O Citroën 2 CV Concept, revelado em Paris na véspera do Salão Automóvel, antecipa o pequeno elétrico que a marca quer integrar na gama em 2028, com produção na Europa, e preço de 15.000 euros.
Ouve o resumo do artigo:
Áudio gerado por IA
Neste artigo:
O 2 CV elétrico entre o Ami e o C3
Na gama da Citroën, o modelo de série vai ficar entre o quadriciclo Ami e o C3. A marca garante que vai cumprir as futuras regras europeias para o chamado E-Car, a categoria de pequenos elétricos acessíveis que Bruxelas tem em preparação, e que o automóvel definitivo será revelado nos próximos dois anos.

Na proposta que a Comissão Europeia apresentou em dezembro de 2025, a designação oficial passou a ser M1E. A nova classe abrange automóveis 100% elétricos com até 4,2 metros de comprimento e produzidos na União Europeia. Com 3,76 metros, o 2 CV Concept fica 44 centímetros abaixo desse limite.
Mais curto do que o 2 CV original
Lançado no Salão de Paris de 1948, o 2 CV original media 3,85 metros, nove centímetros mais do que o concept. “A secção dianteira tinha de ser apelativa sem parecer um brinquedo”, afirmou Pierre Leclercq, diretor de design da Citroën. O peso-alvo de uma tonelada serve o mesmo raciocínio: menos massa permite uma bateria mais pequena e mais barata, com uma autonomia que a marca descreve apenas como adaptada ao uso diário.
Por fora, os faróis redondos ficam destacados da carroçaria, o capô recupera os vincos do TPV, o protótipo que deu origem ao 2 CV, e os limpa-para-brisas ficam à vista. As jantes são de aço, com 18 polegadas, e os para-choques estão separados da carroçaria para poderem ser substituídos sem mexer no resto. Em vez de matrícula, a traseira do protótipo tem um ecrã digital que mostra as alcunhas do 2 CV em vários países.
Um cilindro no lugar do tablier
Não há painel de instrumentos convencional. Num cilindro horizontal concentram-se o volante de raio único, uma alavanca que reúne limpa-para-brisas, piscas e definições do ecrã, o seletor de marchas de pressão com o botão Start/Stop e um ecrã tátil quadrado de 8 polegadas, com três botões físicos para temperatura, volume e ventilação e grafismos do autor belga de banda desenhada Jean-Luc Delvaux.
À frente do condutor, o sistema Citroën Smart Vision projeta no campo de visão a percentagem de bateria, a navegação, a marcha engrenada, a meteorologia e uma versão digital do velocímetro de tambor do Citroën GS.
Os bancos usam a tecnologia Advanced Comfort, têm estrutura tubular e dispensam apoios de cabeça; o dianteiro sai do carro para servir num piquenique. Onde estaria a consola central fica um cesto amovível em madeira e plástico de base biológica, produzido por impressão 3D, ao lado do “Radioën”, um rádio removível que também funciona como coluna fora do automóvel. O tejadilho de lona enrola-se à mão e deixa passar luz mesmo quando está aberto.
Já conheces as ferramentas interativas EVMag?
Pneus que se monitorizam sem sensores
Desenvolvido com a Michelin, o “Modelo Digital Universal do Pneu” usa dados que o veículo já recolhe para estimar em tempo real aderência, desgaste, pressão e carga, sem qualquer sensor dentro do pneu, e permite ao automóvel ajustar o comportamento às condições da estrada.
No para-brisas lê-se 48/90/26. O primeiro número remete para a estreia em Paris; o segundo para 1990, ano em que o último 2 CV saiu da fábrica de Mangualde, depois de 5.114.969 unidades produzidas; o terceiro para a apresentação do concept.



Do caderno de encargos do TPV, que pedia um carro para quatro pessoas e 50 kg de batatas a 60 km/h, ficaram as referências: o som da buzina e do arranque do motor elétrico foram retirados do 2 CV, o pedal do travão tem uma tartaruga e o do acelerador uma lebre, e as portas têm compartimentos desenhados para guardar ovos. “O mundo mudou. Mas a ideia permanece a mesma”, disse Xavier Chardon, CEO da Citroën.
“Reinventar o 2 CV não significa replicar um automóvel do passado; trata-se de reinventar o que o tornava único: a sua simplicidade, a sua acessibilidade e a liberdade que oferecia. Com o 2 CV Concept trazemos esse espírito para o mundo de hoje, para tornar a mobilidade elétrica mais simples, mais humana e mais desejável. O mundo mudou. Mas a ideia permanece a mesma: tornar a vida mais bonita com a Citroën”, sublinhou
Os outros cinco concepts da Stellantis
O 2 CV Concept foi um dos seis protótipos que a Stellantis mostrou ontem no “The Night Before”, no Hangar Y, em Paris. No total, o grupo leva nove concepts ao salão, num stand com mais de 60 veículos, e os seis revelados na véspera foram desenvolvidos sob a direção de Gilles Vidal, responsável de design para a Europa Alargada.

Assente na plataforma STLA One, o Peugeot RCZ Vision estreia a direção steer-by-wire e antecipa a próxima geração do i-Cockpit, com o comando Hypersquare. A marca apresenta-o como a sua visão de mobilidade elétrica eficiente e de alto desempenho.
Inspirado no Multipla, o FIAT Multiplay tem uma arquitetura configurável que junta a caixa aberta de uma pick-up ao habitáculo de um SUV. A FIAT não revelou motorização nem dimensões.
Para a Opel, o STX Concept é uma carrinha que estreia a assinatura luminosa “Opel Vizor” com animações em lâminas e um “Opel Compass” vertical mais saliente, elementos que a marca garante que vão chegar aos futuros modelos de série.
O DS F3VER explora atração visual, personalização e versatilidade, sem dados técnicos divulgados.
Do lado da Alfa Romeo, o Cuorerosso aponta a arquiteturas multienergia, modelos até 4,7 metros e versões Quadrifoglio; a única motorização descrita no comunicado é um V6 de 2,9 litros full-hybrid com tração integral Q4.
O Salão Automóvel de Paris decorre até 18 de outubro.
Fontes: Citroën, comunicado “Citroën 2 CV Concept: Time 2 Meet Again”, 11 de outubro de 2026; Stellantis, comunicado “A Stellantis desvenda seis Concept Cars no evento The Night Before”, 11 de outubro de 2026; Citroën, produção total do 2 CV; Guia do Automóvel, categoria M1E.




