modelos da Leapmotor alinhados em exposição. a marca anunciou a eliminação da bateria de 12 volts modelos da Leapmotor alinhados em exposição. a marca anunciou a eliminação da bateria de 12 volts

Leapmotor elimina bateria de 12 volts com a nova CTC 3.0

A bateria de 12 volts sai dos Leapmotor a partir de 2027. A marca chinesa apresentou a bateria Cell-to-Chassis (CTC) 3.0, que multiplica por sete a capacidade em baixa tensão e passa a assumir as funções que até aqui obrigavam a um acumulador separado.

A bateria de 12 volts sai dos Leapmotor a partir de 2027. A marca chinesa apresentou a bateria Cell-to-Chassis (CTC) 3.0, que multiplica por sete a capacidade em baixa tensão e passa a assumir as funções que até aqui obrigavam a um acumulador separado.

Ouve o resumo do artigo:

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Resumo
A bateria de 12 volts sai dos Leapmotor em 2027
A CTC 3.0 dispensa o acumulador de chumbo-ácido que a indústria usa há mais de 70 anos.
Sete vezes mais capacidade em baixa tensão
Alta e baixa tensão passam a partilhar as mesmas células, os mesmos módulos e a gestão térmica.
Altura interior sobe 63,7% com a LEAP 5.0
Tejadilho mais alto e piso plano dão um habitáculo com altura para ficar de pé.
Dezenas de milhões de baterias de chumbo poupadas por ano
Estimativa da Leapmotor para a adoção em larga escala, sem horizonte temporal indicado.

A CTC 3.0 junta alta e baixa tensão nas mesmas células

O anúncio foi feito no Leapmotor Tech Day de 2026, na quarta-feira, 16 de setembro, nas instalações da Hu Zhou Battery, que o comunicado da Stellantis situa em Hangzhou. Ao lado da bateria foi mostrada a arquitetura LEAP 5.0. As duas tecnologias sustentam a próxima geração de produtos da marca, que só começa a chegar em 2027.

modelos da Leapmotor alinhados em exposição. a marca anunciou a eliminação da bateria de 12 volts
A partir de 2027, os modelos da Leapmotor deixam de ter bateria de 12 volts ©Leapmotor

Na CTC 3.0, os módulos de células são integrados diretamente no chassis, sem estrutura exterior e sem pack autónomo. A novidade desta terceira geração está noutro ponto: alta e baixa tensão passam a usar as mesmas células e os mesmos módulos, com gestão térmica e distribuição de energia partilhadas.

O aumento de sete vezes na capacidade e no funcionamento em baixa tensão, face à geração anterior, é o que permite igualar a potência que a bateria de 12 volts fornecia. Sem ela, todo o sistema de alimentação elétrica do veículo é reconstruído de raiz.

O que a bateria de 12 volts ainda faz num carro elétrico

Mesmo nos elétricos, a bateria de 12 volts continua a ser a base da instalação elétrica: alimenta o limpa-para-brisas, a climatização, a iluminação, os ecrãs de infoentretenimento, os sistemas de segurança e os airbags. Nos automóveis de combustão é também ela que aciona o motor de arranque.

A bateria de tração trabalha a centenas de volts, uma tensão que a eletrónica de bordo não tolera, e a resposta da indústria foi sempre manter a bordo um segundo acumulador de baixa tensão.

Menos manutenção e menos chumbo

Segundo a Leapmotor, os modelos que receberem a CTC 3.0 serão os primeiros veículos de estrada em mais de sete décadas a prescindir de uma bateria auxiliar de chumbo-ácido. A marca fala de uma tecnologia que desafia o pressuposto de que essas fontes de alimentação são indispensáveis.

Para o proprietário, o efeito prático é o fim das substituições periódicas. A bateria de 12 volts é uma peça de desgaste, trocada ao fim de poucos anos de utilização, e o sistema da CTC 3.0 é apresentado como livre de manutenção durante toda a vida útil do veículo, com a poupança que daí resulta para quem o conduz.

Em larga escala, a Leapmotor estima que a tecnologia possa poupar dezenas de milhões de baterias de chumbo-ácido por ano, com a redução de resíduos e de poluição associada. O comunicado não indica horizonte temporal nem base de cálculo para o número.

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LEAP 5.0 aumenta a altura interior em 63,7%

A arquitetura anunciada ao lado da bateria mexe na disposição física do automóvel. Ao fundir numa só unidade o ar condicionado e o sistema de propulsão montado na traseira, duas tecnologias até aqui separadas, a Leapmotor diz ganhar 19% no comprimento do habitáculo, cortar 18% no número de peças e reduzir em 30% as tubagens necessárias. A nova disposição vertical dos amortecedores, com torre de alumínio, ocupa menos espaço e invade menos o habitáculo, o que segundo a marca acrescenta 37,5% ao espaço lateral para as pernas na primeira fila.

O maior salto anunciado está na cota vertical. Com um tejadilho mais alto e um piso totalmente plano e mais baixo, permitidos pelo desenho em skateboard, a altura interior sobe 63,7% e o habitáculo passa a permitir ficar de pé em toda a sua altura, num registo que a Leapmotor descreve como “loft”. A marca reclama ainda uma “eficiência de 100% no espaço” face às arquiteturas anteriores.

Primeiros modelos em 2027

Os primeiros veículos a adotar a LEAP 5.0 e a CTC 3.0 serão revelados em 2027, sem indicação de segmento, de mercado ou de data concreta.

Ficaram de fora as capacidades, as químicas e a tensão de sistema da CTC 3.0, bem como a forma como a bateria gere o arranque e os sistemas de segurança em caso de falha da alta tensão. Também não foi esclarecido se a tecnologia chega aos modelos europeus ao mesmo tempo que aos chineses, nem se estão previstas adaptações para a homologação na União Europeia.

Fora da Grande China, a distribuição da marca passa pela Leapmotor International, a joint venture criada em 2024 e detida a 51% pela Stellantis e a 49% pela Leapmotor. O grupo tinha-se tornado acionista estratégico da construtora chinesa no ano anterior.

A gama 100% elétrica que a Leapmotor vende hoje em Portugal tem três modelos: o T03, o B10 e o C10.

Fontes: Stellantis Media, comunicado do Leapmotor Tech Day de 2026; WebWire, versão inglesa do mesmo comunicado; Automotive World, cobertura do Tech Day; ArenaEV, análise técnica da CTC 3.0.

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