BYD tem 3,15 milhões de veículos com sistemas de condução assistida em circulação no mundo, que recolhem dados a um ritmo de 200 milhões de quilómetros por dia. É esse conjunto de dados que a empresa diz servir de base às fases seguintes de automatização da condução.
Já conheces?
Sobre o calendário, Wang afirmou que os níveis 3 e 4 de condução autónoma vão chegar ao mercado mais cedo do que se espera. Garantiu que a BYD está preparada nos chips, nos algoritmos e nos dados, e que avançará depressa assim que a regulação o permitir.
O nível 3 transfere a condução para o automóvel em situações definidas, com o condutor disponível para retomar o controlo. O nível 4 dispensa essa intervenção dentro de certas condições, ainda sujeitas a aprovação caso a caso na maioria dos mercados.
A regulação é, hoje, o principal travão a essa tecnologia.
Tecnologia e imagem de marca
Questionado por acionistas sobre as margens no mercado interno e sobre a imagem da marca, Wang defendeu que o caminho da BYD para o topo de gama passa pela tecnologia própria. Apontou mercados como a Austrália, a Europa e a América do Sul, onde, segundo o próprio, a BYD já é vista como marca premium, e prometeu uma nova vaga de tecnologias com a qual conta resolver as dúvidas sobre a margem por veículo e o posicionamento.

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Para Wang, o automóvel é antes de mais um objeto ligado à segurança das pessoas, e é por aí que a indústria se deve medir. A subida de gama da BYD, defendeu, virá da engenharia e não do marketing. As tecnologias que classificou de surpreendentes deverão chegar já no próximo ano.
A imagem da marca não é igual dentro e fora da China. No mercado interno, o peso dos BYD usados como veículos de transporte com motorista, muitos em circulação durante longas horas, afetou a reputação junto do consumidor, nota a CarNewsChina. No estrangeiro, onde a marca entrou mais tarde e com modelos recentes, a leitura é diferente.
Contexto europeu
Na Europa, a BYD é uma das marcas chinesas a ganhar terreno e tem em curso novos investimentos industriais, incluindo uma fábrica na Hungria. A produção dentro da União Europeia ajuda a contornar as tarifas adicionais que Bruxelas aplica desde 2024 aos elétricos a bateria fabricados na China.
A bateria blade de segunda geração e o carregamento ultrarrápido são os argumentos com que a marca se apresenta nos mercados onde entra, Portugal incluído.
A meta de 2030 chega num momento em que o crescimento da BYD na China abrandou, depois de anos de expansão acelerada, num mercado interno pressionado por uma guerra de preços. A nova vaga de tecnologia que Wang prometeu está marcada para o próximo ano.






