Portugal ocupa o 7.º lugar entre 30 países no ranking de maturidade elétrica, com 67 pontos em 100. É a primeira vez que entra no grupo dos mercados “Desenvolvidos”.
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Portugal empatado com a Dinamarca
O estudo da Ayvens classifica 30 mercados europeus e coloca Portugal com a mesma pontuação da Dinamarca, ambos com 67 pontos, na sétima posição.
À frente ficam a Noruega, a Bélgica, os Países Baixos, a Áustria, a Suécia e a Finlândia. Segundo a Ayvens, Portugal fica à frente de França, Alemanha, Reino Unido, Luxemburgo e Suíça.

A pontuação de 67 em 100 coloca Portugal no patamar de maturidade mais alto definido pela metodologia da gestora de frotas. A classificação divide os mercados em três níveis: Desenvolvidos, Em Transição e Emergentes. Portugal passa a integrar o primeiro.
O ranking não mede vendas absolutas, mede maturidade. Um país pequeno com condições económicas favoráveis à eletrificação pode ficar à frente de uma economia maior onde os elétricos continuam mais caros de operar do que os equivalentes a combustão.
Custo por quilómetro mais baixo da Europa
O fator que puxa a pontuação portuguesa é o custo total de utilização.
Portugal é, dos 30 países analisados, aquele onde o diferencial de custo entre um elétrico a bateria e um veículo a combustão é mais favorável ao BEV. Um elétrico custa 0,25 euros por quilómetro. Um veículo com motor de combustão interna custa 0,39 euros por quilómetro.
A diferença de 0,14 euros por quilómetro é a maior registada entre os mercados do estudo, calculada para 48 meses e 120.000 km.
Neste pilar, o custo total de utilização, Portugal soma 25 pontos em 30. É a sua melhor pontuação setorial e a segunda mais alta do ranking, atrás apenas da Noruega e da Dinamarca. Para as empresas, este diferencial é o argumento central da transição de frotas.
A Ayvens sublinha que a vantagem se mantém mesmo num cenário de redução progressiva dos incentivos fiscais, o que retira ao apoio público o papel de fator decisivo na escolha.
“A eletrificação na Europa está a entrar numa fase de implementação, cada vez mais orientada por aspetos concretos como o TCO, os modelos disponíveis e a infraestrutura de carregamento”, afirmou António Oliveira Martins, diretor-geral da Ayvens Portugal.
Sobre o mercado nacional, acrescentou que Portugal é hoje um dos contextos mais favoráveis da Europa para eletrificar frotas, por ser o país onde a diferença de custo face aos veículos a combustão é mais expressiva.
Os modelos mais vendidos em Portugal em 2025 confirmam o peso do topo de gama acessível e das marcas generalistas: o Tesla Model 3, o Tesla Model Y e o Renault 5 E-Tech lideram as vendas de BEV.
A fiscalidade é o ponto mais fraco
O travão à pontuação portuguesa não é o custo nem a adoção. É a fiscalidade.
No pilar da fiscalidade e regulação, Portugal soma apenas 10 pontos em 20, a sua nota setorial mais baixa e uma das mais fracas entre os mercados desenvolvidos. O guia mede este indicador comparando a vantagem fiscal de um elétrico face à versão a combustão do mesmo modelo.
A pontuação intermédia reflete um enquadramento em que o ISV é reduzido a 100% para os BEV, mas o benefício em sede de tributação autónoma perde peso à medida que os apoios diretos se esgotam. O incentivo à compra de 4.000 euros, recorda o próprio estudo, já está esgotado.
Na infraestrutura de carregamento, Portugal fica-se pelos 13 pontos em 20, o valor mediano da maioria dos países analisados. O país tem 1,1 pontos de carregamento por mil habitantes e nove veículos elétricos por cada posto público. Na adoção, soma 15 pontos em 25, com os BEV a representarem 23% dos ligeiros de passageiros vendidos em 2025, mais 27% do que no ano anterior.
Já conheces?
Uma rede elétrica quase toda limpa
No pilar da sustentabilidade, Portugal soma 4 pontos em 5. A intensidade carbónica da rede fica nos 103 gramas de CO2 por kWh, com 85% da eletricidade a vir de fontes de baixo carbono e 82% de fontes renováveis.
Só a Noruega, a Suécia e a Suíça, com redes quase totalmente descarbonizadas, pontuam acima neste indicador.
Os modelos mais vendidos em Portugal em 2025 confirmam o peso do topo de gama acessível e das marcas generalistas: o Tesla Model 3, o Tesla Model Y e o Renault 5 E-Tech lideram as vendas de BEV.
Cinco pilares, uma nota final
A nota de 67 não sai de um único indicador.
A pontuação de cada país resulta de cinco pilares com pesos diferentes: adoção de veículos elétricos (25%), infraestrutura de carregamento (20%), fiscalidade e regulação (20%), comparação de custo total de utilização entre BEV e combustão (30%) e sustentabilidade da eletricidade (5%).
A Ayvens reviu esta metodologia face à edição anterior e retirou o indicador de oferta de modelos elétricos, por considerar que a disponibilidade deixou de ser um fator limitador na Europa.
Portugal subiu 7 pontos face à edição de 2024, uma das maiores progressões entre os mercados desenvolvidos. O cálculo assenta na frota de mais de três milhões de veículos que a empresa gere em mais de 40 países.
Europa muda o modelo de incentivos
2025 e 2026 marcaram um ponto de viragem nas políticas europeias de mobilidade, segundo a Ayvens.
Vários governos substituíram os subsídios generalizados por mecanismos fiscais mais direcionados, ao mesmo tempo que os incentivos aos veículos a combustão e aos híbridos plug-in foram sendo eliminados e as penalizações sobre emissões elevadas se tornaram mais exigentes.
O guia europeu de 2026 é, pela primeira vez, uma edição separada dedicada apenas à Europa, com 30 países cobertos. A Noruega mantém-se como referência global, com os elétricos a bateria a representarem cerca de 96% das vendas de ligeiros novos em 2025.
No fundo da tabela ficam os mercados de Leste. A Sérvia fecha o ranking com 19 pontos, a Roménia e a Bulgária com 21. A edição está disponível para download no site da Ayvens.






