A Tesla concluiu a fase final de testes do sistema FSD – Full Self-Driving (Supervised) com a autoridade reguladora holandesa, a RDW, mas a aprovação voltou a escorregar.
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FSD: testes concluídos, aprovação por confirmar
A 20 de março, a Tesla Europe comunicou que terminou a fase de testes do FSD (Supervised) em parceria com a RDW, o organismo holandês de homologação rodoviária, e submeteu toda a documentação necessária para aprovação ao abrigo da Resolução 171 da ONU e das isenções do Artigo 39. O dossier está agora em análise interna no regulador.
A data esperada para a decisão passou de 20 de março para 10 de abril. Uma aprovação alargada à União Europeia, se acontecer, ficará para o verão.
Dezoito meses de trabalho sustentam o pedido. A Tesla quantificou o esforço: 1,6 milhões de quilómetros de testes em estradas europeias, 13.000 viagens demonstrativas com clientes, 4.500 cenários de teste em pista, mais centenas de páginas de documentação de conformidade cobrindo mais de 400 requisitos. São os números que a empresa apresenta ao regulador para justificar a aprovação.
FSD: datas prometidas, datas falhadas
Fevereiro de 2026 foi a primeira meta pública. Em dezembro do ano passado, a Tesla afirmou que a RDW concluiria a aprovação nesse mês. O regulador holandês corrigiu a versão horas depois: o que existia era um calendário de avaliação, não uma promessa de aprovação. Fevereiro passou sem resultado.
Em Davos, em janeiro, Musk voltou a fixar fevereiro, desta vez para a Europa e para a China em simultâneo. Pequim rejeitou a previsão em menos de 24 horas. Na Europa, a data foi empurrada para 20 de março. Agora para 10 de abril. O padrão vem de mais longe: o FSD estava prometido para a Europa no verão de 2022. No final de 2024, a Tesla comprometia-se com o início de 2025. Nenhuma dessas datas se concretizou.
Países Baixos primeiro, Portugal depois, sem prazo
Se a RDW aprovar em abril, o FSD (Supervised) arranca só nos Países Baixos. Cada país europeu decide depois se adota a homologação holandesa ou aguarda uma decisão coordenada à escala da UE. A Tesla fala em “possível aprovação europeia alargada durante o verão”, mas sem nada escrito.
Para os proprietários portugueses, o caminho passa por esse processo faseado. Primeiro os Países Baixos, depois um reconhecimento país a país que pode arrastar-se por meses. Quando o FSD chega efetivamente a Portugal, ninguém sabe.

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Vale também clarificar o que está em jogo tecnicamente. O FSD (Supervised) é nível 2 avançado: mãos no volante, olhos na estrada, condutor disponível para intervir a qualquer momento.
Desde o final de 2021, a Mercedes‑Benz tem, na Alemanha, um sistema de condução automatizada de nível 3 aprovado ao abrigo das regras da ONU para a Europa, que permite ao condutor desviar a atenção da estrada em cenários de autoestrada bem definidos. O que a Tesla tenta homologar na Europa está, em termos regulatórios, uma categoria abaixo.
Investigação nos EUA corre em paralelo
Em março, a NHTSA elevou a sua investigação ao FSD para o nível de Análise de Engenharia, abrangendo cerca de 3,2 milhões de veículos Tesla. É a penúltima etapa antes de uma ordem de recolha formal. O foco está no comportamento do sistema quando a visibilidade se degrada: a agência quer perceber se o FSD reconhece essas condições e quanto tempo leva a devolver o controlo ao condutor. Listou nove acidentes ligados a estas situações, um deles com vítima mortal.
A Tesla poderia tratar o problema por atualização remota, sem intervenção física nos veículos. Mas isso pressupõe primeiro uma solução técnica que ainda não foi confirmada publicamente. A RDW tem acesso a estes dados, e a avaliação holandesa decorre com esse contexto sobre a mesa.
O que muda para os donos de Tesla em Portugal
Em Portugal, o FSD é anunciado como uma possibilidade futura. O sistema precisa de homologação local para ativar, e essa homologação não existe. Nos EUA, onde está disponível desde 2020, apenas 12% dos proprietários chegaram a subscrever.
A aprovação na Europa é fundamental para que os proprietários de Tesla que tenham comprado, ou agora subscrito, o FSD possam usufruir de uma condução autónoma supervisionada mais efetiva.
A RDW não comentou publicamente o calendário revisto.



